Pare de fumar colapsando
Dia 1.
Acordei já era meio-dia. Meu corpo pensava que ainda era cedo e queria dormir mais, mas a minha mente ainda perturbada pelos sonhos que tive não me deixou dormir. Uma xícara de café com leite. Duas xícaras de café com leite. Três. Queria um cigarro, mas eu parei de fumar. Talvez eu tenha dinheiro pra um maço. Não quero minister, eu quero sampoerna. Um real, dois reais, seis reais, sete reais. Essa merda é nove reais. Com nove reais eu compraria três espetinhos, mas tô tentando comprar cigarro. Fumei tabaco, não me acalmei. Duas horas da tarde. Meu quarto revirado, a casa toda suja. Vou limpar. Jogo todas as roupas do guarda-roupa no chão, arrumo tudo, limpo tudo. Passei vassoura, passei pano. A casa ta limpa, meu quarto arrumado. Será que eu lavo a louça? Não, já fiz demais. As minhas pernas tremeram e eu achei que fosse morrer - não morri, sobrevivi. Como tudo na minha vida, eu sobrevivo. Agora trovoa e eu tô lembrando da última vez que chorei, sentada na calçada tendo outro, mais um dos ataques. Essas crises que a dor me provoca, que a ansiedade não foge. Toda essa velocidade de pensamento não me deixou quieta por um segundo e não me deixou parar de pensar em você. Coração partido, casa suja. Não quero pensar nisso. Não quero mas já pensei. Você é o jogo e eu perdi. Perdi, continuo perdendo, continuo perdendo. O fluxo não pára e eu não descanso.
Dia 1: eu colapsei.
Nenhum comentário:
Postar um comentário