domingo, 20 de janeiro de 2013

Amigo Imaginário

Ele tinha um desenho. Usou o punho para fazê-lo. E o desenho o acordou. Parecia uma grande meleca preta com dois olhos de burquinha. E o desenho o encarava. Era pequeno como uma mão de criança. Ele não se sentia tão triste no início. Mas a vida era difícil e ele chorava às vezes.
O às vezes se tornou frequente. E o desenho sempre estava lá e o confortava. E o desenho cresceu. E cresceu. Crescia junto com a dor no peito dele. E o desenho ocupou o quarto inteiro. E a casa. E o jardim. E quando o desenho não cabia mais em lugar nenhum, ele fez outro desenho. Usou os pulsos para fazê-lo.

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