se o debater das asas de um cisne até a morte
é peça, é música, é arte
então por que o debater do meu corpo contra o seu
não pode ser poesia?
sexta-feira, 29 de julho de 2016
quinta-feira, 28 de julho de 2016
você me bate com a palma direita
na face esquerda do meu rosto
e quando meus olhos lacrimejam
você levanta a palma esquerda
pra metê-la na minha face direita
a face direita é a face que você não quer ver
é a face de hécate
é a face de circe e seus vinhos
é a face do meu ódio, do meu frio
é a face que se levanta e você não reconhece
é a face direita que espanca ambas as tuas
como ousa?
como se atreve?
e num desaguar de rostos
a face direita se esconde
e a esquerda prevalece
é o anjo, é o sofrimento
é a face que choro
é a face que sofro
você não se atreva, você não virá
levantar a tua face da mão
se você paralisa com a minha face de medusa
você não se atreva, você não viria
levantar a palma da mão.
na face esquerda do meu rosto
e quando meus olhos lacrimejam
você levanta a palma esquerda
pra metê-la na minha face direita
a face direita é a face que você não quer ver
é a face de hécate
é a face de circe e seus vinhos
é a face do meu ódio, do meu frio
é a face que se levanta e você não reconhece
é a face direita que espanca ambas as tuas
como ousa?
como se atreve?
e num desaguar de rostos
a face direita se esconde
e a esquerda prevalece
é o anjo, é o sofrimento
é a face que choro
é a face que sofro
você não se atreva, você não virá
levantar a tua face da mão
se você paralisa com a minha face de medusa
você não se atreva, você não viria
levantar a palma da mão.
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Maringá, julho de 2016.
Fazem exatas vinte semanas. Vinte semanas desde que fomos embora um do outro. Talvez eu tenha ido embora, visto que você já tinha ido fazia tempo. Como você está? Espero que esteja dando tudo certo. Espero que você esteja melhor de saúde e que esteja fumando menos. Enfim. Eu não queria chegar à esse ponto que cheguei, mas estou aqui. Estou aqui, mais uma vez, me humilhando com o peito aberto. Não quero mais o seu amor, se é isso que pensa. Não quero tampouco seus beijos ou seus carinhos. Eu quero conversa. Não conversas obrigatórias, mas, eu vi isso aqui e lembrei de você. Eu tenho a plena consciência de que tudo acabou e que tudo se desfez e que isso já tem tempo. Repetindo - não quero seu amor. Mas eu quero que você saiba que eu existo. Eu existo hoje e existi enquanto estava em teus braços. Eu continuo existindo embora você finja que não. Mesmo que finja que meu olhar não encontrou com o seu e que minhas canções não chegaram aos teus ouvidos. Eu existo, mesmo que você não se dê ao trabalho de trocar uma só palavra comigo. Aliás, eu retiro o que eu disse anteriormente. Eu não estou me humilhando. Eu sou corajosa. Eu estou aqui, mais uma vez, pedindo um mínimo de consideração de um ex amante. Não quero amizade. Não quero intimidade. Quero que você me olhe nos olhos e acene. Não sei se isso dói em você, ou se você simplesmente se sente indiferente para comigo. Mas amadureça. Olhe nos meus olhos e tenha a certeza: eu existo e vou continuar existindo. Não existo pra você, existo por mim.
Fazem exatas vinte semanas. Vinte semanas desde que fomos embora um do outro. Talvez eu tenha ido embora, visto que você já tinha ido fazia tempo. Como você está? Espero que esteja dando tudo certo. Espero que você esteja melhor de saúde e que esteja fumando menos. Enfim. Eu não queria chegar à esse ponto que cheguei, mas estou aqui. Estou aqui, mais uma vez, me humilhando com o peito aberto. Não quero mais o seu amor, se é isso que pensa. Não quero tampouco seus beijos ou seus carinhos. Eu quero conversa. Não conversas obrigatórias, mas, eu vi isso aqui e lembrei de você. Eu tenho a plena consciência de que tudo acabou e que tudo se desfez e que isso já tem tempo. Repetindo - não quero seu amor. Mas eu quero que você saiba que eu existo. Eu existo hoje e existi enquanto estava em teus braços. Eu continuo existindo embora você finja que não. Mesmo que finja que meu olhar não encontrou com o seu e que minhas canções não chegaram aos teus ouvidos. Eu existo, mesmo que você não se dê ao trabalho de trocar uma só palavra comigo. Aliás, eu retiro o que eu disse anteriormente. Eu não estou me humilhando. Eu sou corajosa. Eu estou aqui, mais uma vez, pedindo um mínimo de consideração de um ex amante. Não quero amizade. Não quero intimidade. Quero que você me olhe nos olhos e acene. Não sei se isso dói em você, ou se você simplesmente se sente indiferente para comigo. Mas amadureça. Olhe nos meus olhos e tenha a certeza: eu existo e vou continuar existindo. Não existo pra você, existo por mim.
segunda-feira, 25 de julho de 2016
domingo, 24 de julho de 2016
quando é que você vem?
foi o que eu perguntei
da última vez que te amo
da última vez que te amei
quando é que você vem?
foi o que eu quis saber
a hora e o dia exato
que eu ia ter você
quando é que você vem?
foi o que você me respondeu
antes de entrar no ônibus
logo depois que se perdeu.
quando é que você vem?
foi o que eu perguntei
da última vez que te vi
da última vez que chorei.
quando é que você vem?
foi o que eu perguntei
da última vez que te amo
da última vez que te amei
quando é que você vem?
foi o que eu quis saber
a hora e o dia exato
que eu ia ter você
quando é que você vem?
foi o que você me respondeu
antes de entrar no ônibus
logo depois que se perdeu.
quando é que você vem?
foi o que eu perguntei
da última vez que te vi
da última vez que chorei.
quando é que você vem?
sexta-feira, 22 de julho de 2016
há de chegar o dia em que não mijarei no meu pé
agachada num canto de uma rua qualquer
como há de chegar o dia em que não derrubarei cigarros
que caem, coincidentemente, em poças atrás de carros
e há de chegar a noite em que não vou discar o seu número
na tela do celular.
há de chegar o dia que eu não sentirei saudades suas
e não chorarei pelos cigarros molhados de mijo.
agachada num canto de uma rua qualquer
como há de chegar o dia em que não derrubarei cigarros
que caem, coincidentemente, em poças atrás de carros
e há de chegar a noite em que não vou discar o seu número
na tela do celular.
há de chegar o dia que eu não sentirei saudades suas
e não chorarei pelos cigarros molhados de mijo.
sábado, 16 de julho de 2016
Hoje eu quero sair de casa pra ver se essa angústia passa. Só dar umas voltas por aí, ver cara de gente. Tentar entender o porquê da minha solidão. Nunca tive muitos amigos e os que eu tive não duraram. O problema deve ser comigo. Eu não ligo muito. A solidão que complica. Queria ver um filme. Queria fumar um baseado. Queria deitar no colo de alguém e chorar até essa dor imensa passar. Não tem colo pra eu deitar. O colo que eu tinha morreu e eu não procuro substitutos. Queria alguém pra segurar minha mão quando eu tiver distraída na rua. Minha mão é sempre cheia de anéis pontudos, então perdoa se algum deles te machucar. Hoje eu quero sair de casa. Sair de casa pra quê se eu não tenho lugar nenhum pra ir? Eu só quero sair de casa. Eu só quero sair um pouco pra ver se esse vazio enche. Não tem problema se for de fumaça, de conhaque, de qualquer coisa. Eu só quero sentir alguma coisa. Quero sentir que eu não fui esquecida. Eu quero me sentir lembrada. Eu quero me sentir amada. Eu quero mergulhar. É uma dor que não dói, sabe? Essa de ser um fantasma. Ela incomoda. Ela me deixa ansiosa, angustiada. Eu fui esquecida, é fato. Eu fui abandonada. Às vezes me belisco ou me queimo só pra ter a certeza que eu ainda existo. Hoje eu quero sair de casa.
Cansei de tudo que é pré. Pré-assado eu não quero mais. Eu quero direto do forno. Eu quero que venha quente. Quero que queime a boca. Quero que me satisfaça por dias, por semanas. Eu não quero nada pronto. Eu não quero nada pela metade. Ou vem inteiro ou não vem. Cansei dessa vida de pré-amores, pré-amizades, pré-empregos. Onde tudo vem mas nada vem por inteiro. Onde tudo chega mas não fica. Quero que arda, quero que doa. Quero que venha. Quero que dure. Quero intensidade. Se vier com coisa pela metade, vai embora. Copo meio cheio é também copo meio vazio e eu quero que transborde.
segunda-feira, 11 de julho de 2016
quinta-feira, 7 de julho de 2016
quarta-feira, 6 de julho de 2016
Eu estou desaparecendo. Grande parte do tempo eu me sinto invisível. Sento e observo enquanto pisoteiam as minhas mãos e não me ouvem gritar. Às vezes alguém olha na minha direção, mas eu não sei dizer se me vê. Eu não lembro quando foi a última vez que alguém me viu. Me enxergou. Não lembro quando foi que um certo olhar encontrou com o meu e eu fiquei paralisada. Deve fazer tempo. Acontece também quando alguém perde um isqueiro na bagunça. Eu acho e deixo em cima da mesa. Ninguém percebe que foi eu. Tudo bem, sabe, nunca me importei muito com isso. Eu me importava com o seu olhar, mas você se tornou invisível pra mim e nossos olhares não se encontram mais. Não sei por onde você anda e o isqueiro de quem você acha, mas espero que esteja tudo bem e que não estejam pisando nas tuas mãos como pisam nas minhas. Eu também já não me vejo e espelhos não fazem muito sentido quando não há o que ver. Também não sei onde estão meus isqueiros. Esses dias encontrei um que havia perdido. Teria sido você que o encontrou? Talvez não. Provavelmente não. Nem quando você ainda me via você me olhava. Escrevo isso porque desapareço. Escrevo isso porque quero ser lembrada como a pessoa que sabia onde estavam os isqueiros. Não peço holofotes e muito menos falso reconhecimento de falsos olhares de falsos olhos que nem sequer veem. Peço que se lembre: seu isqueiro está na mesa. Escrevo isso porque não vejo mais as minhas mãos. Não vejo nem sequer os meus dedos engraçados e tortos do pé. Não me escuto mais; temo que ninguém mais escute. Então me despeço para o silêncio que eu grito. Me despeço para os olhos que não me veem e os ouvidos que não me escutam. Os isqueiros perdidos serão encontrados.
sexta-feira, 1 de julho de 2016
o começo do fim
vêm sempre igual
pra mim:
eu choro e me incomodo
com a sua ausência.
a minha abstinência
de toques
que eu nunca soube dar
muito menos soube aceitar.
depois eu te pergunto
se está tudo bem
se tem algo pra me falar
peço carinho
peço pra você não se afastar.
no tardar do dia
eu te pergunto como foi
você não sorri, não me diz
e eu desabo
o silêncio eminente me derrota
te pergunto se você quer ir embora
e você com as malas em mãos
então eu não digo o que eu quero
fico com as palavras entaladas
na garganta
enquanto dou à deus
todas as cartas inacabadas
sobre todos esses começos
de fins
que não acabaram
que não acabaram
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