quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Eu sou a estalagem na estrada escura, úmida e deserta. Eu sou a casa de passagem que vão os músicos, os boêmios, os poetas, os pintores. Eu sou a musa por uma noite, por uma semana, por um mês. E me amam com a intensidade de uma fogueira santa no corpo de uma vela na falta de luz elétrica. Me amam, me desejam, me pintam até que não sobre mais corpo meu que não tenham visto. Há uma cama para cada qual que me possuiu e um quarto para cada outro que me abandonou. Eu sou o lar dos viajantes, dos aventureiros, dos desertores das guerras da vida. Eu sou a bruxa não-queimada, eu sou a xamã de todas àquelas que foram amadas e abandonadas. Eu sou aquela cujas mãos curaram todos que passaram por mim e também aquela cujas feridas nunca foram nem sequer limpadas, quiçá examinadas. Eu sou um corpo em putrefação. Eu sou a estalagem na qual os homens vêm e vão. Me amam como fogo e eu queimo como lava. Me desejam como quem tem fome e eu os alimento. Eu sou aquela que está sempre sozinha, os viajantes nunca ficam. Eu não sou a esposa, eu não sou a filha que eles queriam que eu fosse. Eu sou a casa de passagem para os que precisam se reabilitar da vida monótoma e sem graça na qual estamos todos presos. Eu sou uma aventura presa numa taverna, eu fui escolhida à dedo pelo próprio diabo pra queimar. Deixe-me arder.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Se eu tou cheirando pinga é porque eu tava bebendo.
Parei pra pensar esses dias que eu nunca vi o oceano do lado de lá. Nunca vi o sol se pôr no mar e isso me deixou um tanto quanto triste. Mas sabe, é que ultimamente tudo vem me deixando um tanto quanto triste. Todas essas partidas e todas essas pessoas que nunca ficaram e que colocaram a culpa em mim - você é difícil demais, você é intensa demais. Talvez eu seja. É bem provável que eu seja. O problema é que eu não quero ter por perto gente que tem medo de ver o mar do lado de lá. Do outro lado, sabe? E eu quero ver. E quero ver o oceano e todos os outros que tiver pra eu ver. Quero ver tudo que há para ser visto e até o que não der pra enxergar. Eu enxergo todo mundo e não tô ligando muito se as pessoas me enxergam. Vida que segue, eu tô aqui. Enchendo a minha cara de pinga por mais um dia na semana que é pra ver se essa solidão - não solidão, mas se estar sozinha - não passa. Veja bem: o que me dói não é estar sozinha, até porque eu sempre estive e isso nunca me foi um problema. O que me dói é falar e falar e falar e ninguém realmente escutar. Quando eu te digo sobre as coisas do céu e as coisas da terra que me fazem ter medo, cê acha que é demais. As pessoas geralmente ficam impressionadas com essas pirações. Eu sou a maior aventura que eu conheço e eu gosto de gente que não tem medo - até porque eu tenho medo demais. Quiçá. Quiçá porra nenhuma. A verdade é que eu tava pedalando e pensei que poderia usar a palavra quiçá num texto meu, mas quiçá que eu nem sei como encaixar quiçá nesse devaneio sobre as dores da minha vida e o oceano do lado de lá. Falei pro meu pai que eu queria ver o oceano do lado de lá e ele falou "é, quem sabe um dia a gente vá pro Peru". É, pai, Peru. Eu não sei de muita coisa da vida mas sei muita coisa de sentimento e eu sei que eu sinto muito. Sei que eu já aguentei tanta porrada nessa vida e eu vivi tão pouco pra tudo isso de chute na cara que eu levei. Eu sou um mulherão da porra. Eu sou a melhor companhia que eu tenho e é por isso que eu escrevo. Escrevo pr'eu ler e pensar que um dia, eu vou ver o oceano do lá e que eu não vou querer estar com ninguém além de mim. Eu, que me aguentei durante tantos surtos e crises existenciais que eu nem sei contar. Se eu citar mutantes é porque eu tou ouvindo e eu acho que o refrigerador de todo mundo não funciona.
Mas pois é. Quem sabe, quando eu arrumar o meu refrigerador e ver tudo em tecnicolor eu possa ir até o outro lado pra ver o sol se pôr do lado de lá. Quiçá.

sábado, 3 de dezembro de 2016

alguém me ajuda
a tirar a minha bicicleta da chuva
que enquanto chove assim ela vai sofrer
e amanhã, se amanhecer
a ferrugem vai aparecer

alguém me ajuda
a tirar a minha bicicleta da chuva
o granizo não perdoa ninguém
muito menos quem tá esperando um alguém
vir me ajudar
a tirar a porcaria da minha bicicleta
desse inferno de chuva que não cessa,
que não pára
e que temporal todo dia dentro de mim
enquanto eu tento
sair pra poder tirar a bicicleta da chuva
pra poder fazer parar de chover
e amanhã
SE amanhecer
e parar de chover.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

tenho uma confissão a fazer: acordei com raiva. não com raiva, mas com o coração partido. segurei em minhas mãos todos os cacos e feridas que você causou em mim e todas as que eu causei em você - sangrei. eu acordei com raiva, raiva pelo silêncio que você me dá, raiva pela gritaria que você não escuta. por que sumir? por que a gente não pode conversar, como dois adultos? é que eu sempre te falei que em matéria de amor ninguém é adulto. somos todos um bando de crianças brigando pra ver quem cai do escorregador primeiro. eu tive um sentimento, uma intuição de que seria eu a cair primeiro. e caí. mas você caiu logo depois e logo em cima de mim. me machucou. eu não sei pra onde correr, sabe. eu tento ficar tranquila e pensar que tudo o que vai volta - mas eu não quero que você sinta o que eu senti. eu não quero que você sinta esse cansaço que eu sinto só de pensar nessa dor excruciante que me atormenta o dia inteiro. eu não dormi hoje. lembrei dos teus cabelos na minha cara, do teu cheiro de casa e dos beijinhos. mas aí eu fiquei com raiva, raiva de ter te amado tanto que agora eu tô tendo que me refazer inteira e repôr no meu corpo todas as partes que um dia você tocou. eu não quero mais nada teu aqui porque dói. dói em mim mais a mentira do que a traição, dói em mim mais a falta de respeito do que a falta de amor. vem aqui buscar os restos de mim que são teus e os restos de poema. os restos das tuas roupas que em ataque de raiva eu rasguei. você não ouse reclamar de roupa rasgada quando você rasgou a minha alma. você é um desconhecido que carrega todas as minhas falhas e cicatrizes, então eu peço encarecidamente que cê devolva. me devolve as músicas que eu te dei, me devolve o amor que eu te emprestei e me devolve pra mim. você não tinha direito nenhum de ter me roubado e eu sempre te disse que eu era minha e só minha. então, por favor, quando ler isso, me devolve pra mim. eu me preciso. mais do que eu achava que precisava de você e do seu falso amor. por favor. me devolve.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

tenho a acidez de um estômago ulcerado pelos cigarros matinais, cafés em excesso e mesmo assim ainda me beijam e suspiram sobre a minha doçura. meu amor, a boceta é doce. minh'alma que é estragada.
eu lembro quando você veio à minha porta
e eu senti parar o mundo
por um segundo

por um instante
a música parou de tocar
e tudo ficou em silêncio

depois cê foi embora
e noutro instante
eu voltei a respirar
houve dias em que eu era água e açúcar e amor. todas as músicas e melodias que hoje me enjoam tocavam sem parar e todos os momentos que hoje me destroem antes me sorriam. eu fui embora, cê sabe que eu fui e cê precisa me soltar. cê precisa me deixar ir. eu não quero mais sonhar com você ou pensar em você enquanto volto pra casa de uma caminhada noturna. me solta, você não quis ficar, você não quis se mostrar pra mim então agora você precisa me soltar. tenho essa intuição que por vezes parece loucura e eu sinto você à distância. eu não quero mais. assina essa carta, assina esse poema e me deixa ir embora que eu não aguento mais ter o coração despedaçado em sonhos por esse sorriso que eu nunca mais vou ver, por esses beijos que eu nunca mais vou sentir. me solta.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

eu não sei
não amar
um amor desesperado
eu não sei
não me entregar
com o peito rasgado
e faço tudo
o que posso
e o que não
e eu não sei
não sofrer
quando me deixam assim
com a alma violada
quebrada no chão
sozinha
e sem nada

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Já adianto esse desabafo com um pedido de perdão por ser afobada do jeito que eu sou. Eu não quero te atrapalhar em nada que cê tenha que fazer - você fazendo coisas é tão lindo, tão maravilhoso. Eu de jeito nenhum quero ser um empecilho, mas se você me permitir ficar por perto eu posso me acalmar. Eu posso tentar. Tentar diminuir, parar um pouco, respirar com calma e não bater cinza de cigarro em lugar errado. Tento não deixar meus grampos jogados pela sua casa, meus maços vazios e recadinhos no espelho. Mesmo quando eu não tô contigo eu acabo pensando em você. Te disse que oficina vazia é mente do diabo - mente vazia é oficina do diabo -  e você disse que não. Tudo bem, talvez não seja, mas minha mente vazia é oficina pra você orquestrar nela a sua voz, o seu corpo, o teu calor. Eu queimo, eu sou fogo! Me perdoa, mas eu queimo por você. Eu te desejo, eu te quero. Se eu não tô com você, eu tô pensando em você. Eu tô apaixonada, cê sabe, eu já te disse. Eu já te repeti isso. E perdoa por essa afobação. É que eu te quero muito e não tô sabendo controlar por agora. Sei que eu causei essa enchente, mas sabe, seria bacana se você pudesse vir nadar comigo... Eu te ensino.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

pela porta de vidro fico esperando você aparecer
pra me convidar pra sair, tomar um café
conversar sobre as coisas da vida que eu não consigo entender
ir pra tua cama me embaralhar em você
embrulhar as minhas pernas nas suas até amanhecer
mais um dia sem dormir, mais uma noite de prazer

pela porta de vidro eu espero você aparecer
me esperando pra jantar, pra sair, pra dançar
beber um vinho doce e subir nos teus pés
enquanto olhamos o céu balançar
e a lua à iluminar.

pela porta de vidro eu espero você aparecer
pra me chamar pra sair, me levar pra viver
e pela porta do seu quarto eu te olho
queria poder manter você entretido em mim
me chama pra ouvir os clássicos e cantar caetano
enquanto você me beija com um gosto de café
em algum lugar, eu penso em você
mais uma tarde no trabalho
pensando que quem sabe, cê podia aparecer.                      
seus olhos felinos me comem de longe
e choque
seus lábios percorrem meus perímetros
e que sorte
é ter você fluindo pelo meu corpo
e o seu toque
que me deixa em brasa, me fode a alma

domingo, 13 de novembro de 2016

tu me tocas e eu desafino
tu me beijas e meu corpo desalinha
em um prelúdio sedento
de um desejo constante
eu tenho sede de você
dê-me um beijo,
dê-me algo para beber
tu me compõe um silêncio que grita
e eu canto
enquanto desaguo nas suas mãos
e queimo

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

tenho o coração mais fácil que meus beijos e me entrego à qualquer um que tenha toque gentil e lirismo na fala. eu mesma não sou lírica, mas acredito que meus olhos sejam. e meus olhos encontraram os teus e eu quis te possuir, mas não possuo a ninguém assim como ninguém me possui. mas meu coração, assim como eu, é uma puta fácil que se entrega à qualquer um que tenha uma voz suave e cheiro de vinho barato. eu não posso evitar se o meu amor é banal como copos de água. saio pelas ruas à vadiar nos braços de boêmios músicos e poetas que encontro pelo caminho e sempre acabo nos teus lábios de fumaça paraguaia. eu sou sem valor, como me disseram toda a vida. tenho o lirismo de uma puta - assim como sou - e caio nas graças de qualquer um que tenha toque gentil e voz suave

sábado, 22 de outubro de 2016

as suas palavras espancavam a minha alma
e meu peito saía danificado em toda briga
e eu não percebia, eu não sabia
o que estrago que você fazia em mim
você é problemática, você fala demais
você faz tudo errado, você não serve pra nada
a culpa não era minha, por que agora é?
por que ele não me ama?
porque eu só faço coisa errada
falei no momento errado, agora eu vou escutar
minha saia era muito curta, voltei para trocar
e naquele dia que eu não queria transar
cospe aí e me deixa terminar
eu sou inamável, eu sou o problema
todo dia eu escrevo com as páginas molhadas
todo dia eu choro com a minha alma espancada
me desculpa, a culpa foi minha
ele não me ama, só quero saber o porque
e depois de todo o desabafo, eu escrevia que queria morrer
naquela época eu não sabia, eu não percebia
eu era inamável, eu era um problema
rolê com os amigos e eu não posso ir
sou mulher e falo demais, eles não querem te ouvir
minha mãe morreu e eu me sinto sozinha
talvez você devesse procurar fazer terapia
disco no telefone, ninguém me atende
eu corto os meus braços e sangro na patente
tomei muito remédio, eu só quero dormir
espero que um dia isso seja só mais uma cicatriz.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

percebi enquanto pedalava
pela molhada estrada vermelha
repleta de galhos e folhas
- é uma vida bonita -

enquanto os pássaros cantavam
a mesma música de sempre
e a água molhava meus pés
- é uma vida bonita -

meus pulsos abertos de sangue
da mesma cor carmim
do caminho que eu sigo
- é uma vida bonita -

talvez nem sempre eu veja
e quase nunca sinta
mas ontem, enquanto pedalava
pela molhada estrada vermelha
eu vi que e a vida que eu vivo
é uma coisa bonita

sábado, 1 de outubro de 2016

grandes poetas foram os que sucumbiram à tuberculose



me encontro pneumônica
com grande dificuldade para respirar
lembro-me enquanto inalo a fumaça
toda a minha vida passa em um estalar

e eu, vinte anos de fracassos
e mais um apenas de tosses mal cuspidas.
engasgo com o catarro branco que eu escarro
e lembro dos grandes poemas
dos grandes escritores
que foram traídos por seus pulmões.

encontro-me pneumônica
fadada a sufocar com meu pulmão a chiar.
para ter uma morte grandiosa
digna de uma poeta tuberculosa
só me falta o dom da poesia
e mais catarro para escarrar.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

antigamente 
eu me preocupava mais 
com as poesias que eu escrevia
com as canções que eu cantava

antigamente
eu me orientava mais
sobre os caminhos que eu tomava
sobre as bebidas que eu ingeria 

antigamente
eu orquestrava mais 
e as músicas que eu ouvia 
faziam jus às sinfonias

antigamente
eu não era tão triste
e não me preocupava
em ter vinte e poucos anos
mas é que antigamente 
eu era criança
e não pensava
que um dia
eu viveria no antigamente.
espero vinte primaveras pra ver
se é nesta aqui que eu vou florescer
de pernas abertas e o corpo coçando
dentro de mim nada nasceu

plantaram em mim coisas que não pedi
e desde então venho esperando
quero saber quando é que vai acontecer
me prometeram flores e não vejo nenhuma nascer

o broto que me deram eu plantei
com as minhas próprias lágrimas eu reguei
essa semente que não nasce
essa flor que não floresce

espero vinte primaveras pra ver
mas acho que não é nessa que eu vou florescer
me deram flores e me deram brotos
mas quando plantam no meu solo elas só deixam morrer

espero vinte primaveras pra ver
eu acho que eu não fui feita pra florear.
sou flor que não abre, sou semente que não brota
minha pele não é feita pra cheirar
meus olhos não são um deleite para olhar
tudo que aqui pousa, aqui morre
tudo que aqui planta, aqui não vinga
esperei vinte primaveras pra perceber
eu não sou flor de ninguém pra florescer

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

já pequena e com os olhos amendoados
tinha culpa gigante dentro do peito
assolando a minha inocência
grande que sou com os olhos lacrimejados
tenho essa culpa apodrecendo dentro de mim
essa culpa fétida, essa culpa nojenta
essa culpa por existir
essa culpa por sentir.
grande que sou com os olhos marejados
expurgo a culpa em poesias
e quando me deito com o sol no fim do dia
hei de ser culpada pela minha melodia
e todos os pensamentos pecaminosos
e toda a sujeira que existe dentro de mim
servirá de combustível quando me queimarem na fogueira

arrepeso

me arrependo
de não ter ido
de não ter ficado
de não ter me entregado à noite escura na qual eu vivo

me arrependo 
de não ter bebido
de não ter fumado
de não ter tragado toda essa toxicidade que eu enxergo


me arrependo
de ter nascido
e ter vivido
tão morbidamente como ja tivesse morrido
antes mesmo de nascer neste maldito mundo
e eu, mau parido!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

o meu abismo só não me destrói mais que você
tinha esse pavor insano de te esquecer
enquanto faço minhas malas
choro as angústias que me trouxeram a loucura
as minhas cicatrizes de guerra
tornam a aparecer
os cortes e as queimaduras
tudo que eu pensei
eu supus que ia viver
deixo para trás tudo que era belo
tudo que era bom
tudo que era poesia.
tudo o que era eu
se perdeu

sábado, 10 de setembro de 2016

Durante o xixi matinal da boemia percebi que meus sapatos, tão pequenos, estavam desamarrados. Logo me vi caindo, tropeçando no cadarço bobo e solto que ali jazia debaixo do outro pé. Talvez, se durante a minha epifania mijando eu tivesse amarrado os sapatos não teria tropeçado. Mas se eu não tivesse tropeçado talvez nunca teria tido essa epifania de que talvez o melhor seria amarrar os sapatos. Talvez o melhor de tudo teria sido não beber e não fumar nada. Aí, quem sabe, durante o meu mijo eu não estaria pensando nos meus sapatos. Pequenos. Sempre tive pés muito pequenos para o meu tamanho. Talvez fosse essa a razão de ter tropeçado. Tropecei? Foi a bebida ou foi o cadarço? Talvez, pensei  enquanto sentada na privada, mesmo se eu não amarrar os cadarços deste sapato tão pequeno eu ainda tropeçarei. Não amarrei. Tropecei.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

há muito que não me encontro. não me encontro mais nos retratos que empoeiram e nem nos que ainda brilham. não me encontro mais nas poesias que tanto amava escrever e nem nas músicas que antes amava ouvir. eu não me encontro em lugar e temo que não me procurarei mais. acho que vou ficar por assim, perdida. não tem problema. a dor é algo que há muito que me acompanha e já estou acostumada. também não me importo de estar sozinha, pois há muito me encontro solitária. tampouco sou vaidosa com a vida na qual simplesmente existo. eu não me encontro em mais nada e às vezes penso que sequer existo. eu só encontro dor em todos os lugares que desvio o olhar. dor na mídia, na internet e até nas plantas que antes eu só via beleza - agora vejo dor. nem mesmo as facas que cortam a minha pele frágil ajudam no meu encontro. o sangue não me ajuda a ver e a bebida há muito que não me agrada. apenas me deixa irreconhecível. tanto me dizem que me encontraram e eu falei sobre tantas coisas, mas eu não me lembro. eu não lembro de ter dito sobre as coisas que eu amava. não lembro o que eu amava. eu não me lembro de mais nada, e há muito que não me encontro. me perdi por ai e nunca mais me achei.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

se o debater das asas de um cisne até a morte
é peça, é música, é arte
então por que o debater do meu corpo contra o seu
não pode ser poesia?

quinta-feira, 28 de julho de 2016

você me bate com a palma direita
na face esquerda do meu rosto
e quando meus olhos lacrimejam
você levanta a palma esquerda
pra metê-la na minha face direita

a face direita é a face que você não quer ver
é a face de hécate
é a face de circe e seus vinhos
é a face do meu ódio, do meu frio
é a face que se levanta e você não reconhece
é a face direita que espanca ambas as tuas

como ousa?
como se atreve?

e num desaguar de rostos
a face direita se esconde
e a esquerda prevalece
é o anjo, é o sofrimento
é a face que choro
é a face que sofro

você não se atreva, você não virá
levantar a tua face da mão
se você paralisa com a minha face de medusa
você não se atreva, você não viria
levantar a palma da mão.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

sonhar com meus olhos fechados
foi deveras estranho
eu vi você.
quando com meus olhos abertos
você passa por mim
e finge que não me vê.
Maringá, julho de 2016.

Fazem exatas vinte semanas. Vinte semanas desde que fomos embora um do outro. Talvez eu tenha ido embora, visto que você já tinha ido fazia tempo. Como você está? Espero que esteja dando tudo certo. Espero que você esteja melhor de saúde e que esteja fumando menos. Enfim. Eu não queria chegar à esse ponto que cheguei, mas estou aqui. Estou aqui, mais uma vez, me humilhando com o peito aberto. Não quero mais o seu amor, se é isso que pensa. Não quero tampouco seus beijos ou seus carinhos. Eu quero conversa. Não conversas obrigatórias, mas, eu vi isso aqui e lembrei de você. Eu tenho a plena consciência de que tudo acabou e que tudo se desfez e que isso já tem tempo. Repetindo - não quero seu amor. Mas eu quero que você saiba que eu existo. Eu existo hoje e existi enquanto estava em teus braços. Eu continuo existindo embora você finja que não. Mesmo que finja que meu olhar não encontrou com o seu e que minhas canções não chegaram aos teus ouvidos. Eu existo, mesmo que você não se dê ao trabalho de trocar uma só palavra comigo. Aliás, eu retiro o que eu disse anteriormente. Eu não estou me humilhando. Eu sou corajosa. Eu estou aqui, mais uma vez, pedindo um mínimo de consideração de um ex amante. Não quero amizade. Não quero intimidade. Quero que você me olhe nos olhos e acene. Não sei se isso dói em você, ou se você simplesmente se sente indiferente para comigo. Mas amadureça. Olhe nos meus olhos e tenha a certeza: eu existo e vou continuar existindo. Não existo pra você, existo por mim. 

segunda-feira, 25 de julho de 2016

eu quero te apagar
de tal forma que nossos olhares
nunca tenham se encontrado;
nossos beijos nunca dados,
nossas músicas nunca cantadas,
teus poemas nunca escritos,
teu amor nunca inventado,
e meu coração nunca partido.

domingo, 24 de julho de 2016

quando é que você vem?
foi o que eu perguntei
da última vez que te amo
da última vez que te amei
quando é que você vem?
foi o que eu quis saber
a hora e o dia exato
que eu ia ter você
quando é que você vem?
foi o que você me respondeu
antes de entrar no ônibus
logo depois que se perdeu.
quando é que você vem?
foi o que eu perguntei
da última vez que te vi
da última vez que chorei.
quando é que você vem?

sexta-feira, 22 de julho de 2016

há de chegar o dia em que não mijarei no meu pé
agachada num canto de uma rua qualquer
como há de chegar o dia em que não derrubarei cigarros
que caem, coincidentemente, em poças atrás de carros
e há de chegar a noite em que não vou discar o seu número
na tela do celular.
há de chegar o dia que eu não sentirei saudades suas
e não chorarei pelos cigarros molhados de mijo.

sábado, 16 de julho de 2016

Hoje eu quero sair de casa pra ver se essa angústia passa. Só dar umas voltas por aí, ver cara de gente. Tentar entender o porquê da minha solidão. Nunca tive muitos amigos e os que eu tive não duraram. O problema deve ser comigo. Eu não ligo muito. A solidão que complica. Queria ver um filme. Queria fumar um baseado. Queria deitar no colo de alguém e chorar até essa dor imensa passar. Não tem colo pra eu deitar. O colo que eu tinha morreu e eu não procuro substitutos. Queria alguém pra segurar minha mão quando eu tiver distraída na rua. Minha mão é sempre cheia de anéis pontudos, então perdoa se algum deles te machucar. Hoje eu quero sair de casa. Sair de casa pra quê se eu não tenho lugar nenhum pra ir? Eu só quero sair de casa. Eu só quero sair um pouco pra ver se esse vazio enche. Não tem problema se for de fumaça, de conhaque, de qualquer coisa. Eu só quero sentir alguma coisa. Quero sentir que eu não fui esquecida. Eu quero me sentir lembrada. Eu quero me sentir amada. Eu quero mergulhar. É uma dor que não dói, sabe? Essa de ser um fantasma. Ela incomoda. Ela me deixa ansiosa, angustiada. Eu fui esquecida, é fato. Eu fui abandonada. Às vezes me belisco ou me queimo só pra ter a certeza que eu ainda existo. Hoje eu quero sair de casa.
Cansei de tudo que é pré. Pré-assado eu não quero mais. Eu quero direto do forno. Eu quero que venha quente. Quero que queime a boca. Quero que me satisfaça por dias, por semanas. Eu não quero nada pronto. Eu não quero nada pela metade. Ou vem inteiro ou não vem. Cansei dessa vida de pré-amores, pré-amizades, pré-empregos. Onde tudo vem mas nada vem por inteiro. Onde tudo chega mas não fica. Quero que arda, quero que doa. Quero que venha. Quero que dure. Quero intensidade. Se vier com coisa pela metade, vai embora. Copo meio cheio é também copo meio vazio e eu quero que transborde.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

não me dói a solidão

estar sozinha
no meio da multidão
nunca me doeu
tanto quanto dói
estar rodeada
e não ser percebida
nem ouvida.
isso me dói.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

teu cheiro mora
na ponta dos meus dedos
junto com o odor
dos meus fedidos
cigarros de sabor
e eu tento engolir
toda essa saudade
de te ter na palma da minha mão
sorrindo e iluminando
os meus dias
quando teu cheiro
morava no meu corpo inteiro

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Eu estou desaparecendo. Grande parte do tempo eu me sinto invisível. Sento e observo enquanto pisoteiam as minhas mãos e não me ouvem gritar. Às vezes alguém olha na minha direção, mas eu não sei dizer se me vê. Eu não lembro quando foi a última vez que alguém me viu. Me enxergou. Não lembro quando foi que um certo olhar encontrou com o meu e eu fiquei paralisada. Deve fazer tempo. Acontece também quando alguém perde um isqueiro na bagunça. Eu acho e deixo em cima da mesa. Ninguém percebe que foi eu. Tudo bem, sabe, nunca me importei muito com isso. Eu me importava com o seu olhar, mas você se tornou invisível pra mim e nossos olhares não se encontram mais. Não sei por onde você anda e o isqueiro de quem você acha, mas espero que esteja tudo bem e que não estejam pisando nas tuas mãos como pisam nas minhas. Eu também já não me vejo e espelhos não fazem muito sentido quando não há o que ver. Também não sei onde estão meus isqueiros. Esses dias encontrei um que havia perdido. Teria sido você que o encontrou? Talvez não. Provavelmente não. Nem quando você ainda me via você me olhava. Escrevo isso porque desapareço. Escrevo isso porque quero ser lembrada como a pessoa que sabia onde estavam os isqueiros. Não peço holofotes e muito menos falso reconhecimento de falsos olhares de falsos olhos que nem sequer veem. Peço que se lembre: seu isqueiro está na mesa. Escrevo isso porque não vejo mais as minhas mãos. Não vejo nem sequer os meus dedos engraçados e tortos do pé. Não me escuto mais; temo que ninguém mais escute. Então me despeço para o silêncio que eu grito. Me despeço para os olhos que não me veem e os ouvidos que não me escutam. Os isqueiros perdidos serão encontrados.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

o começo do fim
vêm sempre igual
pra mim:
eu choro e me incomodo
com a sua ausência.
a minha abstinência 
de toques
que eu nunca soube dar
muito menos soube aceitar.
depois eu te pergunto
se está tudo bem
se tem algo pra me falar
peço carinho 
peço pra você não se afastar.
no tardar do dia 
eu te pergunto como foi
você não sorri, não me diz
e eu desabo
o silêncio eminente me derrota
te pergunto se você quer ir embora
e você com as malas em mãos 
então eu não digo o que eu quero
fico com as palavras entaladas
na garganta 
enquanto dou à deus 
todas as cartas inacabadas 
sobre todos esses começos
de fins
que não acabaram 

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Teus olhos
Meio verdes
Meio castanhos
Me deixaram meio assim
Meio apaixonada
Meio desnorteada
E tua boca
Meio mel
Meio cigarro
Me deixaram meio assim
Parada no meio da estrada
Procurando a luz do sol
Perdida com a luz do céu.
Meio amarelo, meio anil
Meio amor, meio vazio

domingo, 26 de junho de 2016

perdoa a minha impaciência
e os empurrões enquanto durmo
eu te quero por perto
mas não tão perto assim
eu quero poder respírar à noite 
mas sem querer te sufocar.
perdoa a minha grosseria
e as falas mal projetadas
que saem da minha boca sem pensar
e como facas fazem cortar.
perdoa o meu choro noturno
cheio de dor e passado
não quero te magoar
mas é que antes de me amar
você precisa saber:
perdoa a minha impaciência
de não me permitir ser amada. 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Comecei a escrever mais um daqueles textos de saudade que é pra você saber que eu sinto. Mais um daqueles que você vê e não lê. Parei. Achei melhor parar no meio. Você me conheceu demais em pouco tempo. Eu lembro da sintonia. Tento evitar de pensar nesse sonho que foi você. Tento evitar de pensar na alegria que você me fazia sentir todo dia. Meu coração palpitava mais forte só ao lembrar que você existia. Não muito longe, ali do outro estava você. Evito de pensar, mas é inevitável sua face aparecer vez em quando pra sorrir com a minha. Me ocupo pra não sentir a dor que me faz a sua falta, mas quando acordo sempre lembro. Sempre estico a mão pro outro lado da cama pra tentar alcançar você - não está lá. Eu sei como funciona o ciclo da vida e eu sei que as pessoas vão embora. Eu só não me importaria se você tivesse ficado pelo menos mais um pouco. Pra gente tomar mais um café. Mais um vinho, quem sabe. Eu sei como funciona e eu sei que dói. Pelo menos em mim. Eu não tava brincando quando disse que você era o amor da minha vida. Mantenho esse depoimento. Eu agradeço porque você me permitiu te amar. E eu te amei com todas as forças que eu tive. Então eu termino mais um dos textos de saudade, que é pra você saber que eu tenho, mas dessa vez sem pesar.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Limpou a tua casa como se eu nunca estivesse ali. Mas eu estive, você lembra. E te deixei tantos fios de cabelo pelo chão que teve que passar a vassoura. Limpou teus ouvidos como se nunca tivessem escutado a minha voz antes. Mas você ouviu. Você lembra? Todas as vezes que te cantei as minhas dores e pesares você estava lá. Ou fingia que estava. Esses dias me bateu uma saudade enorme de quando cê me olhava com o canto do olho e sorria aquelas palavras que tanto me desnorteavam. O problema nunca foi ir embora. O problema nunca foi ficar. O que me destrói o peito é que você limpa a sua vida como se eu nunca estivesse lá. Eu estive? Tenho plena consciência do ciclo da vida. Eu, mais do que ninguém, sei que as pessoas vão embora. Outras vêm. Mas você me vê aqui do outro lado, acenando um bom dia? Você me ouve, aqui da outra casa da rua te perguntando se você está bem? Você lembra de quando eu estive aí? De quando você esteve aqui? Você se lembra?

quinta-feira, 16 de junho de 2016

o amor é banal
como são cigarros que não devem ser pedidos
os goles de água que não devem ser negados
e mesmo assim
encontro-me sozinha
de tão carnal que sou
não encontrei ninguém
que fosse banal o suficiente
pra me amar

quarta-feira, 15 de junho de 2016

sonhei aqueles sonhos
de saudade 
de quando sua alma
fundia-se à minha
e não tínhamos a necessidade
do toque 
para que houvesse o gozo 
do mais puro amor
que eu já experimentei

sonhei aqueles sonhos
de saudade
de quando sua voz me acalentava
nas noites escuras
chuvosas
onde meu maior medo
era um dia ter 
esses sonhos de saudade

terça-feira, 14 de junho de 2016

se esperarmos a hora certa
do momento correto
pra vida acontecer
não iríamos a lugar nenhum
porque nesse mundo
não tem a melhor hora
pra deus matar a minha mãe
ou pra me deixar desempregada
ou pra me deixar sozinha
desamparada
não tem a melhor hora pro sofrimento acontecer
nem a melhor hora pra uma nova vida nascer
mas eu acho
que não é o momento
e nem a hora certa
de me permitir esperar
pela hora
momento
pessoa
e o amor certo

quinta-feira, 9 de junho de 2016

desde que tomo conhaque
tenho feito de mim
a presidenta da luxúria
com meias-calças rasgadas
com as pernas defloradas

desde que tomo conhaque
tenho feito de mim
a ministra da auto-satisfação
em um relacionamento sério
com a minha própria mão

desde tomo conhaque
tenho feito de mim
a deputada da putaria
arranhando meu próprio corpo
transando com o gole dentro do copo

desde que tomo presidente
tenho feito de mim
a minha dona, a minha escrava
vou ter quando eu quiser
com quem eu escolher
presidente da minha buceta
quando eu abrir as pernas,
cê vai ver escorrer
e quando eu deságuo...
abriu, vai ter de beber

Não é como se eu não tivesse tentado isso antes. Já tentei e muitas vezes. Mas como tudo o que eu faço, perde o sentido no meio da coisa. Cigarros de sabor que não me satisfazem mais e uma insuficiência respiratória que eu não sei da onde vem. Talvez dessa maldita gripe que assola meu corpo fazem duas semanas. Eu não estou brava, sabe. Muito menos com raiva. Não perco meu tempo e energia com raiva dos outros. Os outros são quem são e ponto final. A culpa não é minha se eles são todos idiotas e eu demasiadamente sensível para com a estupidez alheia. Veja, tenho birras. Uma das birras é com aprendizes: aprendizes tendem a achar que já são aquilo que pretendem ser, e vem com aquela história de: "o que te faz triste" ou então "vamos procurar a origem desses problemas". Eu não quero ser analisada, entende? Se quisesse, se eu desejasse, pagaria alguém pra fazer isso. Não pago, porque prefiro gastar meus trocados com cigarro caro e que tem cheiro de incenso. Quem foi que acendeu esse incenso aqui? Foi eu. Eu poderia ser menos previsível, e menos irritativa, e menos petulante. Mas não o sou. E junto todas as chatices nesse ser cheio de manias e irritabilidade que odeia gente lenta. Raciocínio, sabe? Não é difícil. Não temos entre nós o capitão-óbvio. Me dê algo novo, conversas que não sejam superficiais. Eu cansei de fumar o topo da bagunça. Eu cansei de ficar observando o caos reinar e eu estava certa sobre aquilo que te disse. Não é como se eu quisesse avisar, mas eu avisei. Eu estava lá antes, mas se me procurar agora não vai me encontrar. Fiz dessa montanha de cretinices um trono e no topo dele você vai me ver: com a coroa de decepções, o sorriso de impaciência e o incenso que eu chamo de cigarro.

sábado, 4 de junho de 2016

Em um único verso
Eu não explico a imensidão
Que somos nós
Quando nos encontramos
Por frações de segundos
Em tão profunda paixão.
Em um único verso
Eu não explico quão pequena é
A distância entre nós.
Em um único verso
Eu não explico
Quão maravilhoso é
Poder dividir o mesmo momento
A mesma contagem do tempo
Com você.
Em um único verso
Eu não explico que
Nós somos o universo
E daqui continuaremos.
Tomara que tenhamos a sorte
que tivemos
De nos encontrar
Em outro único verso
De um outro poema.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

hei de ser um vendaval
trovoada que não cessa
chuva que não perdoa
ácido que cai
enquanto meu corpo chora
hei de ser um temporal
vou molhar as tuas terras
inundar as tuas mãos
de tanto que dilúvio
de tanto que sinto.
hei de ser um furacão
quando o vento corre
e assovia teu nome
em meu ouvido
e as casas voam
e tudo é destruído
pela natureza selvagem
que sou eu
hei de ser terremoto
quando tudo que toco
é desfeito pelo chão
hei de ser a estiagem
que congela seu coração
quando tudo eu já tiver tomado
quando tudo eu já tiver destruído
hei de ser tudo aquilo que mata
quando for o tempo de florescer

quinta-feira, 2 de junho de 2016

simbiose
quando meu corpo encontra o dele
e os seus olhos penetram os meus
e seu peito quente veraniza meus seios
e eu deságuo em suas mãos
que me possui, me toma
me perco
me encontro
em desatino profundo
e imersa
no ser dele
que é luz
e ilumina a minha escuridão
eu sou inverno, ele é verão
e faz chover em meus vales
florescer minhas mãos
causando os nós de seus cabelos
e eu transcendo
de amor e tesão
no meu menino de verão

quarta-feira, 1 de junho de 2016

esse menino
me engole quando ninguém vê
me fode com os dedos
e eu viro acessório
quando ele me pendura
e acaba comigo
com toda a ternura
que é possível ter
esse menino
me rasga sem perceber
e me ferve o corpo todo
quando começa a me tocar
e quando eu fico a gemer
esse menino me faz apaixonar
esse menino
me enche de poesias durante o dia
durante a tarde me toca como se fosse violão
e durante à noite me jura amor
enquanto eu queimo de paixão

terça-feira, 31 de maio de 2016

pergunta
se eu to bem
se to comendo direito
se to estudando
pergunta
se eu to feliz
se eu to conseguindo
viver um dia após o outro
pergunta
como as coisas estão
pergunta do meu pai
dos meus cachorros
dos livros que eu to lendo
pergunta qualquer merda
manda uma música, porra
eu me queimei
eu me cortei
eu só queria conversar
pergunta alguma coisa
qualquer coisa
só não me abandona
só não desaparece

segunda-feira, 30 de maio de 2016

queria poder te explicar
tudo que eu sinto ao te olhar
como meu coração palpita
e ao te ver sorrir
meu coração faz cantar
e se eu não entendo
eu escuto
voce falar
sobre as coisas da vida
e quando me deixa deitar
nesse peito que emana calor
e quando segura a minha mão
e sorri pra mim
eu exalo amor

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Poderia ter sido eu
Que teve o ventre rasgado
Mutilado
Por animais excitados
Poderia ter sido eu
Que teve o sangue derramado
O rosto marcado
E as pernas arreganhadas
Por homem desalmado
Poderia ter sido eu
Que teve o consciente roubado
Por trinta homens famintos
Será que fizeram rotação
De quanto em quanto tempo
Fariam um novo arrastão?
Poderia ter sido eu
Eu só quero ir pra casa
E meu pai não para de chorar
Poderia ter sido eu
Que teve a vida roubada
Entendeu ou não entendeu?
Poderia ter sido eu

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Te amei de um jeito exacerbado
Exagerado
Que me esgotou
Te amei como os anéis perdidos
Na rua
Em qualquer lugar
Que pudesse
Cair
Mas eu te amei
Tanto
E tão sozinha

Eu devia ter percebido o desperdício quando te dei todos os anéis que eram especiais pra mim e você os perdeu. Na rua, provavelmente, junto com os conhaques e sangue seco. Eu gostava disso em você, mas eu devia ter percebido. Eu devia ter notado que não havia nada além de fogo ali. Nunca queimou por mim. Eu me joguei na fogueira. Primeiro meus braços, depois minhas pernas, meus cabelos, meus olhos, meu coração. Eu sempre estive ali. Fiquei sem razão pra ficar. Fiquei porque te amei desesperadamente. Te amava de um jeito que doía. De um jeito que te dava tudo de bom em mim e eu fiquei sem nada. Te amei sozinha.

terça-feira, 24 de maio de 2016

É bicho que come mato
É bicho que come irmão
É bicho que caga na cidade
E pixa os muros da construção
É bicho que comete estupro
É bicho que quer ser Deus
É bicho que comete todo tipo de abuso
É bicho que não sabe ouvir não
É bicho estúpido
É bicho de gente
É bicho que usa terno feito de assassinato
É bicho que rouba pão
É bicho nojento
É bicho rastejante
É bicho que queima sua casa
Mata seu pai
Estupra sua mãe
Sequestra sua irmã
A onça tem medo do bicho
Que mora na selva de concreto
Da o sorriso falso
Vai roubar o seu teto
É bicho asqueroso
É bicho do Mato
Lá na selva o rei já morreu
Matei pra ver sangue escorrer
Aqui no concreto eu sou Deus
Aqui no concreto o rei sou eu

É bicho que come mato
É bicho que come irmão
É bicho que caga na cidade
E pixa os muros da construção
É bicho que comete estupro
É bicho que quer ser Deus
É bicho que comete todo tipo de abuso
É bicho que não sabe ouvir não
É bicho estúpido
É bicho de gente
É bicho que usa terno feito de assassinato
É bicho que rouba pão
É bicho nojento
É bicho rastejante
É bicho que queima sua casa
Mata seu pai
Estupra sua mãe
Sequestra sua irmã
A onça tem medo do bicho
Que mora na selva de concreto
Da o sorriso falso
Vai roubar o seu teto
É bicho asqueroso
É bicho do Mato
Lá na selva o rei já morreu
Matei pra ver sangue escorrer
Aqui no concreto eu sou Deus
Aqui no concreto o rei sou eu

segunda-feira, 23 de maio de 2016

O cheiro de cigarro fica no seu cabelo emaranhado
Eu emaranho com as mãos
E ce me beija com essa boca de fumaça paraguaia
E eu gosto
Gosto quando você me embrulha com as pernas
Me abraça com teu corpo quente
Me envolve nesse verão que é a sua alma
Ensolarando minhas curvas com as suas mãos

sexta-feira, 20 de maio de 2016

não peça-me pra ficar
se não tem a intenção de me amar
se eu não for teu céu
e teu luar
eu levarei meus ventos
e farei soprar
o meu amor em outro lugar
Aí eu chego e cê me enrola nas pernas e eu me perco. Não sei mais onde eu começo e onde você termina. Aí cê me beija o pescoço e me deixa arrepiada. Ainda me pergunta se eu gosto só de meter contigo ou se eu realmente gosto de você. Te conheci na segunda e na terça já te gosto. E muito. Desses olhinhos que me seguem pelo quarto e não me dizem nada até que eu diga. Dessa sua voz, que me canta um Caetano que é pra eu aprender. Eu gostei porque achei que o som da sua voz combina com a minha. Aí cê acaba comigo, me deixa dolorida, sem ar e me deita nesse peito quente, que me amorna nesse inverno gélido. Eu gosto de dividir o cigarro sentada em cima de você que posso te olhar de perto e te deixar acanhado quando digo que cê é muito bonito. Mas é mesmo. Cê sabe que eu não ando muito bem da cabeça e que uma das únicas coisas que anda me deixando feliz nesses dias é quando eu posso encostar a cabeça na sua e só parar por um instante. Sei que eu não devo porque quando cê for embora eu fico só. Mas até lá é tempo. Cê ouve minhas dores e eu as tuas e fica tudo bem. Desde segunda-feira, anda tudo muito bem. Aí eu vou embora, e se eu voltar, tenho a certeza que cê vai me prender no meio das pernas e beijos pra eu ficar.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

que coisa engraçada
foi ter te encontrado
numa fria segunda
de inverno
e que coisa estranha
foi ter te beijado
e logo assim
me entregado
à esse seu sorriso
de menino perdido
que logo me desatou as roupas
e fez nossos corpos fundidos
à essa fria terça
de inverno
mas que coisa louca
foi ter me apaixonado
nessa quarta-feira
enquanto cantavámos cazuza
fechando e abrindo a geladeira a noite inteira
que coisa bonita foi
eu ter pousado os olhos em você
e desde então, não consigo mais me ocupar
e quando a gente se encontra
todo esse inverno se faz veranizar
desde que pousei os olhos em você
eu não consigo mais esquecer
os beijos que ficam marcados
e os sorrisos perdidos
em tão pouco tempo
já te enxergo muito
e me deixo levar
por esse seu jeito
discutindo comigo
porque eu não gosto de raul
e nem de gritaria nenhuma
se não for da minha voz no seu ouvido

essa aí eu não sei cantar
mas se você quiser ficar
por aqui
eu vou decorar

terça-feira, 17 de maio de 2016

ce me olha com esses olhos de mar
e eu nunca sei dizer se quer me fuder
ou quer me matar

cê me percorre com essas mãos
e eu não sei diferenciar
se quer me sufocar ou se quer me amar

cê me penetra com esses lábios
e eu já não sei se eu quero me afastar
se eu quero me entregar
faz tanto tempo
que alguém não me toca
verdadeiramente
dentre as pernas.
faz tanto tempo
desde que alguém não me rasga
inteira
e me arranca os cabelos.
faz tanto tempo
desde que eu não tenho escoriações
de transas violentas
e o cansaço de ter tido muito
e querer mais
faz tanto tempo
que eu esqueci
como é que é ter as pernas meladas
de mel
por toda a parte
não tem mais unhas nas minhas costas
não tem mais mãos nas minhas coxas
nem risos sufocados pelo prazer
faz tanto tempo
desde que não me falta o ar
no peito
desde que não me contorço
expulsando os demônios dentro de mim
faz tanto tempo
que minha boca é seca
e a minha buceta deságua
faz tanto tempo
e eu não me lembro mais
como é que é ser despeçada
por tanto meter

segunda-feira, 16 de maio de 2016

hoje teve tempestade elétrica
e eu não vi acontecer
esses trovões todos me são uma lembrança
de como eu me sentia ao ver você
eu moro na terra do nunca
onde nunca meu coração é partido
nunca eu volto pra casa
nunca eu olho pra trás
e todo o meu mundo é inventado 

eu moro na terra do nunca
onde eu nunca vejo o amanhã chegar 
nem a madrugada cair
nem o choro desatar

eu moro na terra do nunca
onde nunca tem ninguém pra me salvar
e meu medo da velhice se faz aflorar
eu moro sozinha
na terra do nunca 
me fazendo criança pra não me matar 

sábado, 14 de maio de 2016

ninguém vai ter a paciência
de terminar esse poema
que eu fiz juntando toda minha decadência
enquanto observo sua partida.
era melhor a dois
quando éramos nós
mas cê foi pra ver o mundo
cê foi pra ver o que é que há
além dos meus braços queimados
que te querem em um amor profundo
e puro.
era melhor a dois
quando éramos nós
jogando o coração na amarelinha
brincando de amor de mentirinha
eu tinha tanto medo
de ficar sozinha
e fiquei
sempre fui
enquanto aguardo o teu retorno
talvez eu devesse partir também
e ir me procurar nos braços de outrém
como eu sei que você faz
no meio dos álcoois
no meio dos lençóis
que não são os meus
talvez eu devesse ir embora
e me procurar nos cortes,
nas cicatrizes
das guerras que eu travei
comigo
enquanto te amava
enquanto não me encontrava
dentro to teu peito
quando você residia no meu
queria que você me amasse
como eu amo você

era melhor a dois
quando éramos nós

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Meu cadáver decomposto só começou a feder agora. As unhas estão ali, intactas, com esmalte comido. Sou eu, né. Quando viva eu mesma comia meus dedos por ansiedade. Quando viva, eu não fedia isso tudo. Eu lembro de quando ficava feliz ao ver o sol e de quando eu pensava que tudo é mais alto à noite. Conspirava por amores irreais e contos de fadas. Afinal de contas nunca senti a ervilha debaixo do colchão. Quando viva, não era especial. Quem sabe era agradável. No mínimo agradável. Eu acho. Me olhando agora não me reconheço muito. Perdi as pintinhas do rosto. Alguma larva comeu, provavelmente. Vida que segue. Não vi luz nenhuma mas também não há escuridão. Eu só to aqui observando a minha carne podre. Quando viva, me sentia doente. Ainda sinto. Às vezes tento voltar pro meu corpo e sinto as larvinhas beliscando o meu couro putrefato. Decadente, de fato, sempre fui. Até meu cadáver é vulgar. Só queria uma porcaria de incenso pra jogar nessa vala, ver se esse cheiro de boêmia estragada passa. Quando viva, eu bebia muito. Agora conhaque não me faz mais efeito. Quando viva eu não sentia muita coisa.

Quando viva eu já estava morta.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

O frio da madrugada me assusta. Não trouxe agasalhos suficiente, como é de praxe. Me fazer sozinha entre a barulheira da rua também não é novidade. Acabou o seu dia. Eu não quero conversar. Eu quero ir pra casa. Já tá muito tarde pra ir sozinha, então eu espero. Espero o que? Você não volta logo. Eu só to aqui, como sempre estive. Eu e meu coração de vidro, como me disseram. Continua a quebrar e eu continuo a remendar porque a minha sina é amar por demais. É medo? É desamor? Enquanto cantam por aqui eu deságuo. Costumava ser calor por aqui, sabe. Eu caí na voragem do mar. Eu caí no meu abrigo. A minha tempestade me desabrigou. Quando você volta? Você não vai mais voltar. Faz geada por aqui. Faz geada em mim. O coração é de vidro. Eu sou de vidro. Já dizia que não precisa de medo de me magoar porque eu sempre me refaço. Mas hoje eu vou deixar o frio me carregar. Eu não quero conversar. Eu quero ir pra casa.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

a vida
te dá do bom e do melhor
e justo quando você se sente bem
ela vai tomar
tudo o que é seu
te deixando com as duas mãos livres
pra montar o nó da corda
com a qual você vai se matar
e quando você estiver morrendo pendurado
a corda vai arrebentar

quinta-feira, 5 de maio de 2016

hoje a minha amiga me perguntou
por que é que continuam partindo meu coração
coração de vidro
que já tem tanto durex
que eu não sei como é que bate
e ama
tanto
você
a cada pulsar

e os cacos me percorrem
e me cortam
porque o coração é de vidro
e coisas de vidros não são feitas pra durar

Eu não sou essa que a tua voz chama. Esse não é meu nome. Não sou essa que você procura. Eu estive aqui e criei raízes no concreto feio e sujo. Plantei as minhas flores, que morreram. Eu não sou essa que teus olhos enxergam. Me enxergaram alguma vez? Porque eu enxerguei você. Eu te vi. E te amei. E te amo. Mas esse que você chama não sou eu. Eu não peço pra ficar. Eu peço pra ir.

se eu pudesse voltar
eu me encontraria
ainda pequena
e diria:
"criança, não leia fantasias
largue esses brinquedos
e vá estudar.
quando você crescer
não vão se importar
se você tem um coração bom
cheio de amor pra dar.
quando você for maior
vão querer saber até quanto você sabe contar
e até quanto você consegue acumular
porque aqui onde eu moro
é só isso que é importante
é só isso que vai valer.
então guarde as ervilhas
esconda-as nos vinte colchões
não pegue as rosas vermelhas
de um jardim que não é teu;
e não confies em nada que brilhe demais
nem em pessoas demasiadamente pequenas
criança, vá estudar
e comece logo a guardar
tudo que é belo e importante
dentro do peito
porque se souberem que você sabe amar
eles vão te esmagar.
eles não leem poemas
eles não ouvirão o que você tem a falar
se você não souber acumular
vai ter de voltar no tempo
pra se avisar
do perigo que é
confiar demais"
eu poderia ser sido
quem sabe
astrofísica
e arqueóloga
e eu queria ter sido
oceanógrafa
e remexer
no fundo do mar
eu poderia ter sido
uma ótima matemática
e poderia ter sabido
quanto que é que o x.
mas eu não sei
porque eu não soube decidir
o que ser
e me tornei
perita,
expert,
PHD
em derrotas.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Procurei a porta pra sair desse quarto escuro que me prende todos os dias. Não tem janela, não tem nem sequer uma luz. Eu não sei quanto tempo faz que eu to aqui ou que dia que é hoje. Que dia é hoje? Eu tentei escrever alguns poemas, mas escrever no escuro não parece sensato. O que é sensato? Não tenho o que comer, então provei meus dedos. Como é que eu vou escrever agora? Não tinha gosto. Nada mais tem gosto. Não sinto mais cheiro nenhum além do meu próprio fedor de putrefação. Cade a porta? Não sei se tem como fugir de mim mesma. Não sei se eu tenho como escapar dessa nojeira que é o meu ser. Guardo rancor, guardo mágoa e espalho o meu amor. Deve ser disso que a minha carne é feita. De resto. Eu sou um resto. Cadê a porta?

sábado, 30 de abril de 2016

meu pai tem razão
quando diz que
ninguém vai aguentar
ficar perto dessa menina
que todo dia só faz chorar
e noite após noite
só faz sangrar
os pulsos
e que toda manhã
se cobre em autopiedade
durante a tarde
finge felicidade
eles todos tinham razão
em dizer que não é fácil
ficar perto de mim
quando tiro sarro da depressão
enquanto choro
pelo meu sarcasmo
dolorido
que mói
mas eu juro que eu tento
um sorriso
pra você
ficar por perto
e não desistir
e não fugir
de mim
se você quer mesmo saber
eu vou te dizer
que é como se meu corpo
expulsasse a minh'alma
a cada suspiro
eu te digo
que é como se eu me afogasse
em todas os choros que eu guardei
por ter medo de chorar
e nunca mais parar
se você quer tanto entender,
eu posso explicar
que é como se quem me olhasse
no espelho
não fosse eu
eu posso tentar te mostrar
que a dor que eu carrego
não é nada de fora
mas tudo de dentro
do meu peito
moído

eu posso tentar
eu juro
que eu posso

sexta-feira, 29 de abril de 2016

a omissão
é um silêncio gritante
que berra
em meus ouvidos
que se fazem surdos
à toda indiscrição
que cobre seus olhos
ante aos meus
quando eu finjo não saber
sobre as coisas
mais estúpidas
que eu sei, você não vai dizer
e quando eu te olhar
como quem sabe que a mentira
está escondida
também não vou revelar
que eu sei
sobre o segredo
que você não quer me contar.

no final
de tanto não falar
eu e você
vamos ser o quê?
se não
dois estranhos, cheios de segredos
lotados de vazio
e omissão

terça-feira, 26 de abril de 2016

dentro do espelho
eu me liquefaço
em números menores
mais lisos
menos sorrisos
mais coloridos
mais compridos
e quando eu saio
eu me desfaço
porque eu nunca sou
o que era pra eu ser
sempre uma versão
diferente
de alguém
e nunca
de mim
queria escrever um poema
sobre a minha perspicácia
em sempre caçoar
de alguém estúpido
que sempre acha
que eu sou legal
com elogios irônicos
e parabéns sarcásticos
enquanto sorrio na maldade
fumando meu cigarro
rindo da sua burrice
que faz brilhar nos seus olhos
ingênuos
e burros.

não é que eu me sinta
melhor do que os outros
eu só gosto de aproveitar
que nem sempre a esperteza
vem acompanhada da beleza
e nem sempre o seu mestrado
te impede de ser
um idiota alienado

segunda-feira, 25 de abril de 2016

queria sentir todo dia
a paz que eu sinto
quando eu acordo
e te olho

seus olhos se abrem
e a gente ri
com sono demais
damos as mãos
falamos sobre amor
e voltamos a dormir
nesse eterno ciclo
de despertar
te amar
e adormecer
de mãos dadas
com você

uso sempre algo seu
algum amuleto sem significado
que me deu
numa esquina bêbado
como se fosse me proteger
me distrair
de todo esse amor infundado,
esse amor desvairado
como se fosse me ocupar
a cabeça
de pensar
em toda essa distância
que me impede
todo dia
de te amar
tão loucamente

sábado, 23 de abril de 2016

queria estar
entre tuas pernas
enlaçada em seu corpo
abraçando sua alma
enquanto beijo a sua boca
e me apaixono cada vez mais
pelas suas carícias
e a cada toque
deixo transparecer
todo o meu insano amor
por você

quarta-feira, 20 de abril de 2016

a minha vontade
é achar um martelo
e usá-lo na sua linda cabeça
bater tantocom tanta forçaque você vai virar sopae só aí eu vou te perdoarpor toda merda que você feztoda a dor que me causou
vou te dar pra porco comer
e quando esse porco cagar
uma vez na sua vida
você vai ser verdadeira

quando estiver como vono

por demais, amar a mais

amor demais 
amor a mais 
que eu tenho 
dentro de mim 
amor que queima 
me falta o ar 
dentro do peito
porque eu amo demais 
me derrete 
me exalta 
e por fim me mata 
o meu amor a mais 
e quando eu já for flor 
enterrada no chão 
eu vivo mais uma vez 
por causa do seu amor
no carro, ouvindo pearl
quando bate aquela saudade
e eu queria tanto te dizer
todas essas coisas
bem água com açúcar
porque eu não tinha outro jeito de falar
se eu abria a boca
me faltava todo o ar
e eu ficava toda nervosa
toda vez que você segurava na minha mão
e todo dia, antes de dormir
e toda manhã, ao acordar
eu te via
e eu só queria desabar
em você
todo o amor que eu sentia
mas não tinha a menor coragem
de falar
que não tem um instante
sequer
não tem um momento
que eu não consiga
não te amar

terça-feira, 19 de abril de 2016

eu guardei
algumas risadas
piadas
sem graça
e durante o dia
assuntos interessantes
e fofocas bobas
citações
e situações
que eu me desastrei
e perdi a hora
eu me fiz prometer
que ia lembrar
de tudo que me aconteceu
pra quando anoitecer
eu ter uma desculpinha
esfarrapada
pra gente
conversar
sobre tudo o que eu guardei
no meu dia
pra você

segunda-feira, 18 de abril de 2016

sexta-feira, 15 de abril de 2016

maldita dependência

quando você se vai eu esvazio
e o silêncio que a gente dividia 
ecoa ao meu redormas quando você vem
eu enchente
e transbordo
e a minha quietude
orquestra
ele me penetra com os olhos
e viola a minha alma
de tanto que me enxerga
de tanto que me seca
meu rapaz
me circunda com os dedos
me segura a mão
de tanto que eu tenho medo
de tanta paixão.
quando ele vai embora
ficam vestígios desse amor
pela casa inteira
de tanto que me morde
de tanto que me fode
a cabeça
dum jeito que eu me perdi
nesse menino
e eu acho que não tem mais volta
porque quando ele me olha
e a minha alma ele viola
eu quero é ficar
por ali
pra ele me amar
até quando
ele cansar
de me encarar

terça-feira, 12 de abril de 2016

deitada na cama
de manhã
ao acordar
eu sinto
olhos semiabertos
pulso fraco
o peito aberto
em sangue
e vermes
os lobos ceiam em mim
matando toda a minha mínima
estúpida
ridícula
vontade de viver

segunda-feira, 11 de abril de 2016

não é por nada não
mas eu preciso te dizer
tudo o que eu já disse antes
com meus poemas de treze anos
carregados de paixão boba
sorriso ao vento
e o coração apertado
de saudade
dos seus cachinhos
entre os meus dedos
e sua meia risada
colada com a minha
num beijo bem mais ou menos
melhor casal é a gente
que não sabe o que fazer
só sabe fumar
beber
e se amar
até a overdose chegar
até a realidade bater
eu quero continuar
até logo mais
até amanhecer

domingo, 10 de abril de 2016

Te olhando meu coração aperta de saudade. Eu sei que você nem foi, mas eu já ando em desatino sem sua presença. Eu desatino com você. Ontem à noite fiquei te observando sobre as estrelas, que pareciam estar tão perto. Não estavam. As estrelas desabavam enquanto conversávamos sobre qualquer coisa que não fizesse sentido, chorando de rir e esvaindo de paixão. Teus olhos, menino. Quem lê algo meu já sabe que eu gosto deles. Uma das coisas que eu mais gosto é acordar e ver você por perto. Não precisa ser do meu lado porque tá um calor do diabo, mas, só por perto. Perto o suficiente pra eu ver o teu sorrisinho de bom dia. Eu amo você desse jeito. Embrigado, drogado, sóbrio e chato. Eu te amo de todos os jeitos que existem e vou inventar outros jeitos. É demais, cê não tem ideia. Cê nem imagina quanto tempo eu perco me encontrando em você. Me serve a cerveja porque já sabe que eu quero beber e me traga o cigarro quando eu não quero te dar. Me dá beijo quando eu tô dando risada e me abraça quando fico emburrada. Eu te amo desse jeito louco, desse jeito suado, desse jeito perdido. Dessa coisa que é só nossa e de mais ninguém. Dessa bolha que a gente criou onde nada faz sentido, tudo é hilário. Tudo nosso é tesão, é paixão. É calor, é frio. Eu te amo desse jeito, do jeito que você é. Caído na sarjeta ou no meu colo. Eu durmo na rua com você. Eu durmo onde for com você. É você. De qualquer jeito é você que eu quero. Você nem foi ainda e eu já to despedaçada de amor. Você vai, mas você volta pra gente se apertar e continuar se amando desse jeito. Desse nosso jeito.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

eu queria ser a tua musa
todo dia, toda hora
e bater os olhos na tua poesia
e saber que ela é minha
do mesmo jeito que eu te olho
e já sei
que todo meu amor
é pra você

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Tem essa besteirinha que a gente faz quando ainda quer ter esperança na vida. Cê compra o maço de cigarro, abre, e o primeiro cigarro que você pegar você põe de novo no maço ao contrário. É o cigarro do desejo. Ai quando ce for fumar o famigerado, você faz um desejo. Passei o dia todo com vontade de fumar mas estava esperando a hora do bar. Chegou. Fui ao bar. Abri o cigarro. Virei o cigarro. Fumei outro. Até aí tudo bem. Eis que me aparece aquele cara que em todo role está sem cigarro e vai fumando o maço dos outros. Ofereci um pra ele. O cara fumou, agradeceu e a noite passa. Hora de ir embora, de pegar o metrô, e eu só pensando no desejo que eu vou fazer. Se eu quero uma promoção no trabalho, se eu quero um sofá novo ou um carro melhor. Se eu quero me sentir bem comigo mesma, se eu quero que o rapaz da avenida me nota. Já iludida com a possibilidade infinita que eu posso fazer ao cigarrinho, abro o maço. Não tem mais o cigarro do desejo. O filha da puta, de todos os cigarros, me pega o cigarro do desejo. O meu desejo. O meu cigarro.
Comprei outro maço.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Te escrevo essa carta com a mantinha entre meus dedos. Você conhece bem, a famigerada mantinha. Suja, imunda, daquele jeito que é pra eu dormir bem e me sentir em casa. Se você estivesse aqui, eu não ia precisar desse trapo pra me sentir em casa. Eu me sinto em casa em qualquer lugar se você tiver do meu lado. Deve tá ficando banal eu te falar quase todo dia que eu gosto de você pra caralho, mas é porque eu gosto e não acho nada que substitua isso. Eu só to aqui, sentindo sua falta com aquele frio na boca do estômago porque logo mais cê vem. Vem pra cá, vem pra mim. Não pra mim, mas cê vem. Vem quando? Se quiser, tem comida e cama aqui. Tem carinho. Tem filme e série pra gente ver, se você quiser, e também tem presidente pra gente beber. Dessa vez eu me preparei. Eu tô montando a armadilha pra fazer você ficar. Vem pra cá. Cê vem?

segunda-feira, 4 de abril de 2016

na tempestade que é minha alma
me faltam palavras pra descrever
os trovões que me atormentam
pois bem, hoje as encontrei
e por meio desse poema fajuto
eu vou tentar te explicar
as nuvens que me fazem acordar
toda madrugada

tenho medo que parta
sem ao menos
olhar pra trás.
tenho medo que fique
e eu me perca
por te olhar demais
tenho medo que segure a minha mão
e tenho medo
se você quiser soltar
tenho medo que me olhe
e me enxergue tão bem
que isso faça você ir
ou que mesmo faça você ficar.
eu tenho tanto medo
é um pavor, é uma insônia, é uma fobia
eu tenho pânico ao me permitir te amar.
tão intensamente, tão descaradamente
mas é maior meu receio
ao pensar que você, um dia
pode querer juntar seus trovões
e fazer chover em outro lugar
só não pense que se você for,
a minha tempestade vai acalmar

sábado, 2 de abril de 2016

A liberdade teve um gosto amargo, um cheiro forte. Você é louca. Quando vi que não haviam mais amarras eu já não sabia andar sozinha. Você tem que se tratar. Primeiros passos, primeiras quedas. E atrás de mim estava você, me oferecendo as correntes de novo. Corri. Com todo o fôlego, com as pernas maltratadas, com as marcas no braço. Com os olhos roxos. Eu não enxergava, mas corri. Eu sou louca. Eu sou vagabunda. Isso não é coisa que se faz. Me deixa em paz. Sai com suas amigas, mas não com essa roupa. Eu faço isso porque eu te amo. Estava sozinha durante a corrida, mas haviam pessoas me esperando lá na frente. Eu vi. Vi meus amigos, limpando as minhas feridas de amor. Eu queria voltar. Eu queria voltar e me amarrar de novo. Eu vou morrer sozinha. Ninguém vai me amar. Eu sou não sou tão bonita. Me amarra! Eu não sou tão esperta. Me prende! Eu não sei se te amo. Me bate!

Eu sou inamável
Me solta.
Eu sonhei com você. Sonhei que me vasculhava as pernas, me provando e me deixando sem ar. Tuas mãos circundavam meus seios enquanto procuravam as minhas. Precisávamos arrumar os lençóis. Enquanto eu gemia, teus olhos de deboche encontraram os meus. E sorriu. Seu cabelo entre minhas pernas, tuas mãos nas minhas enquanto te puxo pra mim. E eu, como se não estivesse apaixonada ou já toda molhada, torrenciei. Sai daí. Eu quero te beijar. Eu quero te machucar, te arranhar, eu quero gritar no seu ouvido o quanto eu gosto de você. Eu quero gemer paixão, eu quero penetrar fundo na sua alma pra você nunca mais me esquecer. Eu quero ter marcas desse amor. Pode morder. Pode acabar comigo.
Me desfaz.
Me fode.
Me ama.

queria sempre ficar
nesses segundos antes de desligar
em que eu sempre quero tanto escutar
você quase dormindo, a respiração devagar
e eu apaixonada, sorrindo pro celular

quinta-feira, 31 de março de 2016

Dessa vez, eu vou guardar. Eu não vou dizer, eu não vou chamar pra sair. Tão idiota esse jogo! Mas eu queria te falar. Não quero jogar, eu não quero brincar. Eu quero te abraçar, encostar meu rosto no seu e ficar até anoitecer. Até amanhã ser. Eu não quero fingir. Mas eu sempre sou a primeira a demonstrar, a desmoronar. Eu sempre sou a primeira a me apaixonar. A desabrochar de amor, a despetalar de saudade imensa dos seus olhinhos de deboche. Mas dessa vez, eu vou guardar. Tão idiota o jogo! Mas eu não quero mentir. Eu quero você, mas eu não vou dizer. Depois eu sempre sou a primeira a chorar, a primeira a se machucar, a primeira a secar.
Eu não vou dizer! Me recuso a admitir que eu amo você. Dessa vez, eu não vou falar.
Mas tão estúpido esse jogo...

terça-feira, 29 de março de 2016

Nada mais faz sentido. Nem mesmo. Eu só to aqui. O que dói - e se dói - é que é isso o que eu faço. Eu só existo, ali, naquele momento, naquele lugar, naquele amontoado de gente dizendo o quanto eu sou legal.
Por que você não aparece sempre?
Eu não quero mais acordar. Para o meu êxtase, todo dia eu continuo acordando. Descobri que formicida mata. Coloquei no café. Passei mal. Não morri. Continuei acordando.
Por que você não fica mais um pouco?
Eu não quero mais conversar, meu amor. Eu não quero ouvir você falando do seu ex estúpido. Eu não quero saber quem você beijou. Com quem você vai transar. Eu quero ir pra minha casa, chorar e dormir enquanto eu vomito tudo o que eu bebi. Eu não quero ser sua amiga. Eu não quero saber da sua vida. Eu malemá quero saber da minha.


Mas você já vai embora?
Eu queria ir, mas eu vou ficar.
Me passa a cerveja, por favor?
Eu quero mais amor
Já passou da hora, já é tarde demais
Me passa o seu número, por favor?
Eu não quero acordar
Já é manhã, já é hora de trabalhar
Me da licença, senhor?
Eu quero conversar
Já é tarde, já é hora de voltar
Me perdoa a grosseria, amor
Eu quero sentar e chorar
Já é noite, já é hora de dormir
Quando essa dor vai passar?

segunda-feira, 28 de março de 2016

Se eu sou cigana e não há trupe que me faça cantar
Como é que você e teus anéis me fizeram dançar?
Eu vou de casa em casa fazendo da rua o meu lar
Balançando as saias e os cabelos no ar
Vendendo meu amor à quem quiser comprar
Eu vou de boca em boca me fazendo excitar
Deixando quem quiser tentar me fazer extasiar
Não há paraíso que me faça morar
Não há beijos que me façam amar
Não há silêncio que me impeça de dançar
Eu sou cigana quando danço na luz do luar
Eu sou cigana quando não me faço apaixonar
Mas se eu sou cigana e não há poema que me faça chorar,
Como é que você e teus lábios me fizeram desaguar?
Se eu sou cigana e não tenho lugar pra pousar
Como é que teus olhos me fizeram ficar?

sábado, 26 de março de 2016

eu vou decorar o meu vazio
pôr flores na janela
um tapete no chão
um incenso pra queimar
pra ver se eu consigo disfarçar
a dor da minha solidão

sexta-feira, 25 de março de 2016

eu só queria poder dormir
sem antes imaginar
todos os começos e fins que eu vou estragar
eu só queria poder descansar
sem imaginar todas as despedidas que eu vou te dar
todas as desculpas que eu tiver
eu vou usar
eu só queria poder
ver o sol nascer sem a paranóia crescer
é hoje? é amanhã?
quando vai ser?
eu só queria poder dormir
e me descarregar
de todos esses medos e angústias inexistentes
que me deixam noites em claro
noites a delirar

quarta-feira, 23 de março de 2016

Fazer o que se é na distância que eu mais penso em você? Se é nos quilômetros que me molham as pernas, em saudade e desatino constante? Eu não tenho culpa, você vê. Me dói no corpo o desejo desvairado de amar a tua alma, de te sugar até que não tenha mais nada de você que não esteja em mim. Me queima o teu olhar, que me memoriza até que eu dê risada. Você vê, eu vou fazer o quê?
Eu espero.  Eu nem sequer quero saber o que vai acontecer, eu só quero ter você pra mim pelo tempo que quiser ficar. Depois você vai, e se quiser, volta. Ou a gente podia viajar junto. Sumir junto. Fazer a vida cigana, vê, sentados na calçada lendo os futuros incertos de gente incrédula. Aí, se você se sentir como, podemos nos perder. Perdidos na rua cheirando à rum e pinga barata. E quando cê quiser, você vai. Se não, cê fica. Mas eu nem sequer quero saber o que vai acontecer, que por enquanto, tudo que eu quero é ficar perto de você.

terça-feira, 8 de março de 2016

gosto quando encontro você
na forma de borboletas azuis
que chegam tão perto
mas nunca vem a pousar
gosto quando encontro você
na forma de bem te vis
que ficam no muro encarando
enquanto eu estou a chorar
gosto quando encontro você
na forma de uma ventania
que veio tão forte
e não me deixou fumar
gosto quando encontro você
em uma flor na rua
que caiu de um ipê
que nem o que a gente tinha
quando você ainda tava aqui
e eu não precisava te encontrar
em coisas que eu não posso abraçar
eu vou pra são paulo pra nunca mais voltar
eu vou de viagem, eu vou pra morrer lá
eu vou dormir na rua, não vou ter lugar pra ficar
eu vou vender meu choro pelo bar
procurando um motivo e uma razão pra respirar
vou beber conhaque e fazer par a par
vou fazer a minha tragédia sem um coro pra narrar
eu vou sentar na calçada, eu vou mendigar
eu vou contar a minha desilusão e fazer transeunte chorar
eu vou beber até não conseguir mais aguentar
eu vou mendigar amor, eu vou mendigar um lar
eu vou pra são paulo pra nunca mais voltar
eu vou numa viagem mas eu não quero morrer lá

segunda-feira, 7 de março de 2016

Eu preciso me ocupar de qualquer coisa que seja não pensar em você. Já estudei, arrumei o quarto, fiz tudo que há de ser feito e você continua em silêncio na minha mente. Meu silêncio com o teu é gostoso, mas eu sozinha faço barulho. Eu não sei ficar sozinha solitária. Eu gosto de ficar sozinha com você. Mesmo que de longe, mesmo que não seja eu, você entende. A gente se olha e a gente se entende e fica ali. Não precisamos de mais nada. Quem sabe um conhaque ou um cigarro. Mas na nossa gritaria, a gente não diz nada. E compreende.
Eu não vivo. Eu estou aqui, mas eu não vivo. Eu acordo só pra perder mais dos meus momentos. O dia é bonito, mas eu não enxergo. Eu ouço mas não escuto. Eu sinto o pesar no meu coração. O luto. Todos os dias eu estou de luto pelo dia que eu não vivi. Eu morri todos os dias. A cada segundo, a cada instante eu me desfragmento no silêncio da minha dor. Me sufoca, me exprime. E quando me falta o último suspiro, eu vivo?

quinta-feira, 3 de março de 2016

eu preencho a solidão com qualquer coisa que há de caber em minha boca
seja vinho, seja papel
seja cigarros, seja conhaque
seja você.
eu quero preencher a solidão com você
quero encher a boca, encher o copo vazio e te beber
quero te engolir, te destruir e depois te abandonar
te recolher os pedaços, te costurar
te beijar, te estragar
eu quero encher a sua boca com o meu desgosto
até você enjoar, até você não aguentar
aí eu vou procurar outra porcaria pra encher a boca.





eu continuo miserável
É um caminho longo e sinuoso, então se você quiser ir embora, tem que ir com o sol se pondo. Eu até pediria perdão por ser "demais" e ter te assustado, mas, eu não peço mais desculpas por isso. Então só me devolve as músicas que eu te dei e pode ir. Toma um cigarro pra viagem. É minister, porque sampoerna eu não dou. Leva água. Não é culpa de ninguém, sabe? É só que você é um covarde e tem medo de sentimento e eu não vou ficar me explicando pra quem não quer me conhecer. Deixa aquela jaqueta. O iluminado também. Os presentes cê fica. São presentes. Não quero de volta. Enfia no cu, então. Cê vai embora ou vai ficar? Você não sabe o que quer. Enquanto decide toma o seu caminho que eu não quero ver a sua cara. Na hora das mentiras não me amava, né? Amor é o caralho. O sol já se pôs. Tá escuro e você vai se perder e vai acabar voltando pra cá. Pega logo sua estrada. Desaparece. Pode deixar que eu não vou te procurar, pode ir. Não quero suas coisas, suas cartas. Não quero suas mentiras. E eu que sou a cretina da história... Que vá à merda, então. Sou cretina sóbria. Cretina bêbada que não divido o conhaque. Não divido nem cigarro vou dividir conhaque. Vai embora que o próximo vai vir. Não quero ver você chorar. Não quero ouvir você opinar. Cê foi amor da minha vida por ótimos 3 segundos, agora pode ir embora que eu vou escolher outro pra eu amar.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Hoje eu não consigo escrever nada. Tô com um aperto no perto, uma dor inexplicável e não consigo pôr nada pra fora. Ouvindo hoje a noite não tem luar que é pra me lembrar que não tem mesmo, antes que eu veja coisa onde não tem - que é de praxe. Lua de prata no céu é o caralho, não tem nada lá fora e nem nada aqui dentro. Eu tô sozinha. De novo. Não sei nem se eu queria estar acompanhada. Devia estar fingindo que eu não sou uma desgraçada da cabeça enquanto tô no bar enchendo o cu de cachaça que eu malemá aguento beber. Não sei nem porque tô assim, não tem motivo. O motivo deve ser que eu sou uma cretina da porra. Se nem eu aguento estar comigo, como é que qualquer outra pessoa vai querer? O que me torna suportável é o vinho. Mas aí eu entro noutro dilema escroto da minha vida: ou eu aprendo a beber ou aprendo a sofrer.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Hoje eu tentei ao meu máximo o sorriso. Tentei esticar o rosto o tanto que deu pra mostrar os dentes e fingir uma felicidade que não é real. Chove lá fora e seca aqui dentro. Às vezes eu esqueço que eu sou difícil de amar e questiono o número de pessoas ao meu redor. Zero. A culpa é minha. Mais um dia, mais uma noite e mais uma tempestade que virão e eu vou continuar na mesma. Sem ser nada. Eu não sou nada. Eu sou uma sombra. Acordo, tomo meu café, deito. Espero. Levanto, assisto aula. Dou risada. Fumo um cigarro. Deito. Nos meus sonhos sempre tem um desejo de que dure. De que perdure a ilusão e que eu não tenha que abrir os olhos no outro dia. Dói respirar, dói levantar. Dói falar o que eu sinto. Eu não sinto nada. Eu não sou nada. Eu queria sentir o calor de um colo, um beijo. Queria dormir com o cheiro de alguém na cabeça. Queria um sorriso antes de dormir e quem sabe um quando eu acordasse. Mas eu não sinto nada; eu não tenho nada. Eu sou nada.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

ferias

eu quero férias de mim e todo o meu ser
férias do meu choro até ver o parecer
quero ferias do meu corpo e férias da minha alma
quero dormir várias noites em uma tempestade  calma

quero abandono da minha vida que não tem a acrescentar
quero abono do meu amor que não tem mais lugar
quero fogueira de mim e cinzas pelo ar
quero correr de toda a dor que fez ficar

quero túmulo de flores, de canções de ninar
quero vida a preencher e não esvaziar
quero um coração completo que não vá chorar
quero de novo o que é meu, o que eu fiz matar