segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Lar da gente

Uma das coisas que eu mais aprecio é viagem de carro. As coisas se movem tão rápido ao redor enquanto eu continuo parada com a mesma respiração lenta. E uma música alta para que eu não ouça o som das rodas em atrito com o asfalto. Foi o que eu obtive. Numa tarde de domingo ensolarada com o tempo fresco. Uma paisagem bonita, uma música calma e minha família. E depois da minha mãe falecer, eu juro: foi  a primeira sensação de lar verdadeiro que eu tive. Aquela sensação que a gente sente quando encontra alguém que gosta ou algum lugar que dê paz; aquela sensação de que nós pertencemos a algo. Finalmente não me senti uma forasteira. Finalmente senti como se pertencesse a algo. Por mais estranho que seja, a minha sensação de 'lar' vêm de várias coisas diferentes - mas nunca tinha vindo da minha família. Não até domingo. Meu pai dirigia em silêncio enquanto nós ouvíamos uma música e meu irmão roncava no banco de trás. A única coisa que se mantinha na minha cabeça era que eu finalmente poderia morrer. Eu morreria em paz se morresse naquele momento, naquele instante de felicidade que eu tive. Naquela fração de minutos que eu senti - finalmente - que minha família era o meu lar. E que eu seria sempre o lar deles. Por mais diferenças que nós tenhamos. E que o meu lar seriam aonde eles estivessem.

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