quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

me desculpa

é que hoje eu não estou medicada

então fiquei um pouco confusa,

desnorteada

pensando em você e nas coisas que eu queria te dizer.

e eu não disse nada

porque fiquei com medo de você perceber

que hoje eu não estou medicada,

então me apaixonei por você

mas fica tranquilo que às vezes amanhã já passou 

às vezes você nem notou.

eu fico tentando tanto disfarçar que às vezes eu dou pala demais

que por hoje eu me apaixonei por você

mas me perdoa tudo isso,

é que hoje eu não estou medicada

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

eu preciso da fúria do poeta para escrever
então às vezes eu não tomo minhas pílulas
porque eu preciso sentir um pouco de raiva.
ando anestesiada, não sou feliz e tampouco triste
eu sou o olho do furacão, onde tudo se mantém em calma
e ao redor a tempestade devasta.
eu sou o rascunho não finalizado
de uma poesia tampouco trabalhada
com pouco conteúdo, não serve para batalha
então às vezes eu não tomo minhas pílulas
porque a minha doença é minha inspiração
preciso de um pouco de dor para perceber que nem tudo é em vão.
e eu preciso sentir o caos ao meu redor,
para fluir no meu corpo e eu me deixar sentir
às vezes,
pouco a pouco.

acordei meio trêmula com as palavras engasgadas
lembrei de você me abraçando com as pernas,
me embrulhando dum jeito que eu não tinha como sair
e nem queria.
acordei meio trêmula, com as palavras faltando
sentindo falta de você ao meu lado, sussurrando
coisas que a gente não diria na luz do dia.
não sei se é porque eu não tomei as minhas pílulas de manhã,
mas sei que eu te amei como se não tivesse um amanhã
e não teve.
não para nós.
nunca teve um nós.
mas eu quis te atar, tentei a todo custo fazer você me amar,
e me querer
eu te quis mais e mais
e você não me quis.
eu acordei meio trêmula, com uns espasmos nas minhas ideias
tudo que eu não disse hoje parece que começou a pesar
se eu sou assim tão boa, por que é que ninguém nunca conseguiu ficar?
e eu tentei tanto
mas tanto
mas eu não vou pedir por amor,
dessa vez eu não vou implorar.
eu sigo com a voz trêmula e lágrimas nos olhos,
eu sigo triste mas eu vou embora.
mais um poema triste de amor que eu escrevi
mais um poema que eu te dou
junto com todo o amor que você negou.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

dizem que o fim do mundo está próximo
e que vai ficar pior do que está.

pela minha face não da pra notar,
mas eu já sofri demais
se eu acordar e o mundo estiver prestes a acabar
eu não vou ligar.


eu sou o meu próprio apocalipse.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

não foi preciso uma arma na mão pra me pôr no caixão
bastou um papel, uma caneta e a falta de um cifrão
a fome me esfola por dentro
e por fora eu não ouso nem pedir esmola
- de amor -

todas as flores que me deram estavam envenenadas,
de palavras falsas, inveja e flores mal intencionadas
não foi preciso uma arma na mão pra me pôr no caixão,
bastou teu ódio e a falta de noção
palavras nunca foram vento
nem quando se faz ventar
palavras são veneno no corpo,
e as tuas tão fazendo o serviço de me matar

chutar alguém que está no chão deve ser fácil de assistir
me ver vomitar toda a sua falsa solidariedade
pedindo por ajuda, não tem amizade por aqui
não foi preciso projéteis pra me pôr no caixão,
a malícia das tuas palavras já fez o processo de putrefação

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

ele diz que eu não sou bonita
não como as outras donzelas;
mas é sobre a minha face que ele faz guarita,
e é nos meus ouvidos que ele critica todas elas.

ele diz que eu não sou bonita,
mas não se atreve a me mostrar a palma da mão.
sabe que eu consigo ler
todos os sinais de sua palma que são sinais de paixão.

ele diz que eu não sou bonita,
não como as outras mulheres,
porque eu sou cigana e vou lhe roubar a alma,
porque eu sou feiticeira e vou lhe roubar as virtudes

mas ele não sabe que eu sou uma de um todo,
e todas somos um.
ele achava que satã era homem cornudo
e eu lhe disse que eu era o próprio diabo.
que eu tinha sede de homem
e que isso me tornava insaciável.



domingo, 10 de fevereiro de 2019

de repente
senti seu perfume na ponta dos meus dedos.

como se eu tivesse acabado de acariciar o teu cabelo,
e te dado um beijo.

mas não te beijei.
você não está aqui
e não quer estar perto de mim.

nenhum beijo foi dado, nenhum cabelo acariciado
só cigarros de sabor que foram fumados
e deixaram os meus dedos amarelados.

e eu fui dormir
e senti seu corpo no meu,
a tua pele grudada na minha
e meus dedos em meus lábios,
para completar a minha fantasia