sexta-feira, 5 de julho de 2019

acho que eu não tenho nada planejado pra minha vida
porque eu nunca planejei viver tanto
planejava doses suicidas de álcool envoltas em amianto,
cianureto derretendo minha boca pra compensar o vazio que eu sinto por dentro.
cortes rasos que na verdade nem me fizeram sangrar,
as feridas são muito mais fundas do que eu posso administrar
é por isso que nada que eu faço é pra chamar atenção,
eu vivo minha morte com uma estranha paixão.
não quero ser mórbida e nem assustar ninguém,
eu sei que a maioria usa a própria mente pra se fazer de refém
mas eu já escapei da minha prisão, por isso falo sobre suicídio com tanta convicção.
não é como se eu fosse amanhecer morta,
veja bem,
eu tenho a coragem de uma porta e a única coisa mais próxima que eu faço de me derrotar
é bebendo meu fígado afora em dias de semana
dando pra desconhecido pensando que ele vai dizer que me ama
drogas a fundo eu me afundo e o mar nesse dia estava tempestuoso
me disseram que no fim da chuva viria um dia glorioso.
nunca vi chegar.
só a solidão, todo dia, que ninguém nunca consegue reparar.
saio de bicicleta almejando ser atropelada,
se eu morrer assim talvez depois não vá me sentir culpada
se parar pra ver até que os remédios tratam da minha mania,
mas a minha perversidade continua em ironia
juntamente com esse sentimento
me sinto perdida porque nunca planejei nada
até porque eu não achava que nesse ponto ainda estaria viva...

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