o mundo tá se acabando e eu me acabo junto
cada verso era pra ser um progresso, mas eu vou mais pro fundo
fumaça no céu e meus versos no ar, bronquite coletiva e ninguém consegue respirar
as palavras são pesadas, ninguém nunca consegue se acostumar e nem digerir
a fartura da minha poesia é uma ceia da qual você nunca vai participar
não têm estômago pra me aguentar, mas pra matar cê têm e os que foram não vão mais vir
a fogueira santa queimou todos os pecados e eu tenho a certeza de que cristo não vai ressurgir
eu nunca tive medo de morrer, por isso cavo minha cova e me ponho pra deitar
o mundo em chamas, acendo um cigarro no fogo e fico a observar
eu sou o meu próprio apocalipse, eu sou o meu próprio fim
eu sou a lua de encontro a sol, um eclipse, porque a dualidade sempre fez parte de mim
mas a escassez gera fome, e quem tem fome come?
a não ser que não tenha alimento, o que sacia pode estar cheio de veneno
não gosta do calor, mas vive no deserto, gritando ao vento e à poeira, ouvindo o seu próprio eco
o ego gritando, ninguém escuta nada
palavras molhadas de lágrimas e ninguém escuta nada
sol de encontro com a lua, a tarde aqui escureceu
engasguei com minha própria imensidão,
o apocalipse sou eu
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