domingo, 20 de janeiro de 2013
Os sonhos de Catarina
Catarina era solitária. Não gostava de ficar acordada. Seus sonhos eram tão mais lindos do que a vida real! Vales e cachoeiras, e histórias de amor que se tornavam realidade aconteciam sempre que pegava no sono. Mas um dia Catarina estava com o coração doendo e não conseguia dormir. Deuses ouviram o seu desespero por dormir e lhe concederam três sonhos magníficos - mas assim que acordasse, talvez nunca mais poderia sonhar algo parecido com eles novamente. Catarina aceitou. Seu coração pesava em mágoa e dor e a vida lhe machucava intensamente. Então dormiu. E sonhou com um vale maravilhoso, cheio de fadas e criaturas mágicas. Com montes de terra de pulavam ao contato com os pés e peixes que se deixavam ser montados. Então acordou. E chorou. E chorou muito. Chorou porque não queria ter acordado e quando o fez sua vida estava pior do que quando adormecera. E ouviram o seu choro e lhe deram o segundo sonho. Catarina sonhou com uma paixão arrebatadora entre um robô e uma humana e que a cada toque apaixonado que a humana dava ao robô, ele se transformava em humano também. E Catarina sentiu cada toque e cada beijo como se fosse ela a vivenciar a experiência. Mas o sonho acabou e Catarina acordou. Catarina chorou mais do que havia chorado antes. Sabia que nunca teria um amor como o qual sonhou e sabia que seria impossível ter um com a vida que tinha. E Catarina rasgou-se com as mãos e caiu em desespero porque só tinha mais um sonho. E este seria o seu último. Então os deuses ouviram o seu pranto e lhe deram o terceiro sonho, com muito pesar no coração. E Catarina sonhou com um espelho. Sonhou que se abria para dentro e que por dentro de sua pele havia vales e montanhas, cachoeiras e rios, fadas e duendes, casais apaixonados e crianças nascendo. Todas as fantasias e sonhos que um dia pudera imaginar - estavam todos dentro de si. Ela era os sonhos e as fantasias e ela vivia para dentro. Ela acordava-se para si mesma todas as noites. E Catarina sonhou.
"Sonhar é acordar-se para dentro”.
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