segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O que é que tem
De baixo de uma roupa
Que importa tanto?
O que é que eu sou
Senão não sou
O que há debaixo
Das minhas roupas?

Por que eu sinto que o meu corpo rejeita a minha alma?

*música tocando*
Dei risada porque fiquei com vergonha
Você mastigando e me olhando
Limpa o canto da sua boca, mor
Finalmente eu senti você se apaixonando
Eu te amo

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Homem

Uma vez homem inventou comunidade
Inventou internet, inventou telefone
Homem inventou comunicação
Dentro de comunidade
Homem se sente sozinho
Dentro de comunidade
Homem não conversa
Homem não ouve
Homem não sente
Homem não existe
Porque tem muita gente existindo
E muita gente ignorando a existência de homem
E homem dói
Dentro de sociedade
Homem chora
Dentro de caverna
Homem dorme
Dentro de mim
Homem morre

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Boneca de Pano

Sou da era do pano
E cheguei na era do plástico
Criança não quer mais boneca,
quer mulher
Eu sou só menina
Eu sou só de pano
Eu sou só sozinha

Descosturei o meu braço
Mas criança quer o que eu não sou
Criança quer brincar de mulher
E eu sou só menina,
Eu sou só sozinha

Rasguei o meu peito de algodão, minhas pernas de retalho
E o meu pulso de pano
Eu não sou boneca
Eu sou só menina
Eu sou só sozinha

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Eu tomei alguns remédios
Só pra dormir
Eu preciso muito dormir

As coisas estão muito escuras, e tateando no escuro eu não consigo encontrar o interruptor.
Ninguém me escuta, por que?
Amanheceu
Mas eu estou chorando e minha visão está embaçada
Eu não consigo escrever minhas cartas
Eu preciso pedir desculpas
Dói
Muito
Eu não sei porque dói
Mas dói
O céu parece mais azul
E eu estou muito sozinha
Por que?
Eu grito mas não ouço nenhum som vindo da minha boca
Por que?
Eu só quero dormir um pouco
Por favor, mãe, me deixa dormir só um pouco

Eu preciso fazer tanta coisa
Por que minha cabeça dói?
Por que meu corpo dói?

Escureceu
Não tem mais interruptor
E eu estou com sono
Então eu vou dormir
Só um pouco
Só pra minha solidão passar
Mas é só um pouco

terça-feira, 26 de novembro de 2013

[Desabafo 2]

Eu tenho dentro de mim um amor tão grande, um amor tão inédito, um amor que me machuca tanto e ao mesmo tempo cura todas as minhas dores. Queria que isso fosse o suficiente, mas não é. Eu não entendo por que nós [eu e você] fizemos isso um com o outro. Eu não entendo porque nós nos magoamos tantas e tantas vezes que agora ficou difícil, mesmo com todo o amor que a gente tinha/tem. Eu digo por mim, porque eu não sei o que você sente - mas eu te amo com todas as minhas forças. Você sabe que eu faria e fiz de tudo pra você conseguir enxergar isso. Eu queria entender porque é tão difícil amar você e mesmo assim eu faço com tanta facilidade que até me assusta [...]

[Desabafo]

Eu tinha e tenho dentro de mim
Um amor surreal
Um amor tão grande e tão pequeno
Que fazia meu coração transbordar

Eu tinha e tenho dentro de mim
Um amor tão inédito
Que depois de tanto tempo
Ainda fazia o meu coração acelerar

Eu tinha e tenho dentro de mim
Um pedestal só pra você
Que de tão alto que era
Você mal conseguia me ver

Eu tinha dentro de mim
Você

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Morfinácea

É um vício
E um mistério
Um tanto bobo
Mas ninguém entende
O porque de eu te amar tanto
E você me magoar na mesma quantidade

E eu ainda não fui embora
E nem sequer
Fiz minhas malas
Pra ir

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Morro

Eu morro a toda hora
A todo momento e a todo minuto
Eu respiro, mas eu morro
Eu vivo, mas eu morro

E a cada segundo que passa
Eu não existo mais
Porque morri no segundo passado

Enterra-me antes que minha alma morra
Antes de meu corpo morrer

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Desenhando-te

Se meus rascunhos e rabiscos demonstrassem o que eu sinto
Eu rabiscaria vários vulcões ardentes
Rabiscaria vários cortes em minha pele
E escreveria sobre a primavera e suas flores
Rascunharia sobre a minha dor e acima de tudo, sobre o meu amor

Mas se eu soubesse desenhar
Eu desenharia você
Você feio, você bonito
Você em vulcões, você em meus cortes
Você nas flores, você na minha dor
Você no meu amor

Porque acima de tudo
Tudo o que eu sinto é você

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Será a dor o único meio de saber que o amor é real?

Esvair

Sentimento equivocado
Machucado
Me deixa sangrando no chão
E eu insisto em recolher os cacos de vidro com as mãos vazias

Por que, meu bom Deus?
Por que tão grande é meu amor
E tão absurda a minha dor?

Por que tão descontrolado é o meu desejo?
E tão apavorados os meus medos?

Por que, meu bom Deus
Eu vivo de amar tanto
E tanto, e tanto
E de tanto, tanto e tanto amar

A minha vida se esvai?

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Resenha

Eu sou só uma menina, e bem pequena
Mas tenho 1,68.

(O texto será cheio de EU's. Óbvio... É a minha visão.)

  Desde pequena (e isso é sério) eu me imaginava casando com alguém que fosse meu melhor amigo. Queria um companheiro. Não queria ficar sozinha. Ou me sentir sozinha. Menos pequena, eu conheci o amor (tem gente velha que fala que jovem não sabe de nada de amor, mas eu acho que ninguém nunca sabe se soube o que era ou se sabe o que é. Eu acho que sei) e, óbvio, me apaixonei. Mas não era nem esse o problema: o problema é quando você faz isso por alguém que é diferente de você. Que vai te magoar e no final você não consegue nem sequer ficar magoada de verdade porque você gosta demais.
  E eu tenho esse Q de acreditar muito (ex: até hoje acredito em magia). E eu acredito muito que quando você conhece alguém, e essa pessoa gosta de você e você gosta dela ao mesmo tempo, isso fica muito "mágico"(convenhamos, o ser humano é um bicho difícil de gostar e conhecer de verdade...). E vocês se apaixonam, e se amam e ficam se amando e de repente alguém pára de amar. Mas a outra pessoa continua - e usando aquela metáfora estúpida de que o amor é uma corda e tem duas pontas, e cada pessoa tem que segurar uma - e deixa cair a corda. E sempre tem a outra pessoa que continua tentando atar as duas pontas da corda, tentando fazer o amor continuar sozinha... E não é assim. E é a parte que dói. É a parte que dói em mim por acreditar tanto no amor, por acreditar tanto que as pessoas podem sim encontrar alguém pra vida toda. É ver todos os dias um casal que você via nos olhos a paixão soltando da corda por pequenos problemas. Eu não consigo aceitar que essas pessoas estão desistindo de alguma coisa que poderia ser maravilhosa sem ao menos se esforçar.
  Mas eu também entendo que as vezes dói muito segurar a corda sozinha. Continuar acreditando numa coisa que talvez não esteja mais ali...
 

   Dói demais deixar a corda cair.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Senti congelar as lágrimas no meu rosto
E o vento frio da noite varrendo para longe os restos de quem eu fui

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Gruta

Dentro de uma gruta
Seca e fria
Eu descansei
E chorei por várias e várias noites
Até secar meu coração
E fazer da gruta, úmida

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Rezo para que a minha dor seja menos constante que o meu riso
Que minhas cartas sejam mais completas de alegria e amor do que o meu coração é de tristeza e solidão
Que o sol chegue aos meus olhos fechados
E que abra a minha mão para que eu possa segurar a tua

Rezo para que minha dor se acabe em teus braços
E que eu sangre de paixão
E nunca mais de solidão

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

  Porque dói no meu peito talvez eu não saiba explicar a solidão que você me traz. Ao mesmo tempo que me traz amor e vida, decepa as raízes de quem eu sou - como se você não me amasse de verdade e quisesse colocar outra pessoa no meu lugar.
  E é porque eu te amo tanto, mas te amo tanto que eu deixo de ser e você me enche com o seu amor.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

É difícil dizer quando amadureci
Se foi quando criança e dormi de luz apagada
Ou se foi quando grande e liguei o meu abajur

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Do pó viemos

Acho irônico o fato de que a gente nasce enrugadinho
Com o coração a mil
Em um leito de hospital
E tem que usar fralda
Porque a gente ainda não sabe se controlar

Daí  a gente fica velho e fica enrugadinho
Com o coração a quase nada
E tem que ir pro hospital
E de novo a gente usa fralda
Porque a gente já perdeu o controle

domingo, 9 de junho de 2013

Quando crianças e encaramos a morte
Não tememos
Não choramos
Mas permanecemos em calma
Pensamos que as pessoas tornar-se-ão anjos
E dormirão na cabeceira de nossas camas
Construindo os nossos sonhos
Como nós os vivemos

Mas

Quando jovens e encaramos a morte
Nós tememos
Nós choramos
E entramos em pânico
Porque tudo o que vemos é escuridão
E as sombras que se foram para dentro dela
Pensamos que os mortos tornar-se-ão demônios
E que nos assombrarão durante a noite
Como o nosso próprio ser faz

E quando adultos e encaramos a morte
Nós vivemos dentro dela
Com seguros e caixões
E carros importados
E relógios contando quanto tempo nos falta
Para que possamos ser crianças de novo
E dormir na cabeceira de quem nós amamos
Construindo-lhes os sonhos
Que nós nunca vivemos

domingo, 12 de maio de 2013

Mamãe, a minha

O quanto eu já ouvi de meninas que ficam chateadas por suas mães dizerem o que devem vestir, como devem se comportar e como devem comer? Eu, felizmente, não passei por isso. Ao olhar umas fotos velhas me deparei com um xale velho ridículo que era da minha bisavó - e que minha mãe me deixava ir pra escola com ele. E eu me perguntando: por que diabos minha mãe me deixava usar isso? Era ridículo! Ou quando olho minhas fotos de aniversário e vejo aquelas coroas horríveis de plástico que eu colocava na cabeça e realmente me sentia na realeza. E ELA NUNCA ME DEIXAVA OUVIR XUXA! Então, aquela maquiagem de mercadinho que a gente sempre ganhou da avó - e que eu, quando ganhava, pintava não só o meu rosto, mas a casa inteira. E eu fiz coisas tão absurdas, e tão ridículas, e me comportei mal em jantares e arrotei alto.  E nunca apanhei por isso. E só hoje eu fui me dar conta de que minha mãe não reclamava dessas coisas porque ela queria que eu fosse eu. Que eu tivesse uma personalidade própria, diferente de todas. Não sei se foi assim que eu cresci, mas eu cresci do meu jeito. E usei roupas ridículas sem me importar com os outros. E eu ainda sinto os valores que a minha mãe me ensinou. Eu fui gordinha e comia o quanto eu queria e minha mãe nunca se importou com a aparência que eu tinha. Eu digo todos os dias que não aproveitei minha mãe direito. Não fiz os pudins que ela queria que eu fizesse e nem consegui cozinhar nada decente. Não arrumei o meu quarto e manchava as toalhas de esmalte. Deixava o cabelo no ralo do banheiro e usava as jóias dela sem permissão. Não fui assistir filmes emocionais quando ela me pedia pra assistir com ela.
Hoje em dia eu ainda não arrumo o meu quarto e ainda mancho as toalhas de esmalte. Só pra ouvir uma briguinha. Mas eu não ouço.
Procuro todos os filmes que perdi de ver com ela para que eu possa assistir sozinha e sentir a sua presença sobre mim, com aquele sozinho que dizia sempre: "foi engraçado filha, mas não faça de novo".
Não quero que isso seja um texto triste ou moralizante para quem trata a família mal (quem nunca?). Eu só quero que ao ler isso aqui, você perceba quantas brigas inúteis você travou com sua mãe. Quantas guerras sem motivo e quanta gritaria sem razão. Eu quero que hoje, só hoje, você arrume o seu quarto, penteie seu cabelo e não manche uma toalha de esmalte. Só hoje, cozinhe algo que sua mãe sempre tentou te ensinar. E sorria para ela, porque sua mãe te ama.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Tem dia que a gente acorda e tem vontade de comer coisa salgada
Ou coisa doce

Mas hoje eu acordei e pedi amor
Só uma pitadinha
Só uma colherzinha

quinta-feira, 2 de maio de 2013

eu tenho sonhos grandes
que pesam em mim
e eu tenho um grande amor
que pesa em mim
e eu tenho pernas grandes
que correm rápido
e vão deixando pra trás

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Eu acho que o ser humano é solitário e que o amor são duas - ou várias - pessoas solitárias juntas.
E a gente junta nossa solidão e faz algo bonito com ela. Como se fosse um laço bonito.
Às vezes a gente quer desfazer desse laço, mas ele está com um nó tão bem dado que a gente desfaz ele sem desfazer da solidão.

Tem vezes que a gente finge que não está solitário.
Mas a gente tá.

A gente esquece que dois espíritos não casam como os corpos. Os espíritos são muito diferentes um do outro. Ás vezes, se a gente tem sorte, a gente acha algum que pode encaixar. Mas é só as vezes, se a gente tem muita sorte.

Tem vezes também que a gente esquece que é sozinho e a gente fica feliz. Ou que a gente não precisa de mais nenhum encaixa, que o nosso encaixe somos nós mesmos. Pode parecer também que a gente tem alguém feito pra gente. Um laço que vai caber no dedo. Em dois dedos diferentes. Daí a nossa solidão fica bonita e fica mais fácil de usar. Tipo seda.

Quando a gente fica nu, a gente compartilha a solidão. O amor é a roupa da solidão.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

E porque eu amo eu então choro
E por chorar melancolia de um amor sincero
Eu me encolho até virar pó

Amor que não me é respondido
E por vezes me deixa sozinha na calada da noite
E eu canto minha canção da saudade

E teu rosto, como num desenho, é perfeito em traços
E eu sinto a falta do teu sorriso dirigido a mim
Por mim

Por te amar tanto quanto posso, anseio pela tua mão
Que não aperta com a mesma intensidade a minha
E a deixa cair

Por te desejar tão bem e te querer tão próximo
Deixo de ser quem eu sou
Pra me tornar apenas alguém que ama

Pelo desprezo que tuas mãos aparentam ter das minhas
Eu choro
E as lágrimas do meu pranto me acolhem na calada da noite
Enquanto eu me encolho

Porque te amo muito e meu ser é pequeno demais

quinta-feira, 28 de março de 2013

Não literário

Eu queria poder ser uma ninfa
Podia ser pertencente à uma nascente
Ou também à uma grande árvore de flores douradas
E passear pela floresta em bonitos véus
E quando meu amor me magoasse
Eu não ficaria tão chateada
Me esconderia num tronco grande
Ou numa cachoeira bonita
E me sentiria parte de alguma coisa
Eu poderia me sentir parte de algo belo


E infinito


E então meu amor deixaria de existir
Porque eu pertenceria ao meu bosque
E eu seria apenas um sorriso arteiro
Dentro de uma casca de uma árvore
Caindo em um lago fundo
E tudo o que eu sinto de ruim desapareceria
E eu seria o bosque, o bosque me seria
E meus olhos brilhariam com o azul do céu
E eu seria algo belo como ao bosque
À que pertenço

segunda-feira, 25 de março de 2013

terça-feira, 12 de março de 2013

Retrato

Eu sou um espectro. Deixei de existir. Vejo por fora do meu corpo. Assisto às minhas próprias ações e diálogos sem ter controle nenhum sobre eles. Não tenho mais controle nem sobre minhas emoções. Assisto à tudo mas não vejo minha face. Não vejo mais minhas expressões. Não me vejo. Acho que eu faleci e não me lembro. Só essa explicação serve para tamanha inexistência da minha pessoa.

Pessoa?

Meu pranto corre num rio seco dentro de minha alma.

Alma?

Quando eu deixei de existir? Quando eu deixei de me habitar? Quando foi que eu deixei de viver?

Morrer.

quarta-feira, 6 de março de 2013

sexta-feira, 1 de março de 2013

Sejando

Acho que eu não sou quem eu queria ser
Ou quem meu pai queria que eu fosse
Ou a mulher que minha mãe esperava
Acho que eu não sou nem quem meu namorado queria que eu fosse - porque eu sempre fui cheia de erros e carrego comigo uma mala deles. Acho também que eu nunca vou poder ser quem eu queria ser se eu continuar sendo a pessoa que todo mundo espera que eu seja - mas que ainda sim eu não sou. Se eu não sou o que esperam que eu seja e eu não sou quem eu queria ser

Então eu acho que eu não sou 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Chuva

O que mais doeu foi quando eu fui até você debaixo da chuva
E queria reatar
Mas o amor que você sente por mim, acho que não existe mais
Então o amor que eu sinto por você só te fez afastar
Voltei debaixo da chuva
Sem você pra amar

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Em mim, de mim

E no meio dos meu soluços - afogada
Eu gritei a minha dor
O meu amor
Emagada
Eu chorei o câncer que estava aqui
Chorei você
Que eu tanto amei

Minha mãe teria vergonha se me visse assim
Por um garoto que não quer mais o amor em mim


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O problema do meu quarto

Eu já sabia
Não dá pra ter tudo ao mesmo tempo
Ou eu tinha meu quarto arrumado
Ou você namorando comigo
Nunca me importei com roupa suja no chão
E par de meia perdido
Se em cima da minha cama desfeita eu tinha você
Que deitava em cima de toda a bagunça pra me beijar
Sem se importar
Mas agora eu arrumei o meu quarto
E você não vem mais aqui







É por isso que eu nunca gostei de arrumar as minhas coisas.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Mendigando o teu amor

Não deixa de me amar
Por favor, não deixa de me amar
Eu não ia suportar tamanha dor
De novo, não deixa de me amar
De me querer bem (já quis um dia?)
Não vai embora
Fica aqui
Mas por favor, amor
Não deixa de me amar

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ego eu ísta

No meio dessa nossa dor
Do nosso sofrimento
Do coração rasgado em pedaços
E do nosso choro que fica até a gente ir dormir
Eu só queria te dizer (quero que você saiba)
Que você é lindo e eu amo cada traço do seu rosto
Da sua sobrancelha até seus lábios (que eu tanto gosto de beijar)
E que eu amo as suas linhas
Você parece um poema escrito por Deus
Um anjo só pra mim
E o seu corpo é maravilhoso, e o seu sorriso te torna perfeito

No meio de toda essa confusão
Eu só quero que você saiba (eu queria te dizer)
Que eu te amo
E cada momento longe de você me faz te amar ainda mais
E que eu te desejo
E que cada traço teu é um pecado para mim

Seja o meu poema
Seja meu
Me torna tua
E me deixa fazer parte dessa poesia que é você
Esquece a tua dor e se afoga no meu amor
Se afoga em mim
Se esquece em mim

Eu gostaria de poder tirar a sua dor e a colocar no meu peito
E que eu pudesse sofrer o dobro por você
E não ver você chorar (ou se estressar)
Porque eu queria ver o seu sorriso sincero
De quem está feliz, de quem está contente
Mas agora você sofre e eu choro
Choro porque não sei fazer a sua dor parar
E a minha, que só se faz aumentar
E de tolos que nós somos
Nos afastamos
E eu choro porque você vai indo embora
E o meu amor está com você
E a minha dor também
E os meus sonhos e caminhos
Todos eles estão com você
E a sua dor não está comigo
E você está levando também o seu amor



Não vai embora,

amor.

Fica mais um pouco aqui comigo


Fica pra sempre




Porque eu te amo

Você

Sinto falta dos nossos abraços carinhosos, do tempo que você gostava de ficar só comigo
Do tempo que você não soltava minha mão mesmo que os seus dedos doessem
A saudade do tempo que você não cansava de me olhar (e agora você só me olha pra tirar os cravos do meu queixo)
O que me dói no peito era a saudade do tempo que você gostava de dizer que me amava (e agora diz pra eu ficar quieta)
A saudade de quando você me abraçava forte e dava a entender que seria eu e você pra sempre
Mas agora a saudade me dói no peito porque você não quer mais ficar tanto comigo
E não sente mais prazer no meu sorriso
E a culpa de todas as coisas é somente minha
E eu sinto saudade do tempo quando eu não queria que você fosse diferente (porque você era carinhoso)
E agora é só pedra e pau e pau e pedra
Esqueceu dos meus poemas, dos meus sorrisos e dos meus cuidados (mas eu não me esqueci de todos os cuidados que me deu)
Você esqueceu de que me ama e se lembrou dos meus defeitos
E esqueceu dos meus olhos (que antes te faziam sorrir)
Mas se lembrou das minhas espinhas (que você gosta de espremer, mesmo sabendo que só vai inflamar mais)

O que mais dói
E me estilhaça o peito
É saber que eu te amo mais que tudo (mais que todas as estrelas no céu e mais que todos os grãos de areia no mundo)
Mas que o nosso amor está sendo desgastado
Pelos meus erros invisíveis e pela sua teimosia
Culpa minha e culpa sua?
E agora eu fiquei proibida de amar você
Sendo que eu te amo mais que tudo
E o que eu mais queria
Era que você me amasse sinceramente
E de volta
E completamente
E para sempre

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sobreviva sobre a vida

Minha alma morreu e meu coração parou
Numa pérola crescendo dentro do meu corpo
Minha respiração acabou e meu coração acelerou
Numa onda crescendo em minhas mãos
E no vai e vem que tem
Eu fiquei
E morri
Duas vezes
E você está sofrendo
Estou para morrer mais uma vez
Enquanto você chora eu fico
E morro mais um pouco pela sua dor
Incurável como a minha
Inesquecível como a minha
E nossos corações vão morrendo juntos
E vamos falecendo
Mas se estamos juntos e nossas dores coincidem
Nós vivemos
Sobrevivemos
Sobre a vivemos
Sobre a vida eu vou com a minha dor
Sobre a vida eu vou com a sua dor
Sobre a vida nós vamos
Sobre a vida, mais uma vez eu vou
Por você



Para o meu amor João Vitor.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013



Lar da gente

Uma das coisas que eu mais aprecio é viagem de carro. As coisas se movem tão rápido ao redor enquanto eu continuo parada com a mesma respiração lenta. E uma música alta para que eu não ouça o som das rodas em atrito com o asfalto. Foi o que eu obtive. Numa tarde de domingo ensolarada com o tempo fresco. Uma paisagem bonita, uma música calma e minha família. E depois da minha mãe falecer, eu juro: foi  a primeira sensação de lar verdadeiro que eu tive. Aquela sensação que a gente sente quando encontra alguém que gosta ou algum lugar que dê paz; aquela sensação de que nós pertencemos a algo. Finalmente não me senti uma forasteira. Finalmente senti como se pertencesse a algo. Por mais estranho que seja, a minha sensação de 'lar' vêm de várias coisas diferentes - mas nunca tinha vindo da minha família. Não até domingo. Meu pai dirigia em silêncio enquanto nós ouvíamos uma música e meu irmão roncava no banco de trás. A única coisa que se mantinha na minha cabeça era que eu finalmente poderia morrer. Eu morreria em paz se morresse naquele momento, naquele instante de felicidade que eu tive. Naquela fração de minutos que eu senti - finalmente - que minha família era o meu lar. E que eu seria sempre o lar deles. Por mais diferenças que nós tenhamos. E que o meu lar seriam aonde eles estivessem.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Chovendo-me


É quase poético como a chuva lava. A chuva é poética. Conhece todos os lugares do mundo e os visita com frequência. Já atingiu milhares de pessoas em milhares de momentos diferentes. Em pedidos de casamento ou em funerais. Ou traz ou leva. Geralmente, traz muito e leva pouco. E me deixa molhada e fria como se eu realmente estivesse parada embaixo desse temporal. Mas ela sempre atinge. E sempre que chove forte, sempre que os ventos rasgam as minhas janelas, sempre que o céu está em guerra com a terra eu me sinto uma certa paz. Talvez pela mentira que eu conto para mim mesma, dizendo que chove apenas lá fora e aqui dentro eu estou segura. E toda vez que os pingos - mesmo com toda a resistência das minhas janelas fechadas - entram dentro de casa e chegam até mim, eu chovo junto. Não me traz mais nada. Me leva. Me lava.

Os sonhos de Catarina



Catarina era solitária. Não gostava de ficar acordada. Seus sonhos eram tão mais lindos do que a vida real! Vales e cachoeiras, e histórias de amor que se tornavam realidade aconteciam sempre que pegava no sono. Mas um dia Catarina estava com o coração doendo e não conseguia dormir. Deuses ouviram o seu desespero por dormir e lhe concederam três sonhos magníficos - mas assim que acordasse, talvez nunca mais poderia sonhar algo parecido com eles novamente. Catarina aceitou. Seu coração pesava em mágoa e dor e a vida lhe machucava intensamente. Então dormiu. E sonhou com um vale maravilhoso, cheio de fadas e criaturas mágicas. Com montes de terra de pulavam ao contato com os pés e peixes que se deixavam ser montados. Então acordou. E chorou. E chorou muito. Chorou porque não queria ter acordado e quando o fez sua vida estava pior do que quando adormecera. E ouviram o seu choro e lhe deram o segundo sonho. Catarina sonhou com uma paixão arrebatadora entre um robô e uma humana e que a cada toque apaixonado que a humana dava ao robô, ele se transformava em humano também. E Catarina sentiu cada toque e cada beijo como se fosse ela a vivenciar a experiência. Mas o sonho acabou e Catarina acordou. Catarina chorou mais do que havia chorado antes. Sabia que nunca teria um amor como o qual sonhou e sabia que seria impossível ter um com a vida que tinha. E Catarina rasgou-se com as mãos e caiu em desespero porque só tinha mais um sonho. E este seria o seu último. Então os deuses ouviram o seu pranto e lhe deram o terceiro sonho, com muito pesar no coração. E Catarina sonhou com um espelho. Sonhou que se abria para dentro e que por dentro de sua pele havia vales e montanhas, cachoeiras e rios, fadas e duendes, casais apaixonados e crianças nascendo. Todas as fantasias e sonhos que um dia pudera imaginar - estavam todos dentro de si. Ela era os sonhos e as fantasias e ela vivia para dentro. Ela acordava-se para si mesma todas as noites. E Catarina sonhou.

"Sonhar é acordar-se para dentro”.

Amigo Imaginário

Ele tinha um desenho. Usou o punho para fazê-lo. E o desenho o acordou. Parecia uma grande meleca preta com dois olhos de burquinha. E o desenho o encarava. Era pequeno como uma mão de criança. Ele não se sentia tão triste no início. Mas a vida era difícil e ele chorava às vezes.
O às vezes se tornou frequente. E o desenho sempre estava lá e o confortava. E o desenho cresceu. E cresceu. Crescia junto com a dor no peito dele. E o desenho ocupou o quarto inteiro. E a casa. E o jardim. E quando o desenho não cabia mais em lugar nenhum, ele fez outro desenho. Usou os pulsos para fazê-lo.

Meu poema sobre o amor

Cafuné, conchinha 
Abraço, briguinha
Beijinho, careta
Mãos dadas e um sorriso
Você está aqui
Como também está lá
E está por todos os lados
E permanece comigo
Sempre