domingo, 28 de dezembro de 2014

O caminho

Eu dirijo muito, e é na madrugada que me abate o surto. De saudade, eu acho, e misturada com a minha imunidade baixa, gera uma combinação um tanto quanto estranha. Às vezes eu choro por uma aflição que eu não entendo, e é por te amar tanto que tenho medo de entender. E todas as coisas e cartas e tantas, mas tantas palavras que eu tinha pra te dizer se perdem no caminho. Nas inúmeras avenidas e cruzamentos, enquanto meu cansaço aumenta e a saudade diminui. Outro dia eu escrevo. Outro dia eu digo. Tenho tempo. Eu tenho?

E perdi todas as coisas bonitas que eu queria que você soubesse.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Pelúcia

Já faz uns dias que eu dormi e acordei abraçada com esse urso. Antes só dormia, porque em algum ponto da noite eu chutava Jesse pra fora da minha cama. Agora não. Chega a ser ridículo. Com quase vinte e tantos - ou vinte e poucos - eu preciso de uma pelúcia pra dormir sem chorar. Ou pra fingir que não estou chorando. Preciso de acalento.
Mesmo nas noites quentes eu abraço. E choro, e desabo, e desmonto. A solidão é demais pra aguentar sozinha. Cama demasiadamente grande pro meu corpo pequeno. Pra minha posição fetal. Os remédios não são o suficiente, as unhas não grandes ou afiadas pra penetrar minha pele. O choro me engole, ou eu engulo o choro - mas sei que choro. Eu deságuo, e como criança, minha pelúcia encharca.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Pontinhos

É meio merda estar deitada em qualquer lugar que não seja seu peito. Seu corpo, que sem esforço, sempre foi definido. Nunca liguei muito pra isso, mas você me dá falta de ar, cara. Tava pensando em você exatamente agora. No teu sorriso, e nas poucas pintinhas que você tem na barriga. Gosto quando as poucas que eu tenho se juntam com as poucas que você tem. A gente liga os pontinhos. Você junta os meus, e eu os seus, e somos uma constelação de pontinhos. Não da pra saber onde eu começo e onde você termina. Nessa constelação, no nosso espaço, na nossa via, eu deixo de ser eu pra ser você. Pra ser os seus pontinhos.

É muito merda estar deitada em qualquer lugar que não seja seu peito.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

as portas

é tão triste abrir as portas da sua vida
colocar café na mesa
assar um bolo, encerar o chão
e até mesmo arrumar o seu quarto
e ficar esperando a visita chegar.
mas é tão triste abrir as portas do meu coração
arrumar tudo lá dentro pra você se encantar
tirar a bagunça que faltava limpar
pra você chegar e não querer entrar
na minha vida

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Um Led estava tocando no carro quando eu decidi que queria você. Decidi que queria você ao meu redor, em cima de mim. Queria você a um ponto onde não saberíamos onde seu ser terminava e onde o meu começava. Since I've been loving you sempre foi a nossa música. Abre os meus botões, levanta minha saia e me toma. Me sobe, me desce, me puxa. Abre a porta do carro pra eu poder respirar, mas não para. Sua mão me contorna, teus lábios me sugam. Se o solo ainda não acabou, você também não vai parar. Então continua até um grito sair. Continua até eu não ter mais condição de dirigir. Até meu último suspiro escapar, e meu corpo tremer, e eu escorregar de suas mãos pra pedir arrego. Mas continua. E se a música acabar, só quando Jimmy parar de tocar, a gente vai descansar.
Mas o CD tá no replay.
Eu era fogo. E como fogo, queimava. Faltava-me o ar. Jogava meu cabelo para os lados e erguia minha saia. Você aproveitou da oportunidade, e tomou conta de mim. Me fez refém. Me fez sequestrada pelo seu corpo. Suas mãos - que sempre me conheceram tão bem - me contornavam, e seus lábios, sempre tão familiares, me sugavam. Suspirei. Me subiu e me desceu, me controlou do começo ao fim até que eu estava tremendo, suplicando por ar. O fogo se desfez, e eu agora sou cinzas. 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Eu não escrevo bem, mas a escrita é minha terapia.

O meu problema com o tempo: o tempo não existe. Eu criei o tempo, e o tempo me devora. Me necrosa. Eu não consigo acompanhar o tempo, que vão, se faz presente, e voa. Eu tenho pressa de ter mais tempo. De ter tempo tranquilo. Quando é que tempo é tranquilo? Quando que é que a aflição some?

Vestígios

Por um tempo, tinha resto seu por todo lugar. Seu cheiro na minha cama, seu abraço no meu corpo, sua mão na minha cintura, seus lábios no meu pescoço. Até mesmo embalagens de cigarro e de camisinha no criado mudo, que ambos tínhamos preguiça de jogar no lixo (e fazíamos a limpeza a cada duas semanas). Depois sua presença começou a diminuir. Menos xícaras de café, menos cigarros meio apagados, menos isqueiros perdidos. Então, sua presença desapareceu e um vazio preencheu o espaço vazio. Nenhuma carta, nenhuma foto. Nenhuma música, nenhum som vindo do meu quarto. Nenhum som vindo da minha casa que remetesse à você. Nada. Todos os vestígios de você foram embora.
E o único vestígio da sua presença que permaneceu
Foi eu.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Peteca

Fui brincar de peteca
E meu coração como brinquedo 

De início jogaram alto
E eu me despedacei
Depois me jogaram com cuidado
Mas eu ainda sim me espatifei
De chão em chão eu caí
E em nenhuma mão eu permaneci
Foram brincar de peteca com o meu coração,
E a peteca se quebrou no chão 


terça-feira, 23 de setembro de 2014

Diário de bordo 2

Só mesmo o vento cantando na minha janela pra me fazer dormir. Nos últimos dias, o sono vem engolido pelo choro. Sustentado pela minha angústia, as lágrimas me percorrem até que a última delas venha com um cansaço que me abata. Não há música, não há oração que me faça dormir sem pensar em você. E em como eu fui egoísta. E como eu estou sendo egoísta.
[pausa] 
Eu finjo que você dorme ao meu lado. E que sua mão, sempre tão grande para o meu rosto, percorre meu corpo. O meu acalento. O meu descanso. Eu vivo em fogo, em brasa, em lava. E você me acalmava. Teu abraço, teu rosto. Ao dormir, eu finjo. Ao acordar, eu minto. Não te tenho. Te perdi. E me perdi.
Eu, que sou fogo e me afogo. 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Diário de bordo

Estou presa. Presa no meu próprio lamaçal. Presa no meu próprio redemoinho. Nas minhas certezas (bem, eu achava que eram certezas). E agora estamos divididos, e a angústia no meu peito não se cala. Ela se eleva, e me sufoca, e vaza pelos meus olhos. Eu não sei o que fazer. Como agir. A tristeza alcançou meu corpo, e eu não faço mais nada além de me lastimar. Tão cansada, tão culpada. 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A caixa

Tenho guardado na caixa
Tudo o que me deu
Os beijos, os filmes
Tudo que era seu

Os carinhos, as risadas
Tudo que me pertenceu.
Tenho na caixa as lágrimas
As brigas, os gritos
Tenho todos os motivos
Que me fizeram partir
E uns poucos pelos quais
Eu poderia ter ficado.
Mas acima de tudo, tenho guardado
A lembrança de uma memória
Que nunca foi minha.
Na caixa, tenho guardado
Um coração quebrado. 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

[Mais um desabafo]

Sempre tive problemas com sinceridade. Falta dela, ou excesso. E agora me vejo com um problema de excesso. Sou sincera demais. Comigo e com os outros. Mentira é algo com o qual eu não lido bem. Talvez porque eu tenha sido alvos de sucessivas e corrosivas mentiras que destruíram meu senso de perdão. Eu não perdoo mentira. Perdoei muitas, e não tive recompensa. Agora me mantenho fiel à verdade, e muitas vezes, por mais que me doa, ela é a única que permanece comigo. Uma mentira o vento leva. O vento levou todas as mentiras que um dia me foram ditas e agora nada me restou a não ser a verdade que eu tenho dentro de mim. 
Aguardo a recompensa pela sinceridade exagerada, pela verdade encrustada em meu corpo como meu único sinal de fraqueza. Por vezes, gostaria que eu pudesse fingir que certas coisas, certas palavras e comportamentos são aceitáveis. Meu rosto se contrai em desgosto e minha voz não me deixa mentir. Eu sou a minha própria mentira. Por ser verdadeira, sou uma farsa. O que isso diz sobre mim?

A mentira o vento leva.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Eu me perdi

Eu me perdi no meio do caminho. Eu perdi minha direção. Tanta gente que eu vi e conversei, que eu vi e amei, que eu vi e perdi. Eu continuo nessa estrada, mesmo não sabendo a direção que eu sigo. Havia pessoas ao meu redor, e agora não há ninguém. Quem segue ao meu lado? Quem segura minha mão? 
Tantas coisas, tantas dores eu já enfrentei. Ainda sinto a mesma dor. Mas agora o meu caminho mudou. Eu sigo para onde? Eu sigo com quem? 

Eu sigo por que? 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Uma prosa sobre bloqueio criativo

Faz tanto tempo que eu não escrevo nada de útil que eu esqueci como me sinto ao escrever algo bom. Quando eu acho algo bom, ou seja, quase nunca. Sempre acabo achando algo muito bom e dois dias depois (ou seja lá quanto tempo eu demorei pra ler de novo) o que eu escrevi ficou uma bosta. 
Eu poderia escrever uma prosa sobre o quanto você me magoou, mas dessas já tenho várias.
Eu poderia escrever sobre como eu estou feliz agora, mas tenho medo de inveja alheia. 
No final das contas, eu vou escrever sobre várias coisas que não fazem o menor sentido. 
E lá foi. 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

E se números não fossem importantes
E sua idade
E sua quantidade de amigos
E sua quantidade de roupas
De sapatos
E de celulares
Não importasse?
Ou o carro que você tem
Ou dinheiro.
E se dinheiro não fosse importante

Se o que realmente importasse
Seria como você trata um garçom
Ou um desconhecido
Ou seus pais
E seus avós

Ou se você diz bom dia
E boa tarde
E segura a porta do elevador.

Imagina que mundo seria
Se o que importasse fosse quem você é, e como você chama
Ao invés de quantos números e quantas quantidades você tem

sexta-feira, 23 de maio de 2014

eu me tornei tão sua
em tão pouco tempo
que fiquei irreparável.
todas as músicas que eu conhecia
agora são suas
a maior parte dos meus vícios
eu adquiri de você
e meu corpo não precisou se adaptar
pra encaixar no teu abraço.
minha cama é vazia sem tua presença ao meu lado,
e acordo à noite se você não está aqui.
eu me tornei tão sua
que tampouco sou minha
irreparável é o estrago
e inegável a situação
eu me tornei tão tua
que não quero mais ser sozinha

sábado, 10 de maio de 2014

Desliguei o celular pra viver os pequenos prazeres da vida
Como tirar sutiã ao chegar em casa
Tomar café comendo bolacha com requeijão
Tirar calça jeans em dias quentes
E deixar a calça no chão.
Ver casal de velhinhos se beijando
Ou ainda segurando as mãos
Criança fazendo birra
E a mãe não dando atenção
Alguém na rua que te da um sorriso
E aquilo te faz feliz o resto do dia.
Chegar em casa e não ter louça pra lavar
(Eu acho engraçado)
Quando alguém tropeça na rua
Você ri e tropeça também
Quando um cachorro passa na faixa de pedestre
E uma senhora gorda corre pra atravessar onde não tem
Puxar a cordinha do ônibus pra outra pessoa descer
Abrir a geladeira e ter o que você quer comer
Ou poder dormir uma tarde inteira
Só por prazer.
Fazer uma piada pra si mesmo
Cantar alto no carro com amigos
Ou cantar alto sozinho

Hoje eu desliguei meu celular pra viver os pequenos prazeres
Mas estava sem papel e caneta
Tive que ligar o celular
Pra poder escrever no bloco de notas
Um poeminha sobre os pequenos prazeres
Tão grandes
Da vida
Que eu não vejo
Se eu estou olhando
Pra tela do celular.

sábado, 3 de maio de 2014

Guardanapo

Eu queria te tocar fazia algum tempo
Mas me faltava pretexto.
Então eu sorri
Quando minha mão tocou na sua
Sem querer
Porque eu fui pegar guardanapo ao mesmo tempo
Que você

terça-feira, 29 de abril de 2014

sobre o meu bloqueio criativo

hoje enfrento um bloqueio criativo
que não me deixa escrever nada além de chocolate
café
e você.
faça-me um favor
e retire-se do meu caminho
e se puder e não for muito incômodo
leve junto o chocolate.


o café pode deixar.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

I would like to belong to someone
It would be nice for a change
To have somewhere to go wherever I feel lonely
Or sad
I would like to belong some place
It would be nice for a change
To have a runaway
But most of all
I would like to belong to myself
And not feel alone
So much times in a day
So much times in a fucking
day

beijo

eu quero um beijo
um beijo quente, de desespero
de saudade
de toque
um beijo pelo corpo
um beijo de sussurro
eu quero unha, eu quero carne
eu quero suspiro
eu quero um beijo tão grande
tão imenso
que me cause contorção
um beijo que me desça
um beijo ofegante
um beijo constante
um beijo que me eleve
um beijo de paixão
eu quero um beijo teu

quinta-feira, 10 de abril de 2014

eu tentei a todo custo evitar teu toque
de desespero, teu cheiro
meu corpo junto ao teu que me é desejo
e minha mão não escapava a tua
meus lábios não escapavam de tua nuca
e ofegante ao som de música
percebi que não importa o quão distante eu queira me fazer
eu nunca conseguirei ficar distante o suficiente de você

sexta-feira, 4 de abril de 2014

teorias

tenho essa teoria que toda manhã
é melhor com um gole de café
que chuvas são bem vindas
quando tenho coberta e cafuné
que é melhor dirigir ouvindo cd
se ele foi gravado por você
tenho essa teoria que 13h
é o domingo de todos os dias
e que tudo quanto é poesia
se perde no meio da correria
tenho essa outra teoria
que na verdade, eu não existo
que sou marca de xícara em sulfite limpo
que eu sou a teoria de alguém que faz teorias bobas
que não fazem sentido pra mais ninguém.
que sou teoria de menina que gosta de café em dias chuvosos
que esqueceu que não se começam frases com 'que'
que não entende os sons que sua boca
teoricamente
diz
acho que é porque eu sou

uma teoria de mim

segunda-feira, 24 de março de 2014

Desejo

Os lábios se tocavam. Ora com suavidade, ora com leveza. Acompanhando todas as curvas do corpo. Em cada canto havia um arrepio e nas suas curvas mais escondidas havia contorção. Respiração pesada enquanto acompanhava as mãos leves. As pontas dos dedos tocavam suavemente seu rosto, seus lábios. Quando a mão desceu às costas podia-se se ver claramente os arrepios acompanhando os tremores que a ansiedade lhe causava, enquanto os lábios ficavam cada vez mais distantes um do outro. Os olhos fechados, o coração disparado e o tempo parado. Lábios inchados enquanto os outros secavam-lhe o corpo. Descobriam-se mais e mais e se enlaçavam num nó que fluía a cada toque, a cada beijo. A cada ânsia que tinham mais. Transbordavam.

terça-feira, 18 de março de 2014

Refúgio

Coração apertado, que refugiado mora no teu peito
E de felicidade extrema e abundante saiu correndo
Floresce em nós o bonito, o inesperado
O que não era alcançado
E coração apertado, que antes morava de alugado
Agora respira melhor, liberto do temor
Liberto dos laços que antes me prendiam na terra
E coração apertado, que antes afugentado
Agora vive intensamente e sem pensar duas vezes
Coração palpita agora, e nunca mais
Refugiado

segunda-feira, 17 de março de 2014

[Desabafo 4]

Mentir é fácil. Mentir para os outros requer um pouco de habilidade, mas mentir para si mesmo é simples. E nisso, meu amor, eu sou expert. Enganei-me por anos. O que eu via era mera ilusão, e eu ainda insistia em usar tuas frases mal ditas em jogos de palavras para ouvir o que eu queria. Modifiquei você em meus sonhos para que pudesse ser o rapaz que, ambos sabemos, nunca seria comigo. Enganei-me. Persuadi-me. E parti meu próprio coração. Não te culpo, meu querido, até porque as mentiras foram minhas. Fui eu quem criei alguém que não existia, e me apaixonei por ele. Não te preocupa. O que tivemos foi belo. Afinal, toda mentira enquanto ilusão, brilha.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Agora eu sei

Agora eu sei que felicidade é mera ilusão
E que meu peito aberto é trincado
E que a minha risada se esvai no travesseiro molhado.

Agora eu sei que paixão é mera enganação
E que meu coração apertado não é nada mais
Que o sufoco do próprio batimento acelerado.

Agora eu sei que meu olho só brilha de manhã,
E de noite eu escorro tudo aquilo que havia dentro de mim
Todo o meu choro e desesperado acumulado.

Agora eu sei que sou destinada à bipartição
Me divido em duas, e é tudo imaginação
A minha risada feliz e o meu sorriso duradouro
Não passam da mais pura e mais ingênua ilusão.

Stand by

Eu sou o teu stand by
Enquanto coloquei você no repeat
O mesmo vício de todas as manhãs, ouvindo a mesma música
Deixo que faça minha cabeça por horas
Ja sei a letra e o ritmo
E eu que não sabia, agora sei cantar
E danço, me deixo levar
Enquanto que a minha música no teu celular
Nem na playlist tá...

quarta-feira, 12 de março de 2014

Senhora

Eu não pertenço a ninguém
Sou senhora das minhas vontades
E escrava das minhas luxúrias

Sou senhora dos meus pecados
E escrava da minha salvação
Acorrento meus desejos longe de meu alcance
E meus sonhos na palma da mão

Pois sou senhora do meu corpo
E escrava do meu coração

Mono diálogo

Em um desses diálogos interessantíssimos que eu tenho comigo mesma, eu me disse:
- Geovana, você não pode confiar em quem acabou de conhecer. Melhor se cuidar.
Eis que eu me respondi:
- Claro que não! É diferente do que da última vez.
- Então tudo bem, só não vai se entregar demais.
E eu me entreguei. Ai, Geovana! E eu estava certa, não era diferente. Difefente sou eu que mantenho diálogos comigo.

Minh'alma

De dezoito anos, minha alma não tem nada
Não passo de criança com alma enrugada
De dezoito anos, meu olhar não mostra
Eu sou é uma velha com a língua torta
De idosa eu já tenho tudo,
Vou de olhar magoado pra coração fechado
E não me importo de parecer ranzinza.

De sessenta e oito anos só me faltam cinquenta
E a pressa de morrer já me aflige
O medo de ficar sozinha já me atormenta
E a mágoa dos dezessete permanece.
De dezoito anos, minha alma não tem nada
Não passo de uma criança com a alna enrugada

terça-feira, 11 de março de 2014

Pressa

Tenho pressa de viver
Pressa de conhecer
De ser
Tenho tanta pressa
Que não durmo noites completas
Não ouço músicas inteiras
Não termino meus poemas
E paro no meio dos meus beijos
Essa pressa que me engole,
E me faz tomar xícaras e meias de café
Correr metades de maratonas
Conhecer uma parte de pessoas
E nessa ânsia que me sufoca
E de tanto correr para não me faltar,
Vivo metade da minha vida
Sendo metade de quem eu sou
Sem terminar um poema sequer

De criativo meu ócio não tem nada
Hoje eu estava sozinha, desocupada
E me flagrei pensando em você

Sono

Tive uma visão durante meu sono
Em que eu vivia uma vida fantástica
Com tantas histórias a contar
Que eu mal poderia me lembrar
E com tantos beijos bem dados
Que fariam fila para me encontrar
E durante esse delírio inconsciente
Um boêmio viria me salvar
Dos perigos e ilusões
Da minha mente a sonhar

Ele então me beijaria e me traria a calma
Que durante todos esses sonhos eu estive a procurar
Me faria segura, me chamaria de lar
Me faria canções e muitas delas de ninar
E quando o sol nascesse, viria ne despertar
Com todo o amor que eu estive a esperar
Então eu rezaria a Deus, e imploraria
"Que deste sonho, Senhor, eu nunca tenha de acordar!"


Tive um sono durante minha visão...

Sono

Tive uma visão durante meu sono
Em que eu vivia uma vida fantástica
Com tantas histórias a contar
Que eu mal poderia me lembrar
E com tantos beijos bem dados
Que fariam fila para me encontrar
E durante esse delírio inconsciente
Um boêmio viria me salvar
Dos perigos e ilusões
Da minha mente a sonhar

Ele então me beijaria e me traria a calma
Que durante todos esses sonhos eu estive a procurar
Me faria segura, me chamaria de lar
Me faria canções e muitas delas de ninar
E quando o sol nascesse, viria ne despertar
Com todo o amor que eu estive a esperar
Então eu rezaria a Deus, e imploraria
"Que deste sonho, Senhor, eu nunca tenha de acordar!"


Tive um sono durante minha visão...

sábado, 8 de março de 2014

Por enquanto, tu me despes
E quando despir meu corpo nu
Despede-se do que vê,
Porque tudo o que verá será por dentro
E espero que essa não seja a hora
Em que ira despedir-se de mim.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Eu quero teu toque rente à minha pele
E teus labios rentes aos meus
E quando o solo de guitarra chegar
Eu quero tuas mãos na minha cintura, e pressão sobre mim
E quando essa dança acabar
Meus toques não irão parar
Até chegar o momento
Da guitarra recomeçar

quinta-feira, 6 de março de 2014

Nada sério

Eu sei que nem é nada sério
Mas eu tô gostando desse mistério
Dessa amizade meio distorcida,
Meio daltônica e meio colorida

Eu sei que a gente combina
Desse jeito meio estranho
Desse jeito meio engraçado.

E eu sei que nem é nada sério,
Mas eu não tô me importando
Eu tô nos ares e você me acompanhando

Converso contigo como se já tivesse conhecido
E como se você sempre tivesse sido meu amigo
E eu sei que nem é nada sério,
E desse mistério eu já tenho resolvido.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Explode do meu peito o que eu havia armazenado
O grito de anos
E a semente que eu havia plantado
Floresce em mim o espelho
A minha versão mais bonita, mais alegre
E a mais livre

sábado, 1 de março de 2014

Poema do esquecimento

Se esquecer é superar, eu não quero. 
Teu rosto escapou das minhas mãos e o teu sorriso dos meus olhos
Tua voz eu não escuto, e tuas canções de ninar eu não me lembro mais
De seu abraço eu já me esqueci faz tempo, e da tua comida também 
Só não esqueço dos sábados de manhã em que me acordava ouvindo Elvis
Da gritaria por toalhas sujas de esmalte
E das nossas confortáveis conversas silenciosas dentro do carro
Mas não me lembro mais de você, e era tudo o que eu queria me lembrar
Me disseram que esquecer é superar
Mas eu esqueci de você, e todo dia quando acordo eu desejo não continuar
Porque quem sabe assim, as memórias de você
Voltem pra mim

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Preciso urgentemente de um conjunto de cadeados
E com ele trancar o meu restante
Que de resto quer ser todo,
E que quando ser todo,
Não sou nada.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

- O que você tomou?
- Eu me embriaguei. Tomei repetidas doses de mim mesma, e nunca pensei que mulher fosse tão corrosiva dentro de garotinha.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

De sentimento eu tenho tanto que construí um forte. E de tão forte e tão imenso, aguentei. E agora o amor que construiu esse palácio foi embora, e aqui dentro estou, presa. Presa no amor que eu mesma construí.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Tão pequena para tamanha imensidão

E que se rasga em intenso tormento. Chorou, mas pouco adiantou, visto que havia muito ali para ter se esgotado em tanto pouco tempo. Suas lágrimas secaram, embora desejasse encontrar algum meio de se libertar de tanta solidão. Tão pequena para tanta imensidão! Desejou que as unhas fossem grandes o suficiente para que pudesse arrancar sua dor para fora do peito, mas tudo o que conseguiu fazer foi se machucar. Fora todas as cicatrizes que já tinha, conseguiu novas.
E gostaria tanto de maquiar-se para ser como outras! Simples, fácil e leve, mas sabia que não era assim. E havia cansado de ser tão pesada. Tão pequena para tanta imensidão! Não havia quem pudesse carregá-la, não havia quem pudesse vê-la. Os remédios já não ajudavam mais, e há quem diga que precisaria de dois para que houvesse uma explosão, mas não. Ela era um poço. Ela era um imenso. Ela era um vazio. E ela implodia.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Sedimentação

Tem que parar de jogar sedimento pra dentro do meu peito, porque já não sai mais nada. Eu choro pra dentro e eu queria poder ter um jeito de tirar do peito tudo o que me diminui, mas a maior parte disso é você. Você me sedimenta e eu vou implodir. Por favor, me desenterra que eu não aguento mais você dentro de mim, ocupando tanto espaço, fazendo tanta bagunça e me enterrando tanto.
Por favor, me deixa respirar

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Eu não sou desse mundo, eu sou é de outro planeta. Eu sou de outro mundo. Do mundo de criança. Do mundo imaginário. Nem sequer meus pulsos me trazem de volta, e se você quiser, pode soltar o meu pé agora, que eu vou voar de volta pra casa.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Poço

Quarto escuro, luz fora
Coitada da criança que abraça os joelhos
Como dói a solidão
Como dói se sentir sozinha
Como dói ser o buraco do próprio peito
O poço da própria alma
A escuridão do próprio ser

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Você não me conhece, mas bem que queria. Me deu um espelho que reflete o que você quer ver, e não o que tem lá mesmo. Bem que você queria atravessar esse muro de cristal até chegar em mim. Bem que você queria que eu fosse o reflexo do que você vê. Sabe que não sou eu, sabe que quem você enxerga não existe, mas projeta em mim. Chegará o dia em que esse espelho quebrará e você vai ver que o reflexo não é tão bonito quanto o que há por trás, e chegará o dia em que você vai se arrepender de não ter amado o que é e não o que você vê.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Tick

Eu temo tanto que o tempo passe por mim
Ao invés de que eu passe por ele
Ao invés de que eu viva o tempo
E não deixe ele me consumir
E passo tanto tempo me preocupando com o tempo
Que esqueço-me que o tempo é passageiro
E por tanto passar o tempo pensando no tempo
O tempo já me consumiu, já me viveu e
Passou

domingo, 19 de janeiro de 2014

  Ultimamente eu venho tentando entender o porque de ser tão difícil a perda. Seja de um namorado, uma amizade ou de qualquer pessoa. Perda de situações, perda de sentimentos. Por que é tão difícil aceitar que algumas coisas acabam e que não há nada o que possa ser feito para evitar isso?
  Nem tudo que é plantado é colhido e nem tudo que vive, existe.
  Pra que eu vou segurar em um poste quando o meu trem está se movendo? Só vai me prejudicar. Então por que eu vou me prender à algo que já passou? Eu me lembrarei dos caminhos que segui e das pessoas que passaram por mim, mas isso não significa que eu permanecerei com elas para sempre. De alguma forma, eu serei eterna para essas pessoas e elas serão pra mim.
  O que eu plantei, vai florescer. Mas não sou eu quem vai colher.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Pobrezinha 
Só sabe falar de amor e coisas do coração
Sobre dias ensolarados e sobre primaveras
E as coisas que o mundo esqueceu
Ah, mas coitadinha!
Tem vergonha de dizer que ama de verdade 
Porque no mundo de hoje, amor é piada 
E sobre a dor que apareceu
Oh, dózinho
Essa garota que vive sozinha num mundo
Inteiramente seu
Tenham piedade dessa menina
Que se cobre de solidão de noite
Pra chorar sobre as coisas bonitas
Que o mundo todo esqueceu
Minha saudade deita a sete palmos do chão
Minha saudade dorme faz algum tempo

Senhor

Me larga 
Eu não sou tua 
Vossa Senhoria
E solta as minhas correntes
Porque eu não sou teu pertence
Deixa de pintar o meu rosto com essa tinta 
Eu não sou tua tela
Solta esse pincel, eu não sou tua obra

Por favor, Senhor
Não coleta mais minhas lágrimas
Deixa que caiam no chão
Deixa que molhem a terra
E que rasguem o meu rosto
Porque mais uma vez
Eu não sou tua

Deixa que eu me enterre sem correntes
Sem amarras, sem dívidas
Deixa que eu me afogue sem estar presa
Então me solta porque hoje é meu dia
Me solta, Senhorinho, me solta 
Pois eu sou tua

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Segredo daqueles nossos

É um segredo daqueles nossos
Que a gente guarda no coração
E solta do peito na hora de dormir
Pra gente poder sonhar, e no sonho
A gente não é mais segredo
Daquele um dos nossos

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Malas

Nunca minhas lágrimas escorrerram tão ácidas pelo meu rosto quando no dia em que eu percebi que era tarde demais
Nunca houveram tantas delas
E nunca haviam me queimado tanto
E nunca houve dor tão imensa
Quanto a que eu senti quando percebi
Que eu ja tinha ido embora
E deixei meu amor
Pra


Trás

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Paralelos

Como um mais um são dois
Nós éramos um 1/2
Paralelos que se cruzaram na minha história
Você chegou no momento em que eu enterrei meu coração
Como paralelos não devem se cruzar
Você foi um erro
Meu coração continuou enterrado e você cavava em minhas feridas
E como um e um são dois
Nós éramos um 1/2
E eu pensei que nós éramos paralelos
Mas você era só uma transversal
E você seguiu por outra direção
E como um e um são dois
Eu sou só uma