domingo, 9 de junho de 2013

Quando crianças e encaramos a morte
Não tememos
Não choramos
Mas permanecemos em calma
Pensamos que as pessoas tornar-se-ão anjos
E dormirão na cabeceira de nossas camas
Construindo os nossos sonhos
Como nós os vivemos

Mas

Quando jovens e encaramos a morte
Nós tememos
Nós choramos
E entramos em pânico
Porque tudo o que vemos é escuridão
E as sombras que se foram para dentro dela
Pensamos que os mortos tornar-se-ão demônios
E que nos assombrarão durante a noite
Como o nosso próprio ser faz

E quando adultos e encaramos a morte
Nós vivemos dentro dela
Com seguros e caixões
E carros importados
E relógios contando quanto tempo nos falta
Para que possamos ser crianças de novo
E dormir na cabeceira de quem nós amamos
Construindo-lhes os sonhos
Que nós nunca vivemos

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