mesmo que eu diga que não sinto nada, tenho mentido
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
mesmo que eu diga que não sinto nada, tenho mentido
quinta-feira, 24 de outubro de 2019
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
eu não digo nada porque dói no meu coração
mas dentro da sua bolha, realmente, você nunca ia me estender a mão
vocês pedem a minha palavra e sempre duvidam de antemão
depois sentem falta da minha voz quando eu estou no caixão.
nesse mundo eu só tenho a minha palavra pra ser ouvida e validada
mas vocês não me ouvem e eu fico como sou, um invisível, um nada.
sábado, 21 de setembro de 2019
eu tenho tantas coisas pra falar pra você e eu sempre fui boa com as palavras
mas dói tanto no meu coração lembrar da sua voz que eu não consigo dizer nada
sinto falta das nossas cores, formando a nossa aquarela
nosso amor tão bonito, você não quis ficar
não sei não era hora, talvez a culpa tenha sido minha
você desperta tanta coisa dentro de mim, e eu nunca consigo te encontrar
e quando encontro nunca consigo dizer nada...
sexta-feira, 13 de setembro de 2019
até nos meus sonhos eu continuo tentando te encontrar....
quarta-feira, 21 de agosto de 2019
ultimamente tenho feito presente muita dor na minha poesia
mas é o que eu sinto, e eu prometi que não mentiria
como também prometi pra minha mãe que viveria.
tenho me encontrado com dificuldades de levantar da cama,
às vezes eu me sinto sozinha e só queria ouvir que alguém me ama
mas não posso pedir amor
porque amor não se pede.
amor não se mendiga.
sei que não estou só, eu vejo várias pessoas se dizendo irmãos
mas nenhum deles têm me dado a palma estendida da mão.
eu sei que cada um têm seus problemas, e eu não quero fazer nenhum tipo de cena
isso não é uma carta de despedida, nem um poema de partida
mas eu morro todo dia, pouco a pouco porque me mato de um jeito sujo
pouco a pouco porque eu já não tenho mais vontade nenhuma de viver
mas finjo que ainda tenho, pra não pesar nas costas de ninguém
porque eu sei que se eu morrer, todo mundo vai ter algo a dizer
sobre mim
sobre a minha pessoa
sobre quem eu era
sobre o que eu gostava
e todas as flores que serão postas em cima do meu caixão, todas elas podiam ter sido entregues na minha mão...
mas não
tantos pedidos de socorro que eu já nem sei mais contar
eu não quero dó
eu não quero piedade
eu não quero nada de quem não é de verdade.
as pessoas sempre têm algo muito interessante a dizer sobre você
quando elas não te conhecem muito bem, mas fingem conhecer
e eu sempre fui de tantas palavras, me mantenho na escassez
o silêncio é meu único amigo, que não fugiu nenhuma vez
o céu hoje estava azul e o dia ensolarado
mas foi mais um desses dias que eu precisei de alguém
e não tinha ninguém ao meu lado.
terça-feira, 20 de agosto de 2019
cada verso era pra ser um progresso, mas eu vou mais pro fundo
fumaça no céu e meus versos no ar, bronquite coletiva e ninguém consegue respirar
as palavras são pesadas, ninguém nunca consegue se acostumar e nem digerir
a fartura da minha poesia é uma ceia da qual você nunca vai participar
não têm estômago pra me aguentar, mas pra matar cê têm e os que foram não vão mais vir
a fogueira santa queimou todos os pecados e eu tenho a certeza de que cristo não vai ressurgir
eu nunca tive medo de morrer, por isso cavo minha cova e me ponho pra deitar
o mundo em chamas, acendo um cigarro no fogo e fico a observar
eu sou o meu próprio apocalipse, eu sou o meu próprio fim
eu sou a lua de encontro a sol, um eclipse, porque a dualidade sempre fez parte de mim
mas a escassez gera fome, e quem tem fome come?
a não ser que não tenha alimento, o que sacia pode estar cheio de veneno
não gosta do calor, mas vive no deserto, gritando ao vento e à poeira, ouvindo o seu próprio eco
o ego gritando, ninguém escuta nada
palavras molhadas de lágrimas e ninguém escuta nada
sol de encontro com a lua, a tarde aqui escureceu
engasguei com minha própria imensidão,
o apocalipse sou eu
quinta-feira, 8 de agosto de 2019
certos olhares ainda me paralisam
como me paralisaram da primeira vez que me olharam
e eu fiquei como estou agora
trêmula,
sem lembrar como respirar
sem saber o que dizer
mesmo não tendo que dizer nada.
esse pouco tempo que você me olhou
e eu te olhei
e nos vimos.
podem se passar anos
e eu ainda vou paralisar
do mesmo jeito que eu paralisei
da primeira vez que você mirou teus olhos em mim
segunda-feira, 29 de julho de 2019
porque ultimamente na minha vida ta faltando bastante emoção
eu tomo tanto remédio que eu fico anestesiada
me da saudade de ter o coração partido por casos de uma noitada
ou mesmo de se estar apaixonada
e sentir as borboletas no estômago se mexer tanto que eu ficaria até enjoada
e beijos que deixam a gente trêmula, porque você sabe que é a última vez
mas queria que fosse a primeira
porque eu não choro mais, nem rio mais, nem me sinto feliz
porque eu basicamente não sinto nada
nem mesmo a raiva, que era um sentimento que me abastecia
me movia
em direção ao abismo, mas pelo menos eu estaria me movimentando
pra algum lugar
porque isso sempre foi tão dramático, tão cinematográfico
com uma música triste pra acompanhar a solidão
e eu sempre fui uma romântica incurável
embora não pareça ser
e queria sentir coisas que abalam o meu chão
dessas coisas que faz a gente querer chorar no busão...
sexta-feira, 5 de julho de 2019
acho que eu não tenho nada planejado pra minha vida
porque eu nunca planejei viver tanto
planejava doses suicidas de álcool envoltas em amianto,
cianureto derretendo minha boca pra compensar o vazio que eu sinto por dentro.
cortes rasos que na verdade nem me fizeram sangrar,
as feridas são muito mais fundas do que eu posso administrar
é por isso que nada que eu faço é pra chamar atenção,
eu vivo minha morte com uma estranha paixão.
não quero ser mórbida e nem assustar ninguém,
eu sei que a maioria usa a própria mente pra se fazer de refém
mas eu já escapei da minha prisão, por isso falo sobre suicídio com tanta convicção.
não é como se eu fosse amanhecer morta,
veja bem,
eu tenho a coragem de uma porta e a única coisa mais próxima que eu faço de me derrotar
é bebendo meu fígado afora em dias de semana
dando pra desconhecido pensando que ele vai dizer que me ama
drogas a fundo eu me afundo e o mar nesse dia estava tempestuoso
me disseram que no fim da chuva viria um dia glorioso.
nunca vi chegar.
só a solidão, todo dia, que ninguém nunca consegue reparar.
saio de bicicleta almejando ser atropelada,
se eu morrer assim talvez depois não vá me sentir culpada
se parar pra ver até que os remédios tratam da minha mania,
mas a minha perversidade continua em ironia
juntamente com esse sentimento
me sinto perdida porque nunca planejei nada
até porque eu não achava que nesse ponto ainda estaria viva...
terça-feira, 2 de julho de 2019
o que a menção do seu nome faz no meu corpo
às vezes eu ouço o seu nome
mesmo não sendo o seu nome, podendo ser o no e de outro alguém
e meu corpo se arrepia
do topo da minha cabeça
até meus dedinhos dos pés.
às vezes eu passo por lugares que você esteve
e lembro do seu sorriso gentil
e do seu abraço quente
que eu sempre achei que fosse feito pra mim
e meu corpo adormece nessa sensação
que era estar rodeada de você.
às vezes eu me sinto tão perdida
que queria só encontrar você
porque com você eu nunca senti medo
nem aflição
e nem dor
nem mesmo quando você resolveu partir
nem mesmo quando você resolveu ficar
e não quis.
mas as vezes eu lembro de você
e meu corpo inteiro lembra também
e meus olhos se enchem de lágrimas
porque você foi o amor da minha vida
mas a vida é muito mais que viver um amor
é muito mais do que deixar o cigarro queimar sozinho porque eu comecei a te beijar.
às vezes quando me lembro de você
eu arrepio da cabeça aos pés...
quarta-feira, 26 de junho de 2019
mundo
se meu mundo eu que aprenda a levantar
já que quando eu caí,
só tinha dedo pra apontar
tinha medo da minha própria sombra
nunca sabe quando ela resolve te apunhalar
pelas costas, o mundo cobra
o verso dobra e eu continuo sem respirar
ja quis acabar com a minha própria vida
mas as feridas não me deixaram movimentar
cê me pergunta porque é que eu carrego tanta solidão
é porque na hora de falar de suicídio some tudo os irmão
é mais fácil levar flores e remorso pra um caixão
do que levanta a bunda e mostra gratidão
a mão que afaga é a mesma que apedreja
então eu sigo com minhas faces todo dia na incerteza
será que eu hoje é o dia da minha morte?
mais um dia que eu vivi e eu tô chamando isso de sorte
vozes na minha cabeça, não tem com quem falar
tanto remédio que meu corpo começa a se desintegrar
já me chamaram de louca e de perturbada
essas falas que me derrubam não servem de nada.
um buraco fundo no meu peito que ninguém soube cavar,
tava tão no escuro que ninguém soube me achar
é por isso que eu escrevo pra quem ta assim
saber que isso não é o fim
lagrimas escorrem do meu rosto e eu nao sei porque
mais um dia lutando com a morte, os cortes não me deixam esquecer
quinta-feira, 6 de junho de 2019
porque só o silêncio canta a dor que eu sinto.
traição é confiar e amar um homem cujas mãos eram sujas ao me tocar,
arrancando minha roupa sem pedir ou ao menos perguntar
e eu não soube falar não porque eu queria ser amada.
traição é estar um pouco mais alcoolizada e se ver completamente paralisada
esperma seco no corpo, e eu não me lembro de nada
fiquei em silêncio durante tanto tempo porque não queria perceber que eu era mais uma
mais uma dessas que foi rasgada e se tornou nenhuma.
traição é a mentira, é a confusão
é a negação que eu me coloquei durante tanto tempo e eu não tinha ninguém pra conversar
eu me tornei vazia, oca sem nada por dentro além da invasão
as marcas na minha alma se tornaram a minha confissão.
não me olhava no espelho pelo medo da aparição
eu não sou o suficiente, por isso que levam o que eu tinha na contenção.
eu sou suja, eu sou quebrada
nem cinco banhos tiravam a sensação de estar encrostada
de sujeira de alguém que não era eu
mas mesmo assim se achou no direito de roubar o que era meu.
e eu achei que fosse esquecer, que eu fosse relevar
mas agora tudo dói tanto que eu preciso falar
eu sou só minha e de mais ninguém
hoje o espelho me abraça quando não tenho mais ninguém
a cicatriz que eu carrego não está mais no meu corpo
mas a raiva e a mágoa que eu sinto vão muito mais além do que eu posso explicar
esse poema não supre o oco que ficou.
carta de amor
às vezes acorda e a gente sabe que se sente sozinha.
uns te chamam de puta, enquanto cê ta na labuta 10 horas por dia
mão na cabeça rezando prum deus que num sabe se é ou não invenção
misericórdia, mãe, da nossa nação.
tomando vinho às nove da manhã
pensando em comidas chiques, tipo marzipan
que eu nunca vou comer, nunca experimentei
não tenho o dom e nem a paciência pra cozinhar,
só pra explanar e brigar.
tão cansada de homens mas tava precisando transar
só que com esses saco de lixo não dá nem pra encostar
"você tá tão estressada vem aqui pra relaxar".
se tu fala que não o cara começa a te humilhar
tu é feia mesmo, eu nem queria te comer
e daí vem aquela reflexão, que eu não queria ter não
mas tantos anos de humilhação não fogem do meu coração
queria ser mais bonita, queria ser mais delicada
queria ser mais gostosa, queria ser mais magra.
puts, mas pra quê?
pra um cara vir aqui e tentar me explicar
tudo aquilo que eu mesma ja tentei ensinar
jogar todas as minhas ideias e a minha arte no chão?
e ainda passar um pano por cima alegando que era paixão
paixão eu tenho pela voz das minha mina,
que segura minha mão e nunca deixou solta
as vezes tem desavença sim mas a gente sempre torna a se acerta.
quanto a esses macho reclamando que não quer batalhar com mina
relaxa, na roda a gente solta um pouco pra você poder ganhar
nossa treta é aqui fora
fala demais, hype demais e pouco faz
fica esperto que a gente não tá deixando passar
se levanta a voz pra mim eu vo fazer calar
se levantar a mão pra mim eu vo arrancar
uma vez na sua vida respeita tua mãe e ouve o que outra mulher tem pra falar
nossa treta mal começou, tamo tudo cansada dessa baboseira mas a gente não vai parar
mulheres no topo do mundo, onde que é o nosso lugar
domingo, 2 de junho de 2019
cena de crime? adulterado, galo no bolso implantado de algum inocente
que era crente em deus, mas deus ta dormindo e dessa vez não foi acordado
minha terra tem palmeiras onde reina o cárcere privado
detento sujo sem dinheiro odiado pelo país inteiro
foi pego roubando o leite em pó, mas a gente sabe, pó aqui só se for pra ser cheirado
e o mais bandido de todos é aclamado e chamado de senhor presidente
policial é aplaudido de herói na nação, coitado de quem gritar que marielle esta presente
nunca esqueçamos, ela foi assassinada
pau brasil sangra pela terra vermelha de sangue, mulheres que sangram
machucadas e abandonadas sem dinheiro pra sustentar os filhos que o invasor fez gerar
mas não, não pode matar
só as crianças na rua, morrendo de frio com seus cachorros abraçados
inverno é glamoroso pra quem têm os casacos de pele importado.
o novo deus é uma arma de fogo, o crime passa impune
muitos morrem mas o importante é cantar sobre din e ter autotune
corrente de ouro no pescoço, a peça no bolso e a carreira esticada
quando cabral chegou confundiu o tropical com o paraíso
terra que foi abandonada por todos os deuses e só a violência faz reinar
deus e o diabo estavam na terra do sol, mas deus foi embora e agora é um inferno particular
nativo queimado vivo, fogueira santa mas nessa missa não teve ninguém pra rezar
cocares espalhados no chão, não têm mais mata pra explorar
ao mesmo tempo que eu quero me matar eu quero ficar pra lutar
só que a árvore da vida cresceu e foi abandonada
os braços esticados tal como cristo foi crucificado
a árvore do meu país carrega o sangue de um povo assassinado
quarta-feira, 29 de maio de 2019
de um romance não vivido
meia calça rasgada nos dentes
de uma paixão não consumada
coturno rasgado na sola do pé,
que deixou entrar água da chuva
dedos doce na boca
mão quente na nuca.
quando comecei a fumar e não imaginava os danos ao meu pulmão,
saia curta esvoaçada
franja mal cortada
saindo do bar carregada.
eu nunca soube beber
e também nunca soube lidar com essa saudade interrompida de você.
já me tornei mil pessoas diferentes
mas sempre a mesma incompetente
quando se trata de te esquecer
domingo, 26 de maio de 2019
uso o ofá que meu pai me deu e atiro minhas flechas,
minhas rimas, meus versos
em tudo que dói dentro de mim.
às vezes é preciso de um pouco de força,
porque o que me prende não é visível
nem mesmo sensível.
eu vou à guerra porque eu quero poder amar
e ser intensa, e não ter medo de me apegar.
eu vou à guerra porque eu tenho um medo terrível de dizer
e não ser ouvida
e minhas palavras de amor serem perdidas no vento.
eu vou à guerra porque eu quero poder estudar
quando minha mente estiver mais estável,
e o conhecimento estiver palpável,
eu quero poder ler e escrever
sobre essa história que vivemos hoje.
sempre que eu escrevo eu sinto que eu vou á guerra
e vou sozinha, porque ninguém há de me acompanhar
a guerra que eu vivo é solitária
um sentimento que nem se eu quisesse conseguiria explicar
porque a solidão de uma mente doente não tem quem faça parar
e é por isso que eu vou à guerra
porque toda vez que eu escrevo uma poesia e alguém pára pra me ouvir falar
é como se pouco a pouco eu começasse a me curar.
terça-feira, 21 de maio de 2019
mas você não me deixa outra escolha.
além de jogar fora essa rolha desse vinho suave
e esquecer o seu toque macio na minha pele seca
nossos beijos molhados de dentro do carro
e como você parecia certo pra mim quando estávamos na mata.
acendendo uma vela pro seu santo ali,
e uma pro meu aqui
nadando sem boiar,
nadando sem parar.
você que me disse que não era das águas
e eu te disse que sempre fui de me molhar.
mas eu não queria ter de esquecer você,
da sua pele quente,
do seu olhar macio sobre mim.
sempre era sol no meu quintal
porque você sempre estava a brilhar
e me esquentar.
mas logo eu que sempre fui das águas e sempre gostei de me molhar
nas minhas águas cê num quis mergulhar...
quinta-feira, 9 de maio de 2019
daí anos depois, estamos aqui, parados no mesmo lugar:
só não me tiraram a minha voz porque eu canto alto
eles que são os corretos, mas são eles que gritam assalto
- senhor, eu não tenho nada pra te dar!
o que tinha era minha educação, e mesmo assim fizeram questão de tirar
sem pesquisa não tem vacina, o que já facilita um tanto essa chacina
não tá dando nem pra comprar um pacote de feijão,
não tá dando nem pra trabalhar porque emprego não tem pra nóis não...
fica difícil de escrever uma poesia sem a caneta na mão,
até o papel eles me tiraram porque isso causa revolução
mas sinhô, eu te digo, aqui ninguém se cala!
mesmo quando abre a boca pra dizer que "racismo é coisa rara"
coisa rara é alguém sobreviver nesse sistema,
o ódio se espalhando que nem se fosse uma doença endêmica.
todo dia a gente chora com o coração na garganta,
criança não vai mais pra escola mas já pode aprender a atirar
e é tudo pro cidadão de bem, o temente a deus
- mas cara, deus tá dormindo, então é melhor cê cuidar dos seus!
como eu tô cuidando dos meus, e a gente cresce com raiva
nossa juventude agora foi envenenada
nossa revolução não é com arminha na mão,
estamos cansados de chorar por mais um no caixão
é sempre uma poesia, é sempre uma canção
pra eles lagosta e vinho branco,
pra gente só resta esse canto
um canto de igualdade, um canto de liberdade.
eu lembro que uma vez o jovem belchior se pôs a cantar:
"sempre desobedecer, nunca reverenciar"
domingo, 5 de maio de 2019
poemas feitos sob efeitos de crises de ansiedade
espero porque não consigo dormir,
e não consigo parar estática com as duas pernas paradas.
parado mesmo só o meu coração,
juntamente com o meu pulmão
fazendo um belo trabalho em me deixar com a mente paralisada.
e não durmo mais
só sonho
e corro dormindo
acordo cansada esperando acordada o amanhã que não chegou
mesmo o sol tendo nascido e tendo dormido
o amanhã não chegou
e eu espero sem saber o que esperar,
ou à quem,
ou o porque de estar no mesmo lugar mesmo andando
mesmo correndo
nunca dormindo
e mesmo esperando
segunda-feira, 29 de abril de 2019
você me inspira de um jeito que trava até na hora de respirar
enquanto eu suspiro, você me enlaça e me abafa os gritos
sua pele na minha pele fica uma paleta tão bonita
e quando você se separa de mim, eu confesso que eu fico um tanto quanto aflita.
você é o calor do sol e eu sou a luz da lua
todo dia que a gente se encontra, tem eclipse na rua
eu pertenço junto à você, mas não sou sua
mas eu pertenço tanto à você que eu queria muito ser sua
faz de conta e me leva com você,
sempre que me beija eu me desfaço
cruza os braços ao meu redor e eu me refaço
fico inteira pra você.
quando me deito pra dormir penso que somos muito abençoados
tudo que eu sempre quis hoje tá do meu lado
espero que venha de novo
e que fique um pouco mais
eu espero que venha de novo
quem sabe fica pro jantar
ou se quiser ficar sempre,
não ir embora nunca mais...
segunda-feira, 22 de abril de 2019
quarta-feira, 10 de abril de 2019
queria puxar meus cabelos
e minha pele
e meu rosto
até sair tudo de que não gosto.
queria arrancar minha pele porosa,
elastica,
meus poucos cabelos.
ficar na carne viva
vermelha
sangrenta que todos temos.
porque a beleza vêm de dentro.
mas as vezes eu queria
substituir as minhas peles velhas por peles novas
lisas
simétricas
e o mais importante:
que são minhas.
as vezes assim
alguém poderia olhar para mim
e ver beleza
ja que a minha nunca foi o bastante
ou o suficiente.
quinta-feira, 4 de abril de 2019
só não sinto mais dor porque o remédio me impede de sentir essa agonia
agonia tamanha que é viver nessa situação: onde minha mente perturbada não sobrevive com uma caneta na mão.
agonia tamanha que é viver numa cidade, a melhor delas, disseram, onde hoje mataram no tiro um cachorro
e olha que aqui nem tem morro!
e tem gente que ainda se preocupa se uma mina abortou ou não um feto!
o motorista passa em cima do senhor na rua, ele não passava na faixa então com certeza não é culpa do motorista cheio da fartura...
se for pra comemorar o carnaval tenha a segurança de não sair com glitter na rua
porque se tem uma coisa que a pm odeia mais que maconheiro, é folião então vão te levar na viatura.
nunca teve, se parar pra ver,
nunca teve o porquê de tanto assassinato sem nenhum parecer.
meu povo morre, meus irmãos morrem, o senado em chamas porque ninguém nos socorre
estamos em guerra mas não sei com quem.
a barragem estoura e não tem pra onde correr
furacão em Moçambique e não tem ninguém pra ver!
todo dia algo diferente que acaba com o meu coração
eu peço todo dia por mudança, rezo pra que tudo seja uma alucinação
mas não
não é.
estamos em guerra
eles com fardas e ternos
a arma já virou complemento do antebraço
apontada no meio da sua cara, sem palpitação
um tiro não é um raio que atinge sem direção
não é falta de estudo, é falta de consideração.
um guarda chuva é uma arma pior que um canhão
por isso que eles mataram esse outro irmão?
e as crianças, tão matando por que?
é pra acabar com o nosso futuro, ja se tornou deveras obscuro.
80 tiros num carro de familia pq acharam q era bandido
cade meu pai?
perhuntou o filho desiludido
foi sem queter os milicou falou
mas sem um pai um menino ficou
eu achava q nao chegaria até aqui
mas a guerra acabou de se expandir.
eu não quero mais sangue no chão
eu não quero chorar em cima de outro caixão.
mas mataram tantos de nós que talvez não tenha sobrado mais ninguém...
quarta-feira, 27 de março de 2019
foda é que eu parei de fumar
e também parei de te amar.
é a mentira que eu conto pra mim,
enquanto minto pro espelho,
passo um batom vermelho e vou te encontrar.
a vitória é gloriosa, mas eu ainda não venci
parei de beber, parei de fuder, parei de fumar
parei de te amar
porque a vitória é gloriosa e eu quero chegar lá,
no meu santo eu vou aprender a confiar
então é essa minha explicação
quando alguém me perguntar porque é que eu parei com essa vida boêmia,
é porque a boemia consome muito de mim
e você quase sempre estava lá
com o par de olhos mais bonito que eu já vi,
mas que nunca nem sequer olharam pra mim
a vitória é gloriosa
e eu parei de te amar.
e eu juro pra você...
que cê foi o vício mais dificil que eu tive que largar
quinta-feira, 21 de março de 2019
se não quer ficar,
pode ir
meu batom borrado
nesse seu corpo chamuscado
não me fará falta
nem mesmo os teus braços quentes,
no meu corpo nu
me fará falta
vai me fazer falta
o trago no cigarro que eu dava quando não queria mais ficar perto de você,
às vezes que sua boca falava e algo dentro do meu peito quebrava,
e a sensação confusa que eu tinha quando pensava que te amava.
trago no cigarro tudo aquilo que sinto falta
ou que sentiria
se não tivesse borrado o meu batom.
domingo, 10 de março de 2019
é mais proibido ainda você sair da minha cama,
desfazer meus laços e levar os meus lençóis
enquanto eu fico sozinha pensando quem éramos nós
somos jovens?
o tempo fecha, mas não chove
meus olhos se fecham, mas não durmo
por aqui venta e a grama continua seca
porque é proibido pisar na grama com os pés descalços
e com olhos desvairados
é proibido soltar fumaça em incêndio,
e é proibido também fazer poesia
já que quando eu falo eles viram as costas
e vão falar sobre a previsão do tempo.
porque é proibido pisar na grama, então pulo
e me esbarro no barro
até ficar suja e imunda
já que assim eles não olham pra mim.
é proibido pisar na grama,
é proibido fazer rima se for menina
já que quando eu canto ninguém me escuta
é proibido pisar na grama!
e é proibido falar
então eu vou ter que gritar,
já que eu pedi e mesmo assim cê se foi embora da minha cama
e como todos os homens não olhou para trás,
então eu vou ter que gritar
já que pedindo com licença ninguém abre espaço pra eu rimar
eu vou ter que chutar a porta, desfazer a forca e
estragar o jardim
porque é proibido pisar na porra da grama então você jamais levante teu dedo pra mim!
eu faço o que eu quiser,
porque eu sou uma mulher,
e eu grito o quanto eu quiser
porque uma hora ou outra cê vai ter que me escutar
mesmo se minha mão tremer,
mesmo se minha perna fraquejar
você já viu a fúria do mar?
é uma mulher ignorada
que agora têm uma chance de falar
é proibido pisar na porra de grama!
eu carrego dentro do meu corpo a fúria de todas aquelas
que foram deixadas só em suas camas,
com seus lençóis manchados e corpos violados,
a fúria de todas aquelas que tiveram suas línguas cortadas para não ferir nenhum homem com suas palavras mal intencionadas...
mas eu hoje sou eva
eva daninha
porque tudo que eu digo é um veneno pra quem não queria escutar
e uma cura praquelas que não queriam ter se deixado levar,
eu sou a trepadeira ladra de seiva
e eu vim pra pegar tudo que é meu
tudo que é nosso,
porque eu posso
porque eu vou
porque é proibido pisar na grama
então eu vou como eva no eden
cheia de ódio e de lama.
sexta-feira, 8 de março de 2019
daquele momento
antes da chuva cair
que o céu suspira
e a terra se prepara
pra ser aguada.
me faz lembrar
que já chove
e a roupa no varal está novamente molhada
eu estou esperando minha chuva chegar
prendendo a respiração nesse suspiro
antes da chuva cair
e levar embora
minha angústia
nesse dia cinza
quieto
calmo
no qual eu entro debaixo d'água
mas ainda sim eu não me molho.
segunda-feira, 4 de março de 2019
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
é que hoje eu não estou medicada
então fiquei um pouco confusa,
desnorteada
pensando em você e nas coisas que eu queria te dizer.
e eu não disse nada
porque fiquei com medo de você perceber
que hoje eu não estou medicada,
então me apaixonei por você
mas fica tranquilo que às vezes amanhã já passou
às vezes você nem notou.
eu fico tentando tanto disfarçar que às vezes eu dou pala demais
que por hoje eu me apaixonei por você
mas me perdoa tudo isso,
é que hoje eu não estou medicada
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
então às vezes eu não tomo minhas pílulas
porque eu preciso sentir um pouco de raiva.
ando anestesiada, não sou feliz e tampouco triste
eu sou o olho do furacão, onde tudo se mantém em calma
e ao redor a tempestade devasta.
eu sou o rascunho não finalizado
de uma poesia tampouco trabalhada
com pouco conteúdo, não serve para batalha
então às vezes eu não tomo minhas pílulas
porque a minha doença é minha inspiração
preciso de um pouco de dor para perceber que nem tudo é em vão.
e eu preciso sentir o caos ao meu redor,
para fluir no meu corpo e eu me deixar sentir
às vezes,
pouco a pouco.
lembrei de você me abraçando com as pernas,
me embrulhando dum jeito que eu não tinha como sair
e nem queria.
acordei meio trêmula, com as palavras faltando
sentindo falta de você ao meu lado, sussurrando
coisas que a gente não diria na luz do dia.
não sei se é porque eu não tomei as minhas pílulas de manhã,
mas sei que eu te amei como se não tivesse um amanhã
e não teve.
não para nós.
nunca teve um nós.
mas eu quis te atar, tentei a todo custo fazer você me amar,
e me querer
eu te quis mais e mais
e você não me quis.
eu acordei meio trêmula, com uns espasmos nas minhas ideias
tudo que eu não disse hoje parece que começou a pesar
se eu sou assim tão boa, por que é que ninguém nunca conseguiu ficar?
e eu tentei tanto
mas tanto
mas eu não vou pedir por amor,
dessa vez eu não vou implorar.
eu sigo com a voz trêmula e lágrimas nos olhos,
eu sigo triste mas eu vou embora.
mais um poema triste de amor que eu escrevi
mais um poema que eu te dou
junto com todo o amor que você negou.
domingo, 17 de fevereiro de 2019
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
bastou um papel, uma caneta e a falta de um cifrão
a fome me esfola por dentro
e por fora eu não ouso nem pedir esmola
- de amor -
todas as flores que me deram estavam envenenadas,
de palavras falsas, inveja e flores mal intencionadas
não foi preciso uma arma na mão pra me pôr no caixão,
bastou teu ódio e a falta de noção
palavras nunca foram vento
nem quando se faz ventar
palavras são veneno no corpo,
e as tuas tão fazendo o serviço de me matar
chutar alguém que está no chão deve ser fácil de assistir
me ver vomitar toda a sua falsa solidariedade
pedindo por ajuda, não tem amizade por aqui
não foi preciso projéteis pra me pôr no caixão,
a malícia das tuas palavras já fez o processo de putrefação
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
não como as outras donzelas;
mas é sobre a minha face que ele faz guarita,
e é nos meus ouvidos que ele critica todas elas.
ele diz que eu não sou bonita,
mas não se atreve a me mostrar a palma da mão.
sabe que eu consigo ler
todos os sinais de sua palma que são sinais de paixão.
ele diz que eu não sou bonita,
não como as outras mulheres,
porque eu sou cigana e vou lhe roubar a alma,
porque eu sou feiticeira e vou lhe roubar as virtudes
mas ele não sabe que eu sou uma de um todo,
e todas somos um.
ele achava que satã era homem cornudo
e eu lhe disse que eu era o próprio diabo.
que eu tinha sede de homem
e que isso me tornava insaciável.
domingo, 10 de fevereiro de 2019
senti seu perfume na ponta dos meus dedos.
como se eu tivesse acabado de acariciar o teu cabelo,
e te dado um beijo.
mas não te beijei.
você não está aqui
e não quer estar perto de mim.
nenhum beijo foi dado, nenhum cabelo acariciado
só cigarros de sabor que foram fumados
e deixaram os meus dedos amarelados.
e eu fui dormir
e senti seu corpo no meu,
a tua pele grudada na minha
e meus dedos em meus lábios,
para completar a minha fantasia
segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
os segundos pareciam não passar
contei os segundos entre as luzes e os sons
porque foi essa a quantidade de tempo que eu levei pra perceber que você nunca vai me amar.
talvez não exista nenhum tipo de tempestade
talvez não exista ninguém, nem nessa nem em outras cidades
pra mim.
não há chuva que leve embora a minha solidão.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2019
não sei se esse barulho venta aqui dentro ou chove lá fora
se te toco com carinho ou se arranho a sua face.
eu me sinto tão confusa, tão pela metade
porque não sei se te amo
ou te odeio.
você me vê?
você me ouve?
mas você me toca, me engole, me dilacera
e não me abraça.
e peça por peça eu me colo pra que depois cê descole
e segure minha mão ao dormir, e sussurre ao meu ouvido
e acorde longe do meu corpo.
você me vê?
você me sente?
mas você me toca e por um momento eu sinto que me ama
do jeito que se enrola em mim na cama,
descobrindo o teu lençol
e me sinto tão confusa, num dia meio sem sol
numa noite meio dia
em praia sem maresia
porque quando você acorda e não me olha e o meu coração parte pela metade,
eu sei que te amo mais do que eu deveria e mais do que podia
e mais do que você sequer poderia me amar um dia.