terça-feira, 23 de setembro de 2014

Diário de bordo 2

Só mesmo o vento cantando na minha janela pra me fazer dormir. Nos últimos dias, o sono vem engolido pelo choro. Sustentado pela minha angústia, as lágrimas me percorrem até que a última delas venha com um cansaço que me abata. Não há música, não há oração que me faça dormir sem pensar em você. E em como eu fui egoísta. E como eu estou sendo egoísta.
[pausa] 
Eu finjo que você dorme ao meu lado. E que sua mão, sempre tão grande para o meu rosto, percorre meu corpo. O meu acalento. O meu descanso. Eu vivo em fogo, em brasa, em lava. E você me acalmava. Teu abraço, teu rosto. Ao dormir, eu finjo. Ao acordar, eu minto. Não te tenho. Te perdi. E me perdi.
Eu, que sou fogo e me afogo. 

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