O quanto eu já ouvi de meninas que ficam chateadas por suas mães dizerem o que devem vestir, como devem se comportar e como devem comer? Eu, felizmente, não passei por isso. Ao olhar umas fotos velhas me deparei com um xale velho ridículo que era da minha bisavó - e que minha mãe me deixava ir pra escola com ele. E eu me perguntando: por que diabos minha mãe me deixava usar isso? Era ridículo! Ou quando olho minhas fotos de aniversário e vejo aquelas coroas horríveis de plástico que eu colocava na cabeça e realmente me sentia na realeza. E ELA NUNCA ME DEIXAVA OUVIR XUXA! Então, aquela maquiagem de mercadinho que a gente sempre ganhou da avó - e que eu, quando ganhava, pintava não só o meu rosto, mas a casa inteira. E eu fiz coisas tão absurdas, e tão ridículas, e me comportei mal em jantares e arrotei alto. E nunca apanhei por isso. E só hoje eu fui me dar conta de que minha mãe não reclamava dessas coisas porque ela queria que eu fosse eu. Que eu tivesse uma personalidade própria, diferente de todas. Não sei se foi assim que eu cresci, mas eu cresci do meu jeito. E usei roupas ridículas sem me importar com os outros. E eu ainda sinto os valores que a minha mãe me ensinou. Eu fui gordinha e comia o quanto eu queria e minha mãe nunca se importou com a aparência que eu tinha. Eu digo todos os dias que não aproveitei minha mãe direito. Não fiz os pudins que ela queria que eu fizesse e nem consegui cozinhar nada decente. Não arrumei o meu quarto e manchava as toalhas de esmalte. Deixava o cabelo no ralo do banheiro e usava as jóias dela sem permissão. Não fui assistir filmes emocionais quando ela me pedia pra assistir com ela.
Hoje em dia eu ainda não arrumo o meu quarto e ainda mancho as toalhas de esmalte. Só pra ouvir uma briguinha. Mas eu não ouço.
Procuro todos os filmes que perdi de ver com ela para que eu possa assistir sozinha e sentir a sua presença sobre mim, com aquele sozinho que dizia sempre: "foi engraçado filha, mas não faça de novo".
Não quero que isso seja um texto triste ou moralizante para quem trata a família mal (quem nunca?). Eu só quero que ao ler isso aqui, você perceba quantas brigas inúteis você travou com sua mãe. Quantas guerras sem motivo e quanta gritaria sem razão. Eu quero que hoje, só hoje, você arrume o seu quarto, penteie seu cabelo e não manche uma toalha de esmalte. Só hoje, cozinhe algo que sua mãe sempre tentou te ensinar. E sorria para ela, porque sua mãe te ama.
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