pergunta
se eu to bem
se to comendo direito
se to estudando
pergunta
se eu to feliz
se eu to conseguindo
viver um dia após o outro
pergunta
como as coisas estão
pergunta do meu pai
dos meus cachorros
dos livros que eu to lendo
pergunta qualquer merda
manda uma música, porra
eu me queimei
eu me cortei
eu só queria conversar
pergunta alguma coisa
qualquer coisa
só não me abandona
só não desaparece
terça-feira, 31 de maio de 2016
segunda-feira, 30 de maio de 2016
sexta-feira, 27 de maio de 2016
Poderia ter sido eu
Que teve o ventre rasgado
Mutilado
Por animais excitados
Poderia ter sido eu
Que teve o sangue derramado
O rosto marcado
E as pernas arreganhadas
Por homem desalmado
Poderia ter sido eu
Que teve o consciente roubado
Por trinta homens famintos
Será que fizeram rotação
De quanto em quanto tempo
Fariam um novo arrastão?
Poderia ter sido eu
Eu só quero ir pra casa
E meu pai não para de chorar
Poderia ter sido eu
Que teve a vida roubada
Entendeu ou não entendeu?
Poderia ter sido eu
quinta-feira, 26 de maio de 2016
terça-feira, 24 de maio de 2016
É bicho que come mato
É bicho que come irmão
É bicho que caga na cidade
E pixa os muros da construção
É bicho que comete estupro
É bicho que quer ser Deus
É bicho que comete todo tipo de abuso
É bicho que não sabe ouvir não
É bicho estúpido
É bicho de gente
É bicho que usa terno feito de assassinato
É bicho que rouba pão
É bicho nojento
É bicho rastejante
É bicho que queima sua casa
Mata seu pai
Estupra sua mãe
Sequestra sua irmã
A onça tem medo do bicho
Que mora na selva de concreto
Da o sorriso falso
Vai roubar o seu teto
É bicho asqueroso
É bicho do Mato
Lá na selva o rei já morreu
Matei pra ver sangue escorrer
Aqui no concreto eu sou Deus
Aqui no concreto o rei sou eu
É bicho que come mato
É bicho que come irmão
É bicho que caga na cidade
E pixa os muros da construção
É bicho que comete estupro
É bicho que quer ser Deus
É bicho que comete todo tipo de abuso
É bicho que não sabe ouvir não
É bicho estúpido
É bicho de gente
É bicho que usa terno feito de assassinato
É bicho que rouba pão
É bicho nojento
É bicho rastejante
É bicho que queima sua casa
Mata seu pai
Estupra sua mãe
Sequestra sua irmã
A onça tem medo do bicho
Que mora na selva de concreto
Da o sorriso falso
Vai roubar o seu teto
É bicho asqueroso
É bicho do Mato
Lá na selva o rei já morreu
Matei pra ver sangue escorrer
Aqui no concreto eu sou Deus
Aqui no concreto o rei sou eu
segunda-feira, 23 de maio de 2016
sexta-feira, 20 de maio de 2016
quinta-feira, 19 de maio de 2016
foi ter te encontrado
numa fria segunda
de inverno
e que coisa estranha
foi ter te beijado
e logo assim
me entregado
à esse seu sorriso
de menino perdido
que logo me desatou as roupas
e fez nossos corpos fundidos
à essa fria terça
de inverno
mas que coisa louca
foi ter me apaixonado
nessa quarta-feira
enquanto cantavámos cazuza
fechando e abrindo a geladeira a noite inteira
que coisa bonita foi
eu ter pousado os olhos em você
e desde então, não consigo mais me ocupar
e quando a gente se encontra
todo esse inverno se faz veranizar
eu não consigo mais esquecer
os beijos que ficam marcados
e os sorrisos perdidos
em tão pouco tempo
já te enxergo muito
e me deixo levar
por esse seu jeito
discutindo comigo
porque eu não gosto de raul
e nem de gritaria nenhuma
se não for da minha voz no seu ouvido
essa aí eu não sei cantar
mas se você quiser ficar
por aqui
eu vou decorar
terça-feira, 17 de maio de 2016
que alguém não me toca
verdadeiramente
dentre as pernas.
faz tanto tempo
desde que alguém não me rasga
inteira
e me arranca os cabelos.
faz tanto tempo
desde que eu não tenho escoriações
de transas violentas
e o cansaço de ter tido muito
e querer mais
faz tanto tempo
que eu esqueci
como é que é ter as pernas meladas
de mel
por toda a parte
não tem mais unhas nas minhas costas
não tem mais mãos nas minhas coxas
nem risos sufocados pelo prazer
faz tanto tempo
desde que não me falta o ar
no peito
desde que não me contorço
expulsando os demônios dentro de mim
faz tanto tempo
que minha boca é seca
e a minha buceta deságua
faz tanto tempo
e eu não me lembro mais
como é que é ser despeçada
por tanto meter
segunda-feira, 16 de maio de 2016
na terra do nunca
sábado, 14 de maio de 2016
de terminar esse poema
que eu fiz juntando toda minha decadência
enquanto observo sua partida.
era melhor a dois
quando éramos nós
mas cê foi pra ver o mundo
cê foi pra ver o que é que há
além dos meus braços queimados
que te querem em um amor profundo
e puro.
era melhor a dois
quando éramos nós
jogando o coração na amarelinha
brincando de amor de mentirinha
eu tinha tanto medo
de ficar sozinha
e fiquei
sempre fui
enquanto aguardo o teu retorno
talvez eu devesse partir também
e ir me procurar nos braços de outrém
como eu sei que você faz
no meio dos álcoois
no meio dos lençóis
que não são os meus
talvez eu devesse ir embora
e me procurar nos cortes,
nas cicatrizes
das guerras que eu travei
comigo
enquanto te amava
enquanto não me encontrava
dentro to teu peito
quando você residia no meu
queria que você me amasse
como eu amo você
era melhor a dois
quando éramos nós
quinta-feira, 12 de maio de 2016
Quando viva eu já estava morta.
quarta-feira, 11 de maio de 2016
terça-feira, 10 de maio de 2016
segunda-feira, 9 de maio de 2016
quinta-feira, 5 de maio de 2016
Eu não sou essa que a tua voz chama. Esse não é meu nome. Não sou essa que você procura. Eu estive aqui e criei raízes no concreto feio e sujo. Plantei as minhas flores, que morreram. Eu não sou essa que teus olhos enxergam. Me enxergaram alguma vez? Porque eu enxerguei você. Eu te vi. E te amei. E te amo. Mas esse que você chama não sou eu. Eu não peço pra ficar. Eu peço pra ir.
eu me encontraria
ainda pequena
e diria:
"criança, não leia fantasias
largue esses brinquedos
e vá estudar.
quando você crescer
não vão se importar
se você tem um coração bom
cheio de amor pra dar.
quando você for maior
vão querer saber até quanto você sabe contar
e até quanto você consegue acumular
porque aqui onde eu moro
é só isso que é importante
é só isso que vai valer.
então guarde as ervilhas
esconda-as nos vinte colchões
não pegue as rosas vermelhas
de um jardim que não é teu;
e não confies em nada que brilhe demais
nem em pessoas demasiadamente pequenas
criança, vá estudar
e comece logo a guardar
tudo que é belo e importante
dentro do peito
porque se souberem que você sabe amar
eles vão te esmagar.
eles não leem poemas
eles não ouvirão o que você tem a falar
se você não souber acumular
vai ter de voltar no tempo
pra se avisar
do perigo que é
confiar demais"
terça-feira, 3 de maio de 2016
Procurei a porta pra sair desse quarto escuro que me prende todos os dias. Não tem janela, não tem nem sequer uma luz. Eu não sei quanto tempo faz que eu to aqui ou que dia que é hoje. Que dia é hoje? Eu tentei escrever alguns poemas, mas escrever no escuro não parece sensato. O que é sensato? Não tenho o que comer, então provei meus dedos. Como é que eu vou escrever agora? Não tinha gosto. Nada mais tem gosto. Não sinto mais cheiro nenhum além do meu próprio fedor de putrefação. Cade a porta? Não sei se tem como fugir de mim mesma. Não sei se eu tenho como escapar dessa nojeira que é o meu ser. Guardo rancor, guardo mágoa e espalho o meu amor. Deve ser disso que a minha carne é feita. De resto. Eu sou um resto. Cadê a porta?