Sempre tive problemas com sinceridade. Falta dela, ou excesso. E agora me vejo com um problema de excesso. Sou sincera demais. Comigo e com os outros. Mentira é algo com o qual eu não lido bem. Talvez porque eu tenha sido alvos de sucessivas e corrosivas mentiras que destruíram meu senso de perdão. Eu não perdoo mentira. Perdoei muitas, e não tive recompensa. Agora me mantenho fiel à verdade, e muitas vezes, por mais que me doa, ela é a única que permanece comigo. Uma mentira o vento leva. O vento levou todas as mentiras que um dia me foram ditas e agora nada me restou a não ser a verdade que eu tenho dentro de mim.
Aguardo a recompensa pela sinceridade exagerada, pela verdade encrustada em meu corpo como meu único sinal de fraqueza. Por vezes, gostaria que eu pudesse fingir que certas coisas, certas palavras e comportamentos são aceitáveis. Meu rosto se contrai em desgosto e minha voz não me deixa mentir. Eu sou a minha própria mentira. Por ser verdadeira, sou uma farsa. O que isso diz sobre mim?
A mentira o vento leva.
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