O frio da madrugada me assusta. Não trouxe agasalhos suficiente, como é de praxe. Me fazer sozinha entre a barulheira da rua também não é novidade. Acabou o seu dia. Eu não quero conversar. Eu quero ir pra casa. Já tá muito tarde pra ir sozinha, então eu espero. Espero o que? Você não volta logo. Eu só to aqui, como sempre estive. Eu e meu coração de vidro, como me disseram. Continua a quebrar e eu continuo a remendar porque a minha sina é amar por demais. É medo? É desamor? Enquanto cantam por aqui eu deságuo. Costumava ser calor por aqui, sabe. Eu caí na voragem do mar. Eu caí no meu abrigo. A minha tempestade me desabrigou. Quando você volta? Você não vai mais voltar. Faz geada por aqui. Faz geada em mim. O coração é de vidro. Eu sou de vidro. Já dizia que não precisa de medo de me magoar porque eu sempre me refaço. Mas hoje eu vou deixar o frio me carregar. Eu não quero conversar. Eu quero ir pra casa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário