fumando cigarros e cigarros até eu esquecer que tenho voz
porque não quero mais falar até que alguém realmente possa ouvir
fumando cigarros e cigarros até eu esquecer do meu pulmão,
tomando goles e goles até esquecer dessa paixão
para que no fim eu acabe sozinha, triste, sem cigarros e cerveja
e sem você
domingo, 30 de dezembro de 2018
sábado, 29 de dezembro de 2018
ando entre memórias e pedras
num caminho que não é meu.
pendendo de um lado para o outro
em um corpo que não é meu.
no espelho vejo alguém que não sou eu,
arrastada pela lembrança da tua voz
num tempo distante, em que ficávamos a sós.
mas aquela não era eu
e você não era meu
então eu caminho por memórias e histórias
tentando me reencontrar.
eu quase me perdi tentando fazer você me amar
num caminho que não é meu.
pendendo de um lado para o outro
em um corpo que não é meu.
no espelho vejo alguém que não sou eu,
arrastada pela lembrança da tua voz
num tempo distante, em que ficávamos a sós.
mas aquela não era eu
e você não era meu
então eu caminho por memórias e histórias
tentando me reencontrar.
eu quase me perdi tentando fazer você me amar
quinta-feira, 13 de dezembro de 2018
o meu caminho ainda tem pedras,
mas hoje fico feliz que ainda posso caminhar
com minhas próprias pernas sobre elas.
o meu peito ainda está aberto
com essa ferida funda e suja
com essa ferida funda e suja
que percorre todo o meu corpo adentro.
minha cabeça ainda pende,
de um lado para o outro
com ideias surreais e dores irreais
mas que ainda são as minhas dores,
e eu ainda estou viva para senti-las.
embora ainda tenham pedras no meu caminho
eu ainda posso caminhar
embora meu peito ainda esteja doendo,
eu ainda posso me olhar com carinho,
segurar minhas próprias mãos,
beijar com afeto a minha própria face.
até porque foram com as minhas próprias pernas que eu pude andar
e estar onde eu estou
e olhar para onde mais eu possa chegar.
quinta-feira, 29 de novembro de 2018
o peso das tuas palavras me pesa os ombros e me doem os ouvidos
e tão baixo é o teu sussurro que nada eu escuto
lágrimas abaixo, fez-se um mar
- eu não sei nadar -
o peso das tuas palavras fez-me calar os suspiros e eu não pude velejar.
o peso do teu abraço quente fez-me saltar num oceano desconhecido
e então
silêncio.
e tão baixo é o teu sussurro que nada eu escuto
lágrimas abaixo, fez-se um mar
- eu não sei nadar -
o peso das tuas palavras fez-me calar os suspiros e eu não pude velejar.
o peso do teu abraço quente fez-me saltar num oceano desconhecido
e então
silêncio.
terça-feira, 27 de novembro de 2018
queria engolir todas as tuas lágrimas e transformar tudo em tesão
pra não dar nem tempo de você pensar se gosta de mim ou não
eu sei que se falar que não eu vou sofrer, nenhum corpo é quente que nem o teu e eu espero que nenhum outro corpo se encaixe no seu como o meu
então me beija só hoje,
me beija só hoje pra eu não ficar com vontade quando você se for
e se for, vai mas vai bem devagar
que é pra dar tempo de eu te olhar
que é pra dar tempo de eu me arrepender de não ter ido devagar como você queria mas é que meu amor... eu sou poesia
e quero me escrever nas suas linhas
ja disse em outro poema e falo de novo
eu nunca soube lidar com tinta na mão,
hoje tô toda derrubada no seu colchão
coitada da mina que for deitar nele
já vai ter todo o meu cheiro, onde você fodia o meu corpo inteiro
então me beija uma última vez
mesmo se não for a última vez
e tomara que não seja a ultima vez
pra não dar nem tempo de você pensar se gosta de mim ou não
eu sei que se falar que não eu vou sofrer, nenhum corpo é quente que nem o teu e eu espero que nenhum outro corpo se encaixe no seu como o meu
então me beija só hoje,
me beija só hoje pra eu não ficar com vontade quando você se for
e se for, vai mas vai bem devagar
que é pra dar tempo de eu te olhar
que é pra dar tempo de eu me arrepender de não ter ido devagar como você queria mas é que meu amor... eu sou poesia
e quero me escrever nas suas linhas
ja disse em outro poema e falo de novo
eu nunca soube lidar com tinta na mão,
hoje tô toda derrubada no seu colchão
coitada da mina que for deitar nele
já vai ter todo o meu cheiro, onde você fodia o meu corpo inteiro
então me beija uma última vez
mesmo se não for a última vez
e tomara que não seja a ultima vez
domingo, 18 de novembro de 2018
cê me deixa sem palavras
porque todas eu já usei pra te pintar
logo eu, que nunca soube lidar com tinta na mão
sempre fazia derramar, igual você me cima de mim
você chove na minha terra seca
e eu deságuo de paixão.
rouba todo o meu ar e eu só quero te engolir
até não ter mais o que sobrar
quero entrar na sua pele
pra nunca mais estar longe de ti,
poder ouvir você suspirar quando me ouvir
cê me deixa sem palavras,
não precisa me tocar pra me deixar molhada
logo eu, que nunca soube lidar com pincel na mão
sou a tinta derrubada no seu colchão
porque todas eu já usei pra te pintar
logo eu, que nunca soube lidar com tinta na mão
sempre fazia derramar, igual você me cima de mim
você chove na minha terra seca
e eu deságuo de paixão.
rouba todo o meu ar e eu só quero te engolir
até não ter mais o que sobrar
quero entrar na sua pele
pra nunca mais estar longe de ti,
poder ouvir você suspirar quando me ouvir
cê me deixa sem palavras,
não precisa me tocar pra me deixar molhada
logo eu, que nunca soube lidar com pincel na mão
sou a tinta derrubada no seu colchão
segunda-feira, 12 de novembro de 2018
teu nome tem um gosto amargo
antes, era doce
e eu saboreava você dentro da minha boca
sí-la-ba por sí-la-ba
enquanto você tirava a minha roupa
peça por peça
depois eu engolia toda a sua porra
gota por gota
e ai de quem roubasse o teu nome,
exibisse por aí
e eu te mastigava porque tinha fome
antes.
agora o seu nome azedou,
ficou no seco e apodreceu
dá um ruim na minha boca
seu nome tem um gosto amargo
e eu não gosto nem de falar
as sí-la-bas por sí-la-bas
até seu nome terminar de estragar
antes, era doce
e eu saboreava você dentro da minha boca
sí-la-ba por sí-la-ba
enquanto você tirava a minha roupa
peça por peça
depois eu engolia toda a sua porra
gota por gota
e ai de quem roubasse o teu nome,
exibisse por aí
e eu te mastigava porque tinha fome
antes.
agora o seu nome azedou,
ficou no seco e apodreceu
dá um ruim na minha boca
seu nome tem um gosto amargo
e eu não gosto nem de falar
as sí-la-bas por sí-la-bas
até seu nome terminar de estragar
sexta-feira, 9 de novembro de 2018
eu lembro do dia que te prometi como eu ia saber se eu amava
e você me disse que era saber se eu gostava de conversar.
e eu conversava em silêncio com você,
você entendia.
continuo dizendo tudo sem falar nada
esperando que você possa ouvir.
porque eu me sinto tão sozinha, noite e dia
sem forças para me movimentar.
mas espero que você se orgulhe de mim,
mesmo estando um pouco danificada
com algumas feridas meio abertas, expostas
putrefando no meu peito como você no caixão.
mas isso é natural, não tem nenhum mal e nem me dói o coração.
nem nos feriados de natal - maldito feriado cristão e anual - comendo peixe cru porque eu não sei preparar como você fazia.
mãe, eu me sinto tão sozinha!
são tempos difíceis, tempos dolorosos, carregados de ódio
e ninguém mais sabe conversar como nós
as velas que queimaram no teu velório não apagaram,
e eu peço que me perdoe porque eu esqueci a tua voz
já faz tanto tempo desde que eu ouvi a última vez,
e eu ainda ouço você chegando depois das seis
choveu no dia em que você se foi
e eu deixei muita coisa pra te falar depois
mas eu era mais criança e não entendia que não existe um depois,
existe um passado e é onde você está e eu sei que não vai voltar.
sempre que vou te ver coloco elvis pra você ouvir,
jogo as cinzas do cigarro longe pra você não sentir.
e eu prometo que eu vou parar de fumar e terminar de estudar.
mas mãe, eu me sinto tão sozinha!
sem ninguém pra me escutar
eu esqueci como você era e só tenho imagens póstumas pra me lembrar.
mas mãe, eu me sinto tão sozinha sem você pra conversar e me dizer
como é que eu vou saber se um dia eu amar.
e você me disse que era saber se eu gostava de conversar.
e eu conversava em silêncio com você,
você entendia.
continuo dizendo tudo sem falar nada
esperando que você possa ouvir.
porque eu me sinto tão sozinha, noite e dia
sem forças para me movimentar.
mas espero que você se orgulhe de mim,
mesmo estando um pouco danificada
com algumas feridas meio abertas, expostas
putrefando no meu peito como você no caixão.
mas isso é natural, não tem nenhum mal e nem me dói o coração.
nem nos feriados de natal - maldito feriado cristão e anual - comendo peixe cru porque eu não sei preparar como você fazia.
mãe, eu me sinto tão sozinha!
são tempos difíceis, tempos dolorosos, carregados de ódio
e ninguém mais sabe conversar como nós
as velas que queimaram no teu velório não apagaram,
e eu peço que me perdoe porque eu esqueci a tua voz
já faz tanto tempo desde que eu ouvi a última vez,
e eu ainda ouço você chegando depois das seis
choveu no dia em que você se foi
e eu deixei muita coisa pra te falar depois
mas eu era mais criança e não entendia que não existe um depois,
existe um passado e é onde você está e eu sei que não vai voltar.
sempre que vou te ver coloco elvis pra você ouvir,
jogo as cinzas do cigarro longe pra você não sentir.
e eu prometo que eu vou parar de fumar e terminar de estudar.
mas mãe, eu me sinto tão sozinha!
sem ninguém pra me escutar
eu esqueci como você era e só tenho imagens póstumas pra me lembrar.
mas mãe, eu me sinto tão sozinha sem você pra conversar e me dizer
como é que eu vou saber se um dia eu amar.
terça-feira, 30 de outubro de 2018
em nome do pai, do filho, do espírito santo, amém.
deus abençoe a fragilidade humana
de um corpo vazio, duro, gelado
caído sem pulso na beira da calçada.
deus abençoe o indivíduo cuja mão é uma arma,
dura, gelada e em explosão.
a ela todo o poder, de vida e morte
a ela toda a existência do meu irmão.
à ela, todo poder de troca, mais valiosa que um caixão
vende dez madeirão e tem uma arma de lucro,
enquanto isso estamos aqui embaixo de luto
mais um luto, mais um enterro.
e a gente se perguntando onde é que vai enterrar mais um
que pra eles, não era nenhum.
eles soltam fogos, a gente leva fogo
lá de cima cai tudo aqui.
dentro de suas lamborguinis e carros importados
abençoados por deus
e maus por natureza.
mas deus abençoe os ricos e brancos que estão acima de nós,
a eles todo o poder
a eles toda a ressurreição!
o corpo de cristo hoje não vêm pra eucaristia,
foi deixado duro e gelado numa rua da periferia
deus abençoe a fragilidade humana
de um corpo vazio, duro, gelado
caído sem pulso na beira da calçada.
deus abençoe o indivíduo cuja mão é uma arma,
dura, gelada e em explosão.
a ela todo o poder, de vida e morte
a ela toda a existência do meu irmão.
à ela, todo poder de troca, mais valiosa que um caixão
vende dez madeirão e tem uma arma de lucro,
enquanto isso estamos aqui embaixo de luto
mais um luto, mais um enterro.
e a gente se perguntando onde é que vai enterrar mais um
que pra eles, não era nenhum.
eles soltam fogos, a gente leva fogo
lá de cima cai tudo aqui.
dentro de suas lamborguinis e carros importados
abençoados por deus
e maus por natureza.
mas deus abençoe os ricos e brancos que estão acima de nós,
a eles todo o poder
a eles toda a ressurreição!
o corpo de cristo hoje não vêm pra eucaristia,
foi deixado duro e gelado numa rua da periferia
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
às vezes só é preciso uma mulher
para lembrar outra qualquer
que não somos uma por aí,
mas somamos muito por aqui.
às vezes é preciso uma mulher
que toque na face de outra mulher
para nos lembrarmos de que tudo podemos,
tudo somos,
e de todos os jeitos existimos
e existiremos
e resistiremos
enquanto houver uma mulher para lembrar outra qualquer
para lembrar outra qualquer
que não somos uma por aí,
mas somamos muito por aqui.
às vezes é preciso uma mulher
que toque na face de outra mulher
para nos lembrarmos de que tudo podemos,
tudo somos,
e de todos os jeitos existimos
e existiremos
e resistiremos
enquanto houver uma mulher para lembrar outra qualquer
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
fecham-se as cortinas e o ato continua
sua boca de encontro à minha
e sua mão experimentando minha pele nua
nessa dança em que estamos à sós
presa em seus olhos, onde jaz a minha paz
e nossas pernas atando-se como nós.
quanto mais te saboreio mais quero devorar
e engolir de uma vez todas as tuas palavras,
com os sons que você faz soletrar.
se somos dois, o nosso silêncio não precisa falar
e eu te seco com o meu olhar
na sede que eu tenho de te encharcar.
abrem-se as cortinas e o ato se encerra
e eu que nunca fui de segurar mãos,
seguro as tuas e me sinto completa.
sua boca de encontro à minha
e sua mão experimentando minha pele nua
nessa dança em que estamos à sós
presa em seus olhos, onde jaz a minha paz
e nossas pernas atando-se como nós.
quanto mais te saboreio mais quero devorar
e engolir de uma vez todas as tuas palavras,
com os sons que você faz soletrar.
se somos dois, o nosso silêncio não precisa falar
e eu te seco com o meu olhar
na sede que eu tenho de te encharcar.
abrem-se as cortinas e o ato se encerra
e eu que nunca fui de segurar mãos,
seguro as tuas e me sinto completa.
sábado, 1 de setembro de 2018
O momento. O momento do qual eu e você sabemos sobre, mas nunca falamos. O momento, em que por alguma razão a gente sente que o mundo pára. Não parou, mas teve um momento. Um momento que talvez, se outras escolhas fossem feitas - naquele exato momento - as coisas não estariam como estão agora. O momento no qual tudo que é dito em silêncio é ouvido mais claramente. O momento, um instante, no qual tudo silenciou e só. O momento do qual e você vivenciamos, mas não falamos sobre.
terça-feira, 28 de agosto de 2018
enquanto minha poesia ainda não foi roubada
gostaria de te dizer, mesmo que você não leia nada
que estar com você me faz sentir renovada
e que eu gosto de sentir o seu rosto contra o meu,
na cama, nas vezes que nossas pernas se enroscavam
e enquanto minha poesia ainda não foi roubada
eu, entretanto, fui
gostaria de te dizer, mesmo que você não leia nada
que estar com você me faz sentir renovada
e que eu gosto de sentir o seu rosto contra o meu,
na cama, nas vezes que nossas pernas se enroscavam
e enquanto minha poesia ainda não foi roubada
eu, entretanto, fui
sábado, 28 de julho de 2018
eu vivo repetindo
é só mais um pouco,
essa dor vai passar
mas não passa
e os dias passam,
a ferida vai abrindo
e eu sinto que eu tô numa armadilha
presa na minha própria ilha
enrolada na minha própria tapeçaria
respirando os poucos que eu tenho pra estar viva
e é só mais um dia,
que tarda a passar
e é só mais um momento
a navalha não chegou na minha mão,
o meu sangue não escorre pelo chão
e eu me desfaço em uma poesia
sem ter trovador que leia.
isso cresce por aqui feito semente,
erva daninha comedora de gente
não tem pra onde eu ir
não tem pra onde eu fugir quando o perigo é a minha mente
é só mais um pouco,
essa dor vai passar
mas não passa
e os dias passam,
a ferida vai abrindo
e eu sinto que eu tô numa armadilha
presa na minha própria ilha
enrolada na minha própria tapeçaria
respirando os poucos que eu tenho pra estar viva
e é só mais um dia,
que tarda a passar
e é só mais um momento
a navalha não chegou na minha mão,
o meu sangue não escorre pelo chão
e eu me desfaço em uma poesia
sem ter trovador que leia.
isso cresce por aqui feito semente,
erva daninha comedora de gente
não tem pra onde eu ir
não tem pra onde eu fugir quando o perigo é a minha mente
segunda-feira, 23 de julho de 2018
mais uma vez trancada no banheiro
chorando tudo, caindo com tudo dentro do chuveiro
nipe bituca queimada caida dentro do bueiro
e eu não quero ficar mal,
eu não quero estar assim
mas parece que vive outra pessoa dentro de mim
que me arranha por dentro e eu me queimo por fora
com brasa de cigarro, fluído de isqueiro
eu sou um carro desenfreado, sem freio
e a minha loucura não vêm a tona pra quem vê
minha loucura não vem a tona pra quem não quer ver
que eu tô numa escuridão,
num beco sem saída sem nenhuma iluminação
nipe as de poste de quebrada
que ta tudo sempre sequrlada
mais uma vez eu escrevo pra tentar aliviar
mais um rap pra ve se eu lembro de respirar
eu não quero morrer,
eu só quero viver sem surtar
sem sentir que tô doente
sem sentir que tem mil pessoas dentro da minha mente
eu não quero morrer durante o dia
não enquanto eu ainda canto,
não enquanto ainda há poesia
chorando tudo, caindo com tudo dentro do chuveiro
nipe bituca queimada caida dentro do bueiro
e eu não quero ficar mal,
eu não quero estar assim
mas parece que vive outra pessoa dentro de mim
que me arranha por dentro e eu me queimo por fora
com brasa de cigarro, fluído de isqueiro
eu sou um carro desenfreado, sem freio
e a minha loucura não vêm a tona pra quem vê
minha loucura não vem a tona pra quem não quer ver
que eu tô numa escuridão,
num beco sem saída sem nenhuma iluminação
nipe as de poste de quebrada
que ta tudo sempre sequrlada
mais uma vez eu escrevo pra tentar aliviar
mais um rap pra ve se eu lembro de respirar
eu não quero morrer,
eu só quero viver sem surtar
sem sentir que tô doente
sem sentir que tem mil pessoas dentro da minha mente
eu não quero morrer durante o dia
não enquanto eu ainda canto,
não enquanto ainda há poesia
sexta-feira, 20 de julho de 2018
eu não sei se eu nasci assim ou ganhei isso de presente
mas eu sei que algo sempre esteve quebrado dentro de mim.
eu não sei como ninguém nunca viu
ou se viu e decidiu não ver
ou se viu e não entendeu,
mas sempre algo esteve quebrado dentro de mim.
e eu sabia que eu diferente, que eu via as coisas diferente
e sentia de um modo diferente
não entendia quem falava comigo de dentro da minha mente
mas eu sei que sempre estive doente.
podia não sentir em todos os momentos,
mas essa peça quebrada sempre esteve presente
e agora eu não sei como me arrumar
como me fixar, como fazer tudo girar do jeito que se deve girar
agora eu já não sei mais como me consertar.
eu não sei se eu nasci assim
tentando reparar algo quebrado dentro de mim
mas eu sei que algo sempre esteve quebrado dentro de mim.
eu não sei como ninguém nunca viu
ou se viu e decidiu não ver
ou se viu e não entendeu,
mas sempre algo esteve quebrado dentro de mim.
e eu sabia que eu diferente, que eu via as coisas diferente
e sentia de um modo diferente
não entendia quem falava comigo de dentro da minha mente
mas eu sei que sempre estive doente.
podia não sentir em todos os momentos,
mas essa peça quebrada sempre esteve presente
e agora eu não sei como me arrumar
como me fixar, como fazer tudo girar do jeito que se deve girar
agora eu já não sei mais como me consertar.
eu não sei se eu nasci assim
tentando reparar algo quebrado dentro de mim
segunda-feira, 4 de junho de 2018
segunda-feira, 14 de maio de 2018
me perdoe por não permitir encantar-me por você,
mas é que eu achei tão bonito o jeito que a gente se beijou
logo depois de eu ter mijado na sua frente
e eu acho que tudo bem, desde que se tenha lavado as mãos.
me perdoe por não permitir encantar-me por você,
mas é que eu achei tão bonito o jeito que você bebeu aquela tequila,
e aquele corote e depois aquela água
e depois nos beijamos de novo no banheiro.
mas é que eu achei tão bonito o jeito de você fumar um baseado,
e que dançou aquela música.
mas bonito ainda foi quando tirou a minha roupa
e beijou a minha boca de um jeito que se beija quando ninguém está olhando
e me deixou meio boba porque naquele momento
eu te olhei e te beijei como se beija quando se está encantando,
e lembra-se que ninguém mais está olhando.
mas é que eu achei tão bonito o jeito que a gente se beijou
logo depois de eu ter mijado na sua frente
e eu acho que tudo bem, desde que se tenha lavado as mãos.
me perdoe por não permitir encantar-me por você,
mas é que eu achei tão bonito o jeito que você bebeu aquela tequila,
e aquele corote e depois aquela água
e depois nos beijamos de novo no banheiro.
mas é que eu achei tão bonito o jeito de você fumar um baseado,
e que dançou aquela música.
mas bonito ainda foi quando tirou a minha roupa
e beijou a minha boca de um jeito que se beija quando ninguém está olhando
e me deixou meio boba porque naquele momento
eu te olhei e te beijei como se beija quando se está encantando,
e lembra-se que ninguém mais está olhando.
quinta-feira, 12 de abril de 2018
sigo com um sorriso no rosto e rugas nos olhos,
fumando uma bicicleta e pedalando um baseado
enquanto sigo com os fones de ouvido,
cantando músicas que não me fazem nenhum sentido.
pela estrada vermelha, já destruída
descendo a mandacaru, que também é um cacto
pedalando uma bicicleta e fumando um cigarro
se chego em casa chapada eu penso em escrever um poema,
que já é de muito tempo que eu nada escrevo e em tudo penso
mas as palavras me sobem pela garganta e me travam os dedos
enquanto eu paro no ponto em que sinto todos os meus medos.
hoje resolvi escrever pra te contar que todo dia eu sigo
com sorriso nos olhos e rugas no rosto
pedalando um cigarro vou pelo torto,
pela mandacaru que também é um cacto
passo pelas igrejas e faço os sinais da cruz,
"vá sempre pela sombra" ontem me disse o exu luz.
e eu vou pra casa com rugas nas mãos
e um sorriso cansado
fumando a bicicleta
e estourando meus pulmões.
fumando uma bicicleta e pedalando um baseado
enquanto sigo com os fones de ouvido,
cantando músicas que não me fazem nenhum sentido.
pela estrada vermelha, já destruída
descendo a mandacaru, que também é um cacto
pedalando uma bicicleta e fumando um cigarro
se chego em casa chapada eu penso em escrever um poema,
que já é de muito tempo que eu nada escrevo e em tudo penso
mas as palavras me sobem pela garganta e me travam os dedos
enquanto eu paro no ponto em que sinto todos os meus medos.
hoje resolvi escrever pra te contar que todo dia eu sigo
com sorriso nos olhos e rugas no rosto
pedalando um cigarro vou pelo torto,
pela mandacaru que também é um cacto
passo pelas igrejas e faço os sinais da cruz,
"vá sempre pela sombra" ontem me disse o exu luz.
e eu vou pra casa com rugas nas mãos
e um sorriso cansado
fumando a bicicleta
e estourando meus pulmões.
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