quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
sábado, 3 de dezembro de 2016
a tirar a minha bicicleta da chuva
que enquanto chove assim ela vai sofrer
e amanhã, se amanhecer
a ferrugem vai aparecer
alguém me ajuda
a tirar a minha bicicleta da chuva
o granizo não perdoa ninguém
muito menos quem tá esperando um alguém
vir me ajudar
a tirar a porcaria da minha bicicleta
desse inferno de chuva que não cessa,
que não pára
e que temporal todo dia dentro de mim
enquanto eu tento
sair pra poder tirar a bicicleta da chuva
pra poder fazer parar de chover
e amanhã
SE amanhecer
e parar de chover.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
terça-feira, 29 de novembro de 2016
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
pra me convidar pra sair, tomar um café
conversar sobre as coisas da vida que eu não consigo entender
ir pra tua cama me embaralhar em você
embrulhar as minhas pernas nas suas até amanhecer
mais um dia sem dormir, mais uma noite de prazer
pela porta de vidro eu espero você aparecer
me esperando pra jantar, pra sair, pra dançar
beber um vinho doce e subir nos teus pés
enquanto olhamos o céu balançar
e a lua à iluminar.
pela porta de vidro eu espero você aparecer
pra me chamar pra sair, me levar pra viver
e pela porta do seu quarto eu te olho
queria poder manter você entretido em mim
me chama pra ouvir os clássicos e cantar caetano
enquanto você me beija com um gosto de café
em algum lugar, eu penso em você
mais uma tarde no trabalho
pensando que quem sabe, cê podia aparecer.
domingo, 13 de novembro de 2016
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
sábado, 22 de outubro de 2016
e meu peito saía danificado em toda briga
e eu não percebia, eu não sabia
o que estrago que você fazia em mim
você é problemática, você fala demais
você faz tudo errado, você não serve pra nada
a culpa não era minha, por que agora é?
por que ele não me ama?
porque eu só faço coisa errada
falei no momento errado, agora eu vou escutar
minha saia era muito curta, voltei para trocar
e naquele dia que eu não queria transar
cospe aí e me deixa terminar
eu sou inamável, eu sou o problema
todo dia eu escrevo com as páginas molhadas
todo dia eu choro com a minha alma espancada
me desculpa, a culpa foi minha
ele não me ama, só quero saber o porque
e depois de todo o desabafo, eu escrevia que queria morrer
naquela época eu não sabia, eu não percebia
eu era inamável, eu era um problema
rolê com os amigos e eu não posso ir
sou mulher e falo demais, eles não querem te ouvir
minha mãe morreu e eu me sinto sozinha
talvez você devesse procurar fazer terapia
disco no telefone, ninguém me atende
eu corto os meus braços e sangro na patente
tomei muito remédio, eu só quero dormir
espero que um dia isso seja só mais uma cicatriz.
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
pela molhada estrada vermelha
repleta de galhos e folhas
- é uma vida bonita -
enquanto os pássaros cantavam
a mesma música de sempre
e a água molhava meus pés
- é uma vida bonita -
meus pulsos abertos de sangue
da mesma cor carmim
do caminho que eu sigo
- é uma vida bonita -
talvez nem sempre eu veja
e quase nunca sinta
mas ontem, enquanto pedalava
pela molhada estrada vermelha
eu vi que e a vida que eu vivo
é uma coisa bonita
sábado, 1 de outubro de 2016
me encontro pneumônica
com grande dificuldade para respirar
lembro-me enquanto inalo a fumaça
toda a minha vida passa em um estalar
e eu, vinte anos de fracassos
e mais um apenas de tosses mal cuspidas.
engasgo com o catarro branco que eu escarro
e lembro dos grandes poemas
dos grandes escritores
que foram traídos por seus pulmões.
encontro-me pneumônica
fadada a sufocar com meu pulmão a chiar.
para ter uma morte grandiosa
digna de uma poeta tuberculosa
só me falta o dom da poesia
e mais catarro para escarrar.
terça-feira, 27 de setembro de 2016
se é nesta aqui que eu vou florescer
de pernas abertas e o corpo coçando
dentro de mim nada nasceu
plantaram em mim coisas que não pedi
e desde então venho esperando
quero saber quando é que vai acontecer
me prometeram flores e não vejo nenhuma nascer
o broto que me deram eu plantei
com as minhas próprias lágrimas eu reguei
essa semente que não nasce
essa flor que não floresce
espero vinte primaveras pra ver
mas acho que não é nessa que eu vou florescer
me deram flores e me deram brotos
mas quando plantam no meu solo elas só deixam morrer
espero vinte primaveras pra ver
eu acho que eu não fui feita pra florear.
sou flor que não abre, sou semente que não brota
minha pele não é feita pra cheirar
meus olhos não são um deleite para olhar
tudo que aqui pousa, aqui morre
tudo que aqui planta, aqui não vinga
esperei vinte primaveras pra perceber
eu não sou flor de ninguém pra florescer
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
tinha culpa gigante dentro do peito
assolando a minha inocência
tenho essa culpa apodrecendo dentro de mim
essa culpa fétida, essa culpa nojenta
essa culpa por existir
essa culpa por sentir.
expurgo a culpa em poesias
e quando me deito com o sol no fim do dia
hei de ser culpada pela minha melodia
e todos os pensamentos pecaminosos
e toda a sujeira que existe dentro de mim
servirá de combustível quando me queimarem na fogueira
arrepeso
de não ter ido
de não ter ficado
de não ter me entregado à noite escura na qual eu vivo
me arrependo
de não ter bebido
de não ter fumado
de não ter tragado toda essa toxicidade que eu enxergo
me arrependo
de ter nascido
e ter vivido
tão morbidamente como ja tivesse morrido
antes mesmo de nascer neste maldito mundo
e eu, mau parido!
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
tinha esse pavor insano de te esquecer
choro as angústias que me trouxeram a loucura
as minhas cicatrizes de guerra
tornam a aparecer
os cortes e as queimaduras
tudo que eu pensei
eu supus que ia viver
tudo que era bom
tudo que era poesia.
tudo o que era eu
se perdeu
sábado, 10 de setembro de 2016
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
sexta-feira, 29 de julho de 2016
quinta-feira, 28 de julho de 2016
na face esquerda do meu rosto
e quando meus olhos lacrimejam
você levanta a palma esquerda
pra metê-la na minha face direita
a face direita é a face que você não quer ver
é a face de hécate
é a face de circe e seus vinhos
é a face do meu ódio, do meu frio
é a face que se levanta e você não reconhece
é a face direita que espanca ambas as tuas
como ousa?
como se atreve?
e num desaguar de rostos
a face direita se esconde
e a esquerda prevalece
é o anjo, é o sofrimento
é a face que choro
é a face que sofro
você não se atreva, você não virá
levantar a tua face da mão
se você paralisa com a minha face de medusa
você não se atreva, você não viria
levantar a palma da mão.
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Fazem exatas vinte semanas. Vinte semanas desde que fomos embora um do outro. Talvez eu tenha ido embora, visto que você já tinha ido fazia tempo. Como você está? Espero que esteja dando tudo certo. Espero que você esteja melhor de saúde e que esteja fumando menos. Enfim. Eu não queria chegar à esse ponto que cheguei, mas estou aqui. Estou aqui, mais uma vez, me humilhando com o peito aberto. Não quero mais o seu amor, se é isso que pensa. Não quero tampouco seus beijos ou seus carinhos. Eu quero conversa. Não conversas obrigatórias, mas, eu vi isso aqui e lembrei de você. Eu tenho a plena consciência de que tudo acabou e que tudo se desfez e que isso já tem tempo. Repetindo - não quero seu amor. Mas eu quero que você saiba que eu existo. Eu existo hoje e existi enquanto estava em teus braços. Eu continuo existindo embora você finja que não. Mesmo que finja que meu olhar não encontrou com o seu e que minhas canções não chegaram aos teus ouvidos. Eu existo, mesmo que você não se dê ao trabalho de trocar uma só palavra comigo. Aliás, eu retiro o que eu disse anteriormente. Eu não estou me humilhando. Eu sou corajosa. Eu estou aqui, mais uma vez, pedindo um mínimo de consideração de um ex amante. Não quero amizade. Não quero intimidade. Quero que você me olhe nos olhos e acene. Não sei se isso dói em você, ou se você simplesmente se sente indiferente para comigo. Mas amadureça. Olhe nos meus olhos e tenha a certeza: eu existo e vou continuar existindo. Não existo pra você, existo por mim.
segunda-feira, 25 de julho de 2016
domingo, 24 de julho de 2016
foi o que eu perguntei
da última vez que te amo
da última vez que te amei
quando é que você vem?
foi o que eu quis saber
a hora e o dia exato
que eu ia ter você
quando é que você vem?
foi o que você me respondeu
antes de entrar no ônibus
logo depois que se perdeu.
quando é que você vem?
foi o que eu perguntei
da última vez que te vi
da última vez que chorei.
quando é que você vem?
sexta-feira, 22 de julho de 2016
agachada num canto de uma rua qualquer
como há de chegar o dia em que não derrubarei cigarros
que caem, coincidentemente, em poças atrás de carros
e há de chegar a noite em que não vou discar o seu número
na tela do celular.
há de chegar o dia que eu não sentirei saudades suas
e não chorarei pelos cigarros molhados de mijo.
sábado, 16 de julho de 2016
segunda-feira, 11 de julho de 2016
quinta-feira, 7 de julho de 2016
quarta-feira, 6 de julho de 2016
sexta-feira, 1 de julho de 2016
que não acabaram
segunda-feira, 27 de junho de 2016
domingo, 26 de junho de 2016
não quero te magoar
quarta-feira, 22 de junho de 2016
segunda-feira, 20 de junho de 2016
quinta-feira, 16 de junho de 2016
quarta-feira, 15 de junho de 2016
terça-feira, 14 de junho de 2016
do momento correto
pra vida acontecer
não iríamos a lugar nenhum
porque nesse mundo
não tem a melhor hora
pra deus matar a minha mãe
ou pra me deixar desempregada
ou pra me deixar sozinha
desamparada
não tem a melhor hora pro sofrimento acontecer
nem a melhor hora pra uma nova vida nascer
mas eu acho
que não é o momento
e nem a hora certa
de me permitir esperar
pela hora
momento
pessoa
e o amor certo
quinta-feira, 9 de junho de 2016
tenho feito de mim
a presidenta da luxúria
com meias-calças rasgadas
com as pernas defloradas
desde que tomo conhaque
tenho feito de mim
a ministra da auto-satisfação
em um relacionamento sério
com a minha própria mão
desde tomo conhaque
tenho feito de mim
a deputada da putaria
arranhando meu próprio corpo
transando com o gole dentro do copo
desde que tomo presidente
tenho feito de mim
a minha dona, a minha escrava
vou ter quando eu quiser
com quem eu escolher
presidente da minha buceta
quando eu abrir as pernas,
cê vai ver escorrer
e quando eu deságuo...
abriu, vai ter de beber
sábado, 4 de junho de 2016
Eu não explico a imensidão
Que somos nós
Quando nos encontramos
Por frações de segundos
Em tão profunda paixão.
Em um único verso
Eu não explico quão pequena é
A distância entre nós.
Em um único verso
Eu não explico
Quão maravilhoso é
Poder dividir o mesmo momento
A mesma contagem do tempo
Com você.
Em um único verso
Eu não explico que
Nós somos o universo
E daqui continuaremos.
Tomara que tenhamos a sorte
que tivemos
De nos encontrar
Em outro único verso
De um outro poema.
sexta-feira, 3 de junho de 2016
trovoada que não cessa
chuva que não perdoa
ácido que cai
enquanto meu corpo chora
hei de ser um temporal
vou molhar as tuas terras
inundar as tuas mãos
de tanto que dilúvio
de tanto que sinto.
hei de ser um furacão
quando o vento corre
e assovia teu nome
em meu ouvido
e as casas voam
e tudo é destruído
pela natureza selvagem
que sou eu
hei de ser terremoto
quando tudo que toco
é desfeito pelo chão
hei de ser a estiagem
que congela seu coração
quando tudo eu já tiver tomado
quando tudo eu já tiver destruído
hei de ser tudo aquilo que mata
quando for o tempo de florescer
quinta-feira, 2 de junho de 2016
simbiose
quando meu corpo encontra o dele
e os seus olhos penetram os meus
e seu peito quente veraniza meus seios
e eu deságuo em suas mãos
que me possui, me toma
me perco
me encontro
em desatino profundo
e imersa
no ser dele
que é luz
e ilumina a minha escuridão
eu sou inverno, ele é verão
e faz chover em meus vales
florescer minhas mãos
causando os nós de seus cabelos
e eu transcendo
de amor e tesão
no meu menino de verão
quarta-feira, 1 de junho de 2016
esse menino
me engole quando ninguém vê
me fode com os dedos
e eu viro acessório
quando ele me pendura
e acaba comigo
com toda a ternura
que é possível ter
esse menino
me rasga sem perceber
e me ferve o corpo todo
quando começa a me tocar
e quando eu fico a gemer
esse menino me faz apaixonar
esse menino
me enche de poesias durante o dia
durante a tarde me toca como se fosse violão
e durante à noite me jura amor
enquanto eu queimo de paixão
terça-feira, 31 de maio de 2016
pergunta
se eu to bem
se to comendo direito
se to estudando
pergunta
se eu to feliz
se eu to conseguindo
viver um dia após o outro
pergunta
como as coisas estão
pergunta do meu pai
dos meus cachorros
dos livros que eu to lendo
pergunta qualquer merda
manda uma música, porra
eu me queimei
eu me cortei
eu só queria conversar
pergunta alguma coisa
qualquer coisa
só não me abandona
só não desaparece
segunda-feira, 30 de maio de 2016
sexta-feira, 27 de maio de 2016
Poderia ter sido eu
Que teve o ventre rasgado
Mutilado
Por animais excitados
Poderia ter sido eu
Que teve o sangue derramado
O rosto marcado
E as pernas arreganhadas
Por homem desalmado
Poderia ter sido eu
Que teve o consciente roubado
Por trinta homens famintos
Será que fizeram rotação
De quanto em quanto tempo
Fariam um novo arrastão?
Poderia ter sido eu
Eu só quero ir pra casa
E meu pai não para de chorar
Poderia ter sido eu
Que teve a vida roubada
Entendeu ou não entendeu?
Poderia ter sido eu
quinta-feira, 26 de maio de 2016
terça-feira, 24 de maio de 2016
É bicho que come mato
É bicho que come irmão
É bicho que caga na cidade
E pixa os muros da construção
É bicho que comete estupro
É bicho que quer ser Deus
É bicho que comete todo tipo de abuso
É bicho que não sabe ouvir não
É bicho estúpido
É bicho de gente
É bicho que usa terno feito de assassinato
É bicho que rouba pão
É bicho nojento
É bicho rastejante
É bicho que queima sua casa
Mata seu pai
Estupra sua mãe
Sequestra sua irmã
A onça tem medo do bicho
Que mora na selva de concreto
Da o sorriso falso
Vai roubar o seu teto
É bicho asqueroso
É bicho do Mato
Lá na selva o rei já morreu
Matei pra ver sangue escorrer
Aqui no concreto eu sou Deus
Aqui no concreto o rei sou eu
É bicho que come mato
É bicho que come irmão
É bicho que caga na cidade
E pixa os muros da construção
É bicho que comete estupro
É bicho que quer ser Deus
É bicho que comete todo tipo de abuso
É bicho que não sabe ouvir não
É bicho estúpido
É bicho de gente
É bicho que usa terno feito de assassinato
É bicho que rouba pão
É bicho nojento
É bicho rastejante
É bicho que queima sua casa
Mata seu pai
Estupra sua mãe
Sequestra sua irmã
A onça tem medo do bicho
Que mora na selva de concreto
Da o sorriso falso
Vai roubar o seu teto
É bicho asqueroso
É bicho do Mato
Lá na selva o rei já morreu
Matei pra ver sangue escorrer
Aqui no concreto eu sou Deus
Aqui no concreto o rei sou eu
segunda-feira, 23 de maio de 2016
sexta-feira, 20 de maio de 2016
quinta-feira, 19 de maio de 2016
foi ter te encontrado
numa fria segunda
de inverno
e que coisa estranha
foi ter te beijado
e logo assim
me entregado
à esse seu sorriso
de menino perdido
que logo me desatou as roupas
e fez nossos corpos fundidos
à essa fria terça
de inverno
mas que coisa louca
foi ter me apaixonado
nessa quarta-feira
enquanto cantavámos cazuza
fechando e abrindo a geladeira a noite inteira
que coisa bonita foi
eu ter pousado os olhos em você
e desde então, não consigo mais me ocupar
e quando a gente se encontra
todo esse inverno se faz veranizar
eu não consigo mais esquecer
os beijos que ficam marcados
e os sorrisos perdidos
em tão pouco tempo
já te enxergo muito
e me deixo levar
por esse seu jeito
discutindo comigo
porque eu não gosto de raul
e nem de gritaria nenhuma
se não for da minha voz no seu ouvido
essa aí eu não sei cantar
mas se você quiser ficar
por aqui
eu vou decorar
terça-feira, 17 de maio de 2016
que alguém não me toca
verdadeiramente
dentre as pernas.
faz tanto tempo
desde que alguém não me rasga
inteira
e me arranca os cabelos.
faz tanto tempo
desde que eu não tenho escoriações
de transas violentas
e o cansaço de ter tido muito
e querer mais
faz tanto tempo
que eu esqueci
como é que é ter as pernas meladas
de mel
por toda a parte
não tem mais unhas nas minhas costas
não tem mais mãos nas minhas coxas
nem risos sufocados pelo prazer
faz tanto tempo
desde que não me falta o ar
no peito
desde que não me contorço
expulsando os demônios dentro de mim
faz tanto tempo
que minha boca é seca
e a minha buceta deságua
faz tanto tempo
e eu não me lembro mais
como é que é ser despeçada
por tanto meter
segunda-feira, 16 de maio de 2016
na terra do nunca
sábado, 14 de maio de 2016
de terminar esse poema
que eu fiz juntando toda minha decadência
enquanto observo sua partida.
era melhor a dois
quando éramos nós
mas cê foi pra ver o mundo
cê foi pra ver o que é que há
além dos meus braços queimados
que te querem em um amor profundo
e puro.
era melhor a dois
quando éramos nós
jogando o coração na amarelinha
brincando de amor de mentirinha
eu tinha tanto medo
de ficar sozinha
e fiquei
sempre fui
enquanto aguardo o teu retorno
talvez eu devesse partir também
e ir me procurar nos braços de outrém
como eu sei que você faz
no meio dos álcoois
no meio dos lençóis
que não são os meus
talvez eu devesse ir embora
e me procurar nos cortes,
nas cicatrizes
das guerras que eu travei
comigo
enquanto te amava
enquanto não me encontrava
dentro to teu peito
quando você residia no meu
queria que você me amasse
como eu amo você
era melhor a dois
quando éramos nós
quinta-feira, 12 de maio de 2016
Quando viva eu já estava morta.
quarta-feira, 11 de maio de 2016
terça-feira, 10 de maio de 2016
segunda-feira, 9 de maio de 2016
quinta-feira, 5 de maio de 2016
Eu não sou essa que a tua voz chama. Esse não é meu nome. Não sou essa que você procura. Eu estive aqui e criei raízes no concreto feio e sujo. Plantei as minhas flores, que morreram. Eu não sou essa que teus olhos enxergam. Me enxergaram alguma vez? Porque eu enxerguei você. Eu te vi. E te amei. E te amo. Mas esse que você chama não sou eu. Eu não peço pra ficar. Eu peço pra ir.
eu me encontraria
ainda pequena
e diria:
"criança, não leia fantasias
largue esses brinquedos
e vá estudar.
quando você crescer
não vão se importar
se você tem um coração bom
cheio de amor pra dar.
quando você for maior
vão querer saber até quanto você sabe contar
e até quanto você consegue acumular
porque aqui onde eu moro
é só isso que é importante
é só isso que vai valer.
então guarde as ervilhas
esconda-as nos vinte colchões
não pegue as rosas vermelhas
de um jardim que não é teu;
e não confies em nada que brilhe demais
nem em pessoas demasiadamente pequenas
criança, vá estudar
e comece logo a guardar
tudo que é belo e importante
dentro do peito
porque se souberem que você sabe amar
eles vão te esmagar.
eles não leem poemas
eles não ouvirão o que você tem a falar
se você não souber acumular
vai ter de voltar no tempo
pra se avisar
do perigo que é
confiar demais"
terça-feira, 3 de maio de 2016
Procurei a porta pra sair desse quarto escuro que me prende todos os dias. Não tem janela, não tem nem sequer uma luz. Eu não sei quanto tempo faz que eu to aqui ou que dia que é hoje. Que dia é hoje? Eu tentei escrever alguns poemas, mas escrever no escuro não parece sensato. O que é sensato? Não tenho o que comer, então provei meus dedos. Como é que eu vou escrever agora? Não tinha gosto. Nada mais tem gosto. Não sinto mais cheiro nenhum além do meu próprio fedor de putrefação. Cade a porta? Não sei se tem como fugir de mim mesma. Não sei se eu tenho como escapar dessa nojeira que é o meu ser. Guardo rancor, guardo mágoa e espalho o meu amor. Deve ser disso que a minha carne é feita. De resto. Eu sou um resto. Cadê a porta?
sábado, 30 de abril de 2016
quando diz que
ninguém vai aguentar
ficar perto dessa menina
que todo dia só faz chorar
e noite após noite
só faz sangrar
os pulsos
e que toda manhã
se cobre em autopiedade
durante a tarde
finge felicidade
eles todos tinham razão
em dizer que não é fácil
ficar perto de mim
quando tiro sarro da depressão
enquanto choro
pelo meu sarcasmo
dolorido
que mói
mas eu juro que eu tento
um sorriso
pra você
ficar por perto
e não desistir
e não fugir
de mim
eu vou te dizer
que é como se meu corpo
expulsasse a minh'alma
a cada suspiro
eu te digo
que é como se eu me afogasse
em todas os choros que eu guardei
por ter medo de chorar
e nunca mais parar
se você quer tanto entender,
eu posso explicar
que é como se quem me olhasse
no espelho
não fosse eu
eu posso tentar te mostrar
que a dor que eu carrego
não é nada de fora
mas tudo de dentro
do meu peito
moído
eu posso tentar
eu juro
que eu posso
sexta-feira, 29 de abril de 2016
é um silêncio gritante
que berra
em meus ouvidos
que se fazem surdos
à toda indiscrição
que cobre seus olhos
ante aos meus
quando eu finjo não saber
sobre as coisas
mais estúpidas
que eu sei, você não vai dizer
e quando eu te olhar
como quem sabe que a mentira
está escondida
também não vou revelar
que eu sei
sobre o segredo
que você não quer me contar.
no final
de tanto não falar
eu e você
vamos ser o quê?
se não
dois estranhos, cheios de segredos
lotados de vazio
e omissão
terça-feira, 26 de abril de 2016
sobre a minha perspicácia
em sempre caçoar
de alguém estúpido
que sempre acha
que eu sou legal
com elogios irônicos
e parabéns sarcásticos
enquanto sorrio na maldade
fumando meu cigarro
rindo da sua burrice
que faz brilhar nos seus olhos
ingênuos
e burros.
não é que eu me sinta
melhor do que os outros
eu só gosto de aproveitar
que nem sempre a esperteza
vem acompanhada da beleza
e nem sempre o seu mestrado
te impede de ser
um idiota alienado
segunda-feira, 25 de abril de 2016
sábado, 23 de abril de 2016
quarta-feira, 20 de abril de 2016
e usá-lo na sua linda cabeça
bater tantocom tanta forçaque você vai virar sopae só aí eu vou te perdoarpor toda merda que você feztoda a dor que me causou
vou te dar pra porco comer
e quando esse porco cagar
uma vez na sua vida
você vai ser verdadeira
por demais, amar a mais
amor a mais
que eu tenho
dentro de mim
amor que queima
me falta o ar
dentro do peito
porque eu amo demais
me derrete
me exalta
e por fim me mata
o meu amor a mais
e quando eu já for flor
enterrada no chão
eu vivo mais uma vez
por causa do seu amor
quando bate aquela saudade
e eu queria tanto te dizer
todas essas coisas
bem água com açúcar
porque eu não tinha outro jeito de falar
se eu abria a boca
me faltava todo o ar
e eu ficava toda nervosa
toda vez que você segurava na minha mão
e todo dia, antes de dormir
e toda manhã, ao acordar
eu te via
e eu só queria desabar
em você
todo o amor que eu sentia
mas não tinha a menor coragem
de falar
que não tem um instante
sequer
não tem um momento
que eu não consiga
não te amar
terça-feira, 19 de abril de 2016
algumas risadas
piadas
sem graça
e durante o dia
assuntos interessantes
e fofocas bobas
citações
e situações
que eu me desastrei
e perdi a hora
eu me fiz prometer
que ia lembrar
de tudo que me aconteceu
pra quando anoitecer
eu ter uma desculpinha
esfarrapada
pra gente
conversar
sobre tudo o que eu guardei
no meu dia
pra você
segunda-feira, 18 de abril de 2016
sexta-feira, 15 de abril de 2016
maldita dependência
e o silêncio que a gente dividia
ecoa ao meu redormas quando você vem
e transbordo
e a minha quietude
orquestra
e viola a minha alma
de tanto que me enxerga
de tanto que me seca
meu rapaz
me circunda com os dedos
me segura a mão
de tanto que eu tenho medo
de tanta paixão.
quando ele vai embora
ficam vestígios desse amor
pela casa inteira
de tanto que me morde
de tanto que me fode
a cabeça
dum jeito que eu me perdi
nesse menino
e eu acho que não tem mais volta
porque quando ele me olha
e a minha alma ele viola
eu quero é ficar
por ali
pra ele me amar
até quando
ele cansar
de me encarar
terça-feira, 12 de abril de 2016
segunda-feira, 11 de abril de 2016
mas eu preciso te dizer
tudo o que eu já disse antes
com meus poemas de treze anos
carregados de paixão boba
sorriso ao vento
e o coração apertado
de saudade
dos seus cachinhos
entre os meus dedos
e sua meia risada
colada com a minha
num beijo bem mais ou menos
melhor casal é a gente
que não sabe o que fazer
só sabe fumar
beber
e se amar
até a overdose chegar
até a realidade bater
eu quero continuar
até logo mais
até amanhecer
domingo, 10 de abril de 2016
sexta-feira, 8 de abril de 2016
quarta-feira, 6 de abril de 2016
terça-feira, 5 de abril de 2016
segunda-feira, 4 de abril de 2016
me faltam palavras pra descrever
os trovões que me atormentam
pois bem, hoje as encontrei
e por meio desse poema fajuto
eu vou tentar te explicar
as nuvens que me fazem acordar
toda madrugada
sem ao menos
olhar pra trás.
tenho medo que fique
e eu me perca
por te olhar demais
tenho medo que segure a minha mão
e tenho medo
se você quiser soltar
tenho medo que me olhe
e me enxergue tão bem
que isso faça você ir
ou que mesmo faça você ficar.
eu tenho tanto medo
é um pavor, é uma insônia, é uma fobia
eu tenho pânico ao me permitir te amar.
tão intensamente, tão descaradamente
mas é maior meu receio
ao pensar que você, um dia
pode querer juntar seus trovões
e fazer chover em outro lugar
só não pense que se você for,
a minha tempestade vai acalmar
sábado, 2 de abril de 2016
Eu sou inamável
Me solta.
Me desfaz.
Me fode.
Me ama.
quinta-feira, 31 de março de 2016
Eu não vou dizer! Me recuso a admitir que eu amo você. Dessa vez, eu não vou falar.
Mas tão estúpido esse jogo...
terça-feira, 29 de março de 2016
Por que você não aparece sempre?
Eu não quero mais acordar. Para o meu êxtase, todo dia eu continuo acordando. Descobri que formicida mata. Coloquei no café. Passei mal. Não morri. Continuei acordando.
Por que você não fica mais um pouco?
Eu não quero mais conversar, meu amor. Eu não quero ouvir você falando do seu ex estúpido. Eu não quero saber quem você beijou. Com quem você vai transar. Eu quero ir pra minha casa, chorar e dormir enquanto eu vomito tudo o que eu bebi. Eu não quero ser sua amiga. Eu não quero saber da sua vida. Eu malemá quero saber da minha.
Mas você já vai embora?
Eu queria ir, mas eu vou ficar.
Eu quero mais amor
Já passou da hora, já é tarde demais
Me passa o seu número, por favor?
Eu não quero acordar
Já é manhã, já é hora de trabalhar
Me da licença, senhor?
Eu quero conversar
Já é tarde, já é hora de voltar
Me perdoa a grosseria, amor
Eu quero sentar e chorar
Já é noite, já é hora de dormir
Quando essa dor vai passar?
segunda-feira, 28 de março de 2016
Como é que você e teus anéis me fizeram dançar?
Eu vou de casa em casa fazendo da rua o meu lar
Balançando as saias e os cabelos no ar
Vendendo meu amor à quem quiser comprar
Eu vou de boca em boca me fazendo excitar
Deixando quem quiser tentar me fazer extasiar
Não há paraíso que me faça morar
Não há beijos que me façam amar
Não há silêncio que me impeça de dançar
Eu sou cigana quando danço na luz do luar
Eu sou cigana quando não me faço apaixonar
Mas se eu sou cigana e não há poema que me faça chorar,
Como é que você e teus lábios me fizeram desaguar?
Se eu sou cigana e não tenho lugar pra pousar
Como é que teus olhos me fizeram ficar?
sábado, 26 de março de 2016
sexta-feira, 25 de março de 2016
eu só queria poder dormir
sem antes imaginar
todos os começos e fins que eu vou estragar
eu só queria poder descansar
sem imaginar todas as despedidas que eu vou te dar
todas as desculpas que eu tiver
eu vou usar
eu só queria poder
ver o sol nascer sem a paranóia crescer
é hoje? é amanhã?
quando vai ser?
eu só queria poder dormir
e me descarregar
de todos esses medos e angústias inexistentes
que me deixam noites em claro
noites a delirar
quinta-feira, 24 de março de 2016
quarta-feira, 23 de março de 2016
Eu espero. Eu nem sequer quero saber o que vai acontecer, eu só quero ter você pra mim pelo tempo que quiser ficar. Depois você vai, e se quiser, volta. Ou a gente podia viajar junto. Sumir junto. Fazer a vida cigana, vê, sentados na calçada lendo os futuros incertos de gente incrédula. Aí, se você se sentir como, podemos nos perder. Perdidos na rua cheirando à rum e pinga barata. E quando cê quiser, você vai. Se não, cê fica. Mas eu nem sequer quero saber o que vai acontecer, que por enquanto, tudo que eu quero é ficar perto de você.
terça-feira, 8 de março de 2016
na forma de borboletas azuis
que chegam tão perto
mas nunca vem a pousar
na forma de bem te vis
que ficam no muro encarando
enquanto eu estou a chorar
na forma de uma ventania
que veio tão forte
e não me deixou fumar
em uma flor na rua
que caiu de um ipê
que nem o que a gente tinha
quando você ainda tava aqui
e eu não precisava te encontrar
em coisas que eu não posso abraçar
eu vou de viagem, eu vou pra morrer lá
eu vou dormir na rua, não vou ter lugar pra ficar
eu vou vender meu choro pelo bar
procurando um motivo e uma razão pra respirar
vou beber conhaque e fazer par a par
vou fazer a minha tragédia sem um coro pra narrar
eu vou sentar na calçada, eu vou mendigar
eu vou contar a minha desilusão e fazer transeunte chorar
eu vou mendigar amor, eu vou mendigar um lar
eu vou pra são paulo pra nunca mais voltar
eu vou numa viagem mas eu não quero morrer lá
segunda-feira, 7 de março de 2016
quinta-feira, 3 de março de 2016
seja vinho, seja papel
seja cigarros, seja conhaque
eu quero preencher a solidão com você
quero encher a boca, encher o copo vazio e te beber
quero te engolir, te destruir e depois te abandonar
te recolher os pedaços, te costurar
te beijar, te estragar
eu quero encher a sua boca com o meu desgosto
até você enjoar, até você não aguentar
quarta-feira, 2 de março de 2016
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
ferias
eu quero férias de mim e todo o meu ser
férias do meu choro até ver o parecer
quero ferias do meu corpo e férias da minha alma
quero dormir várias noites em uma tempestade calma
quero abandono da minha vida que não tem a acrescentar
quero abono do meu amor que não tem mais lugar
quero fogueira de mim e cinzas pelo ar
quero correr de toda a dor que fez ficar
quero túmulo de flores, de canções de ninar
quero vida a preencher e não esvaziar
quero um coração completo que não vá chorar
quero de novo o que é meu, o que eu fiz matar