Tem essa besteirinha que a gente faz quando ainda quer ter esperança na vida. Cê compra o maço de cigarro, abre, e o primeiro cigarro que você pegar você põe de novo no maço ao contrário. É o cigarro do desejo. Ai quando ce for fumar o famigerado, você faz um desejo. Passei o dia todo com vontade de fumar mas estava esperando a hora do bar. Chegou. Fui ao bar. Abri o cigarro. Virei o cigarro. Fumei outro. Até aí tudo bem. Eis que me aparece aquele cara que em todo role está sem cigarro e vai fumando o maço dos outros. Ofereci um pra ele. O cara fumou, agradeceu e a noite passa. Hora de ir embora, de pegar o metrô, e eu só pensando no desejo que eu vou fazer. Se eu quero uma promoção no trabalho, se eu quero um sofá novo ou um carro melhor. Se eu quero me sentir bem comigo mesma, se eu quero que o rapaz da avenida me nota. Já iludida com a possibilidade infinita que eu posso fazer ao cigarrinho, abro o maço. Não tem mais o cigarro do desejo. O filha da puta, de todos os cigarros, me pega o cigarro do desejo. O meu desejo. O meu cigarro.
Comprei outro maço.
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