domingo, 20 de janeiro de 2013

Chovendo-me


É quase poético como a chuva lava. A chuva é poética. Conhece todos os lugares do mundo e os visita com frequência. Já atingiu milhares de pessoas em milhares de momentos diferentes. Em pedidos de casamento ou em funerais. Ou traz ou leva. Geralmente, traz muito e leva pouco. E me deixa molhada e fria como se eu realmente estivesse parada embaixo desse temporal. Mas ela sempre atinge. E sempre que chove forte, sempre que os ventos rasgam as minhas janelas, sempre que o céu está em guerra com a terra eu me sinto uma certa paz. Talvez pela mentira que eu conto para mim mesma, dizendo que chove apenas lá fora e aqui dentro eu estou segura. E toda vez que os pingos - mesmo com toda a resistência das minhas janelas fechadas - entram dentro de casa e chegam até mim, eu chovo junto. Não me traz mais nada. Me leva. Me lava.

Nenhum comentário:

Postar um comentário