segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Homem
Inventou internet, inventou telefone
Homem inventou comunicação
Dentro de comunidade
Homem se sente sozinho
Dentro de comunidade
Homem não conversa
Homem não ouve
Homem não sente
Homem não existe
Porque tem muita gente existindo
E muita gente ignorando a existência de homem
E homem dói
Dentro de sociedade
Homem chora
Dentro de caverna
Homem dorme
Dentro de mim
Homem morre
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Boneca de Pano
E cheguei na era do plástico
Criança não quer mais boneca,
quer mulher
Eu sou só menina
Eu sou só de pano
Eu sou só sozinha
Descosturei o meu braço
Mas criança quer o que eu não sou
Criança quer brincar de mulher
E eu sou só menina,
Eu sou só sozinha
Rasguei o meu peito de algodão, minhas pernas de retalho
E o meu pulso de pano
Eu não sou boneca
Eu sou só menina
Eu sou só sozinha
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Só pra dormir
Eu preciso muito dormir
As coisas estão muito escuras, e tateando no escuro eu não consigo encontrar o interruptor.
Ninguém me escuta, por que?
Amanheceu
Mas eu estou chorando e minha visão está embaçada
Eu não consigo escrever minhas cartas
Eu preciso pedir desculpas
Dói
Muito
Eu não sei porque dói
Mas dói
O céu parece mais azul
E eu estou muito sozinha
Por que?
Eu grito mas não ouço nenhum som vindo da minha boca
Por que?
Eu só quero dormir um pouco
Por favor, mãe, me deixa dormir só um pouco
Eu preciso fazer tanta coisa
Por que minha cabeça dói?
Por que meu corpo dói?
Escureceu
Não tem mais interruptor
E eu estou com sono
Então eu vou dormir
Só um pouco
Só pra minha solidão passar
Mas é só um pouco
terça-feira, 26 de novembro de 2013
[Desabafo 2]
[Desabafo]
Um amor surreal
Um amor tão grande e tão pequeno
Que fazia meu coração transbordar
Eu tinha e tenho dentro de mim
Um amor tão inédito
Que depois de tanto tempo
Ainda fazia o meu coração acelerar
Eu tinha e tenho dentro de mim
Um pedestal só pra você
Que de tão alto que era
Você mal conseguia me ver
Eu tinha dentro de mim
Você
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Morfinácea
É um vício
E um mistério
Um tanto bobo
Mas ninguém entende
O porque de eu te amar tanto
E você me magoar na mesma quantidade
E eu ainda não fui embora
E nem sequer
Fiz minhas malas
Pra ir
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Morro
Eu morro a toda hora
A todo momento e a todo minuto
Eu respiro, mas eu morro
Eu vivo, mas eu morro
E a cada segundo que passa
Eu não existo mais
Porque morri no segundo passado
Enterra-me antes que minha alma morra
Antes de meu corpo morrer
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Desenhando-te
Se meus rascunhos e rabiscos demonstrassem o que eu sinto
Eu rabiscaria vários vulcões ardentes
Rabiscaria vários cortes em minha pele
E escreveria sobre a primavera e suas flores
Rascunharia sobre a minha dor e acima de tudo, sobre o meu amor
Mas se eu soubesse desenhar
Eu desenharia você
Você feio, você bonito
Você em vulcões, você em meus cortes
Você nas flores, você na minha dor
Você no meu amor
Porque acima de tudo
Tudo o que eu sinto é você
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Esvair
Sentimento equivocado
Machucado
Me deixa sangrando no chão
E eu insisto em recolher os cacos de vidro com as mãos vazias
Por que, meu bom Deus?
Por que tão grande é meu amor
E tão absurda a minha dor?
Por que tão descontrolado é o meu desejo?
E tão apavorados os meus medos?
Por que, meu bom Deus
Eu vivo de amar tanto
E tanto, e tanto
E de tanto, tanto e tanto amar
A minha vida se esvai?
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Resenha
Mas tenho 1,68.
(O texto será cheio de EU's. Óbvio... É a minha visão.)
Desde pequena (e isso é sério) eu me imaginava casando com alguém que fosse meu melhor amigo. Queria um companheiro. Não queria ficar sozinha. Ou me sentir sozinha. Menos pequena, eu conheci o amor (tem gente velha que fala que jovem não sabe de nada de amor, mas eu acho que ninguém nunca sabe se soube o que era ou se sabe o que é. Eu acho que sei) e, óbvio, me apaixonei. Mas não era nem esse o problema: o problema é quando você faz isso por alguém que é diferente de você. Que vai te magoar e no final você não consegue nem sequer ficar magoada de verdade porque você gosta demais.
E eu tenho esse Q de acreditar muito (ex: até hoje acredito em magia). E eu acredito muito que quando você conhece alguém, e essa pessoa gosta de você e você gosta dela ao mesmo tempo, isso fica muito "mágico"(convenhamos, o ser humano é um bicho difícil de gostar e conhecer de verdade...). E vocês se apaixonam, e se amam e ficam se amando e de repente alguém pára de amar. Mas a outra pessoa continua - e usando aquela metáfora estúpida de que o amor é uma corda e tem duas pontas, e cada pessoa tem que segurar uma - e deixa cair a corda. E sempre tem a outra pessoa que continua tentando atar as duas pontas da corda, tentando fazer o amor continuar sozinha... E não é assim. E é a parte que dói. É a parte que dói em mim por acreditar tanto no amor, por acreditar tanto que as pessoas podem sim encontrar alguém pra vida toda. É ver todos os dias um casal que você via nos olhos a paixão soltando da corda por pequenos problemas. Eu não consigo aceitar que essas pessoas estão desistindo de alguma coisa que poderia ser maravilhosa sem ao menos se esforçar.
Mas eu também entendo que as vezes dói muito segurar a corda sozinha. Continuar acreditando numa coisa que talvez não esteja mais ali...
Dói demais deixar a corda cair.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Gruta
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Rezo para que a minha dor seja menos constante que o meu riso
Que minhas cartas sejam mais completas de alegria e amor do que o meu coração é de tristeza e solidão
Que o sol chegue aos meus olhos fechados
E que abra a minha mão para que eu possa segurar a tua
Rezo para que minha dor se acabe em teus braços
E que eu sangre de paixão
E nunca mais de solidão
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
E é porque eu te amo tanto, mas te amo tanto que eu deixo de ser e você me enche com o seu amor.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Do pó viemos
Com o coração a mil
Em um leito de hospital
E tem que usar fralda
Porque a gente ainda não sabe se controlar
Daí a gente fica velho e fica enrugadinho
Com o coração a quase nada
E tem que ir pro hospital
E de novo a gente usa fralda
Porque a gente já perdeu o controle
domingo, 9 de junho de 2013
Não tememos
Não choramos
Mas permanecemos em calma
Pensamos que as pessoas tornar-se-ão anjos
E dormirão na cabeceira de nossas camas
Construindo os nossos sonhos
Como nós os vivemos
Mas
Quando jovens e encaramos a morte
Nós tememos
Nós choramos
E entramos em pânico
Porque tudo o que vemos é escuridão
E as sombras que se foram para dentro dela
Pensamos que os mortos tornar-se-ão demônios
E que nos assombrarão durante a noite
Como o nosso próprio ser faz
E quando adultos e encaramos a morte
Nós vivemos dentro dela
Com seguros e caixões
E carros importados
E relógios contando quanto tempo nos falta
Para que possamos ser crianças de novo
E dormir na cabeceira de quem nós amamos
Construindo-lhes os sonhos
Que nós nunca vivemos
terça-feira, 21 de maio de 2013
domingo, 12 de maio de 2013
Mamãe, a minha
Hoje em dia eu ainda não arrumo o meu quarto e ainda mancho as toalhas de esmalte. Só pra ouvir uma briguinha. Mas eu não ouço.
Procuro todos os filmes que perdi de ver com ela para que eu possa assistir sozinha e sentir a sua presença sobre mim, com aquele sozinho que dizia sempre: "foi engraçado filha, mas não faça de novo".
Não quero que isso seja um texto triste ou moralizante para quem trata a família mal (quem nunca?). Eu só quero que ao ler isso aqui, você perceba quantas brigas inúteis você travou com sua mãe. Quantas guerras sem motivo e quanta gritaria sem razão. Eu quero que hoje, só hoje, você arrume o seu quarto, penteie seu cabelo e não manche uma toalha de esmalte. Só hoje, cozinhe algo que sua mãe sempre tentou te ensinar. E sorria para ela, porque sua mãe te ama.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
quinta-feira, 2 de maio de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
E a gente junta nossa solidão e faz algo bonito com ela. Como se fosse um laço bonito.
Às vezes a gente quer desfazer desse laço, mas ele está com um nó tão bem dado que a gente desfaz ele sem desfazer da solidão.
Tem vezes que a gente finge que não está solitário.
Mas a gente tá.
A gente esquece que dois espíritos não casam como os corpos. Os espíritos são muito diferentes um do outro. Ás vezes, se a gente tem sorte, a gente acha algum que pode encaixar. Mas é só as vezes, se a gente tem muita sorte.
Tem vezes também que a gente esquece que é sozinho e a gente fica feliz. Ou que a gente não precisa de mais nenhum encaixa, que o nosso encaixe somos nós mesmos. Pode parecer também que a gente tem alguém feito pra gente. Um laço que vai caber no dedo. Em dois dedos diferentes. Daí a nossa solidão fica bonita e fica mais fácil de usar. Tipo seda.
Quando a gente fica nu, a gente compartilha a solidão. O amor é a roupa da solidão.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
E por chorar melancolia de um amor sincero
Eu me encolho até virar pó
Amor que não me é respondido
E por vezes me deixa sozinha na calada da noite
E eu canto minha canção da saudade
E teu rosto, como num desenho, é perfeito em traços
E eu sinto a falta do teu sorriso dirigido a mim
Por mim
Por te amar tanto quanto posso, anseio pela tua mão
Que não aperta com a mesma intensidade a minha
E a deixa cair
Por te desejar tão bem e te querer tão próximo
Deixo de ser quem eu sou
Pra me tornar apenas alguém que ama
Pelo desprezo que tuas mãos aparentam ter das minhas
Eu choro
E as lágrimas do meu pranto me acolhem na calada da noite
Enquanto eu me encolho
Porque te amo muito e meu ser é pequeno demais
quinta-feira, 28 de março de 2013
Não literário
Podia ser pertencente à uma nascente
Ou também à uma grande árvore de flores douradas
E passear pela floresta em bonitos véus
E quando meu amor me magoasse
Eu não ficaria tão chateada
Me esconderia num tronco grande
Ou numa cachoeira bonita
E me sentiria parte de alguma coisa
Eu poderia me sentir parte de algo belo
E infinito
E então meu amor deixaria de existir
Porque eu pertenceria ao meu bosque
E eu seria apenas um sorriso arteiro
Dentro de uma casca de uma árvore
Caindo em um lago fundo
E tudo o que eu sinto de ruim desapareceria
E eu seria o bosque, o bosque me seria
E meus olhos brilhariam com o azul do céu
E eu seria algo belo como ao bosque
À que pertenço
segunda-feira, 25 de março de 2013
terça-feira, 12 de março de 2013
Retrato
Pessoa?
Meu pranto corre num rio seco dentro de minha alma.
Alma?
Quando eu deixei de existir? Quando eu deixei de me habitar? Quando foi que eu deixei de viver?
Morrer.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Sejando
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Chuva
E queria reatar
Mas o amor que você sente por mim, acho que não existe mais
Então o amor que eu sinto por você só te fez afastar
Voltei debaixo da chuva
Sem você pra amar
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Em mim, de mim
Eu gritei a minha dor
O meu amor
Emagada
Eu chorei o câncer que estava aqui
Chorei você
Que eu tanto amei
Minha mãe teria vergonha se me visse assim
Por um garoto que não quer mais o amor em mim
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
O problema do meu quarto
Não dá pra ter tudo ao mesmo tempo
Ou eu tinha meu quarto arrumado
Ou você namorando comigo
Nunca me importei com roupa suja no chão
E par de meia perdido
Se em cima da minha cama desfeita eu tinha você
Que deitava em cima de toda a bagunça pra me beijar
Sem se importar
Mas agora eu arrumei o meu quarto
E você não vem mais aqui
É por isso que eu nunca gostei de arrumar as minhas coisas.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Mendigando o teu amor
Por favor, não deixa de me amar
Eu não ia suportar tamanha dor
De novo, não deixa de me amar
De me querer bem (já quis um dia?)
Não vai embora
Fica aqui
Mas por favor, amor
Não deixa de me amar
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Ego eu ísta
Do nosso sofrimento
Do coração rasgado em pedaços
E do nosso choro que fica até a gente ir dormir
Eu só queria te dizer (quero que você saiba)
Que você é lindo e eu amo cada traço do seu rosto
Da sua sobrancelha até seus lábios (que eu tanto gosto de beijar)
E que eu amo as suas linhas
Você parece um poema escrito por Deus
Um anjo só pra mim
E o seu corpo é maravilhoso, e o seu sorriso te torna perfeito
No meio de toda essa confusão
Eu só quero que você saiba (eu queria te dizer)
Que eu te amo
E cada momento longe de você me faz te amar ainda mais
E que eu te desejo
E que cada traço teu é um pecado para mim
Seja o meu poema
Seja meu
Me torna tua
E me deixa fazer parte dessa poesia que é você
Esquece a tua dor e se afoga no meu amor
Se afoga em mim
Se esquece em mim
E que eu pudesse sofrer o dobro por você
E não ver você chorar (ou se estressar)
Porque eu queria ver o seu sorriso sincero
De quem está feliz, de quem está contente
Mas agora você sofre e eu choro
Choro porque não sei fazer a sua dor parar
E a minha, que só se faz aumentar
E de tolos que nós somos
Nos afastamos
E eu choro porque você vai indo embora
E o meu amor está com você
E a minha dor também
E os meus sonhos e caminhos
Todos eles estão com você
E a sua dor não está comigo
E você está levando também o seu amor
Não vai embora,
amor.
Fica mais um pouco aqui comigo
Fica pra sempre
Porque eu te amo
Você
Sinto falta dos nossos abraços carinhosos, do tempo que você gostava de ficar só comigo
Do tempo que você não soltava minha mão mesmo que os seus dedos doessem
A saudade do tempo que você não cansava de me olhar (e agora você só me olha pra tirar os cravos do meu queixo)
O que me dói no peito era a saudade do tempo que você gostava de dizer que me amava (e agora diz pra eu ficar quieta)
A saudade de quando você me abraçava forte e dava a entender que seria eu e você pra sempre
Mas agora a saudade me dói no peito porque você não quer mais ficar tanto comigo
E não sente mais prazer no meu sorriso
E a culpa de todas as coisas é somente minha
E eu sinto saudade do tempo quando eu não queria que você fosse diferente (porque você era carinhoso)
E agora é só pedra e pau e pau e pedra
Esqueceu dos meus poemas, dos meus sorrisos e dos meus cuidados (mas eu não me esqueci de todos os cuidados que me deu)
Você esqueceu de que me ama e se lembrou dos meus defeitos
E esqueceu dos meus olhos (que antes te faziam sorrir)
Mas se lembrou das minhas espinhas (que você gosta de espremer, mesmo sabendo que só vai inflamar mais)
O que mais dói
E me estilhaça o peito
É saber que eu te amo mais que tudo (mais que todas as estrelas no céu e mais que todos os grãos de areia no mundo)
Mas que o nosso amor está sendo desgastado
Pelos meus erros invisíveis e pela sua teimosia
Culpa minha e culpa sua?
E agora eu fiquei proibida de amar você
Sendo que eu te amo mais que tudo
E o que eu mais queria
Era que você me amasse sinceramente
E de volta
E completamente
E para sempre
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Sobreviva sobre a vida
Numa pérola crescendo dentro do meu corpo
Minha respiração acabou e meu coração acelerou
Numa onda crescendo em minhas mãos
E no vai e vem que tem
Eu fiquei
E morri
Duas vezes
E você está sofrendo
Estou para morrer mais uma vez
Enquanto você chora eu fico
E morro mais um pouco pela sua dor
Incurável como a minha
Inesquecível como a minha
E nossos corações vão morrendo juntos
E vamos falecendo
Mas se estamos juntos e nossas dores coincidem
Nós vivemos
Sobrevivemos
Sobre a vivemos
Sobre a vida eu vou com a minha dor
Sobre a vida eu vou com a sua dor
Sobre a vida nós vamos
Sobre a vida, mais uma vez eu vou
Por você
Para o meu amor João Vitor.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Lar da gente
domingo, 20 de janeiro de 2013
Chovendo-me
É quase poético como a chuva lava. A chuva é poética. Conhece todos os lugares do mundo e os visita com frequência. Já atingiu milhares de pessoas em milhares de momentos diferentes. Em pedidos de casamento ou em funerais. Ou traz ou leva. Geralmente, traz muito e leva pouco. E me deixa molhada e fria como se eu realmente estivesse parada embaixo desse temporal. Mas ela sempre atinge. E sempre que chove forte, sempre que os ventos rasgam as minhas janelas, sempre que o céu está em guerra com a terra eu me sinto uma certa paz. Talvez pela mentira que eu conto para mim mesma, dizendo que chove apenas lá fora e aqui dentro eu estou segura. E toda vez que os pingos - mesmo com toda a resistência das minhas janelas fechadas - entram dentro de casa e chegam até mim, eu chovo junto. Não me traz mais nada. Me leva. Me lava.
Os sonhos de Catarina
Catarina era solitária. Não gostava de ficar acordada. Seus sonhos eram tão mais lindos do que a vida real! Vales e cachoeiras, e histórias de amor que se tornavam realidade aconteciam sempre que pegava no sono. Mas um dia Catarina estava com o coração doendo e não conseguia dormir. Deuses ouviram o seu desespero por dormir e lhe concederam três sonhos magníficos - mas assim que acordasse, talvez nunca mais poderia sonhar algo parecido com eles novamente. Catarina aceitou. Seu coração pesava em mágoa e dor e a vida lhe machucava intensamente. Então dormiu. E sonhou com um vale maravilhoso, cheio de fadas e criaturas mágicas. Com montes de terra de pulavam ao contato com os pés e peixes que se deixavam ser montados. Então acordou. E chorou. E chorou muito. Chorou porque não queria ter acordado e quando o fez sua vida estava pior do que quando adormecera. E ouviram o seu choro e lhe deram o segundo sonho. Catarina sonhou com uma paixão arrebatadora entre um robô e uma humana e que a cada toque apaixonado que a humana dava ao robô, ele se transformava em humano também. E Catarina sentiu cada toque e cada beijo como se fosse ela a vivenciar a experiência. Mas o sonho acabou e Catarina acordou. Catarina chorou mais do que havia chorado antes. Sabia que nunca teria um amor como o qual sonhou e sabia que seria impossível ter um com a vida que tinha. E Catarina rasgou-se com as mãos e caiu em desespero porque só tinha mais um sonho. E este seria o seu último. Então os deuses ouviram o seu pranto e lhe deram o terceiro sonho, com muito pesar no coração. E Catarina sonhou com um espelho. Sonhou que se abria para dentro e que por dentro de sua pele havia vales e montanhas, cachoeiras e rios, fadas e duendes, casais apaixonados e crianças nascendo. Todas as fantasias e sonhos que um dia pudera imaginar - estavam todos dentro de si. Ela era os sonhos e as fantasias e ela vivia para dentro. Ela acordava-se para si mesma todas as noites. E Catarina sonhou.
"Sonhar é acordar-se para dentro”.
Amigo Imaginário
O às vezes se tornou frequente. E o desenho sempre estava lá e o confortava. E o desenho cresceu. E cresceu. Crescia junto com a dor no peito dele. E o desenho ocupou o quarto inteiro. E a casa. E o jardim. E quando o desenho não cabia mais em lugar nenhum, ele fez outro desenho. Usou os pulsos para fazê-lo.

