terça-feira, 30 de setembro de 2014

Peteca

Fui brincar de peteca
E meu coração como brinquedo 

De início jogaram alto
E eu me despedacei
Depois me jogaram com cuidado
Mas eu ainda sim me espatifei
De chão em chão eu caí
E em nenhuma mão eu permaneci
Foram brincar de peteca com o meu coração,
E a peteca se quebrou no chão 


terça-feira, 23 de setembro de 2014

Diário de bordo 2

Só mesmo o vento cantando na minha janela pra me fazer dormir. Nos últimos dias, o sono vem engolido pelo choro. Sustentado pela minha angústia, as lágrimas me percorrem até que a última delas venha com um cansaço que me abata. Não há música, não há oração que me faça dormir sem pensar em você. E em como eu fui egoísta. E como eu estou sendo egoísta.
[pausa] 
Eu finjo que você dorme ao meu lado. E que sua mão, sempre tão grande para o meu rosto, percorre meu corpo. O meu acalento. O meu descanso. Eu vivo em fogo, em brasa, em lava. E você me acalmava. Teu abraço, teu rosto. Ao dormir, eu finjo. Ao acordar, eu minto. Não te tenho. Te perdi. E me perdi.
Eu, que sou fogo e me afogo. 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Diário de bordo

Estou presa. Presa no meu próprio lamaçal. Presa no meu próprio redemoinho. Nas minhas certezas (bem, eu achava que eram certezas). E agora estamos divididos, e a angústia no meu peito não se cala. Ela se eleva, e me sufoca, e vaza pelos meus olhos. Eu não sei o que fazer. Como agir. A tristeza alcançou meu corpo, e eu não faço mais nada além de me lastimar. Tão cansada, tão culpada. 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A caixa

Tenho guardado na caixa
Tudo o que me deu
Os beijos, os filmes
Tudo que era seu

Os carinhos, as risadas
Tudo que me pertenceu.
Tenho na caixa as lágrimas
As brigas, os gritos
Tenho todos os motivos
Que me fizeram partir
E uns poucos pelos quais
Eu poderia ter ficado.
Mas acima de tudo, tenho guardado
A lembrança de uma memória
Que nunca foi minha.
Na caixa, tenho guardado
Um coração quebrado. 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

[Mais um desabafo]

Sempre tive problemas com sinceridade. Falta dela, ou excesso. E agora me vejo com um problema de excesso. Sou sincera demais. Comigo e com os outros. Mentira é algo com o qual eu não lido bem. Talvez porque eu tenha sido alvos de sucessivas e corrosivas mentiras que destruíram meu senso de perdão. Eu não perdoo mentira. Perdoei muitas, e não tive recompensa. Agora me mantenho fiel à verdade, e muitas vezes, por mais que me doa, ela é a única que permanece comigo. Uma mentira o vento leva. O vento levou todas as mentiras que um dia me foram ditas e agora nada me restou a não ser a verdade que eu tenho dentro de mim. 
Aguardo a recompensa pela sinceridade exagerada, pela verdade encrustada em meu corpo como meu único sinal de fraqueza. Por vezes, gostaria que eu pudesse fingir que certas coisas, certas palavras e comportamentos são aceitáveis. Meu rosto se contrai em desgosto e minha voz não me deixa mentir. Eu sou a minha própria mentira. Por ser verdadeira, sou uma farsa. O que isso diz sobre mim?

A mentira o vento leva.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Eu me perdi

Eu me perdi no meio do caminho. Eu perdi minha direção. Tanta gente que eu vi e conversei, que eu vi e amei, que eu vi e perdi. Eu continuo nessa estrada, mesmo não sabendo a direção que eu sigo. Havia pessoas ao meu redor, e agora não há ninguém. Quem segue ao meu lado? Quem segura minha mão? 
Tantas coisas, tantas dores eu já enfrentei. Ainda sinto a mesma dor. Mas agora o meu caminho mudou. Eu sigo para onde? Eu sigo com quem? 

Eu sigo por que?