Se eu tou cheirando pinga é porque eu tava bebendo.
Parei pra pensar esses dias que eu nunca vi o oceano do lado de lá. Nunca vi o sol se pôr no mar e isso me deixou um tanto quanto triste. Mas sabe, é que ultimamente tudo vem me deixando um tanto quanto triste. Todas essas partidas e todas essas pessoas que nunca ficaram e que colocaram a culpa em mim - você é difícil demais, você é intensa demais. Talvez eu seja. É bem provável que eu seja. O problema é que eu não quero ter por perto gente que tem medo de ver o mar do lado de lá. Do outro lado, sabe? E eu quero ver. E quero ver o oceano e todos os outros que tiver pra eu ver. Quero ver tudo que há para ser visto e até o que não der pra enxergar. Eu enxergo todo mundo e não tô ligando muito se as pessoas me enxergam. Vida que segue, eu tô aqui. Enchendo a minha cara de pinga por mais um dia na semana que é pra ver se essa solidão - não solidão, mas se estar sozinha - não passa. Veja bem: o que me dói não é estar sozinha, até porque eu sempre estive e isso nunca me foi um problema. O que me dói é falar e falar e falar e ninguém realmente escutar. Quando eu te digo sobre as coisas do céu e as coisas da terra que me fazem ter medo, cê acha que é demais. As pessoas geralmente ficam impressionadas com essas pirações. Eu sou a maior aventura que eu conheço e eu gosto de gente que não tem medo - até porque eu tenho medo demais. Quiçá. Quiçá porra nenhuma. A verdade é que eu tava pedalando e pensei que poderia usar a palavra quiçá num texto meu, mas quiçá que eu nem sei como encaixar quiçá nesse devaneio sobre as dores da minha vida e o oceano do lado de lá. Falei pro meu pai que eu queria ver o oceano do lado de lá e ele falou "é, quem sabe um dia a gente vá pro Peru". É, pai, Peru. Eu não sei de muita coisa da vida mas sei muita coisa de sentimento e eu sei que eu sinto muito. Sei que eu já aguentei tanta porrada nessa vida e eu vivi tão pouco pra tudo isso de chute na cara que eu levei. Eu sou um mulherão da porra. Eu sou a melhor companhia que eu tenho e é por isso que eu escrevo. Escrevo pr'eu ler e pensar que um dia, eu vou ver o oceano do lá e que eu não vou querer estar com ninguém além de mim. Eu, que me aguentei durante tantos surtos e crises existenciais que eu nem sei contar. Se eu citar mutantes é porque eu tou ouvindo e eu acho que o refrigerador de todo mundo não funciona.
Mas pois é. Quem sabe, quando eu arrumar o meu refrigerador e ver tudo em tecnicolor eu possa ir até o outro lado pra ver o sol se pôr do lado de lá. Quiçá.
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