Procurei a porta pra sair desse quarto escuro que me prende todos os dias. Não tem janela, não tem nem sequer uma luz. Eu não sei quanto tempo faz que eu to aqui ou que dia que é hoje. Que dia é hoje? Eu tentei escrever alguns poemas, mas escrever no escuro não parece sensato. O que é sensato? Não tenho o que comer, então provei meus dedos. Como é que eu vou escrever agora? Não tinha gosto. Nada mais tem gosto. Não sinto mais cheiro nenhum além do meu próprio fedor de putrefação. Cade a porta? Não sei se tem como fugir de mim mesma. Não sei se eu tenho como escapar dessa nojeira que é o meu ser. Guardo rancor, guardo mágoa e espalho o meu amor. Deve ser disso que a minha carne é feita. De resto. Eu sou um resto. Cadê a porta?
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