terça-feira, 21 de outubro de 2014

as portas

é tão triste abrir as portas da sua vida
colocar café na mesa
assar um bolo, encerar o chão
e até mesmo arrumar o seu quarto
e ficar esperando a visita chegar.
mas é tão triste abrir as portas do meu coração
arrumar tudo lá dentro pra você se encantar
tirar a bagunça que faltava limpar
pra você chegar e não querer entrar
na minha vida

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Um Led estava tocando no carro quando eu decidi que queria você. Decidi que queria você ao meu redor, em cima de mim. Queria você a um ponto onde não saberíamos onde seu ser terminava e onde o meu começava. Since I've been loving you sempre foi a nossa música. Abre os meus botões, levanta minha saia e me toma. Me sobe, me desce, me puxa. Abre a porta do carro pra eu poder respirar, mas não para. Sua mão me contorna, teus lábios me sugam. Se o solo ainda não acabou, você também não vai parar. Então continua até um grito sair. Continua até eu não ter mais condição de dirigir. Até meu último suspiro escapar, e meu corpo tremer, e eu escorregar de suas mãos pra pedir arrego. Mas continua. E se a música acabar, só quando Jimmy parar de tocar, a gente vai descansar.
Mas o CD tá no replay.
Eu era fogo. E como fogo, queimava. Faltava-me o ar. Jogava meu cabelo para os lados e erguia minha saia. Você aproveitou da oportunidade, e tomou conta de mim. Me fez refém. Me fez sequestrada pelo seu corpo. Suas mãos - que sempre me conheceram tão bem - me contornavam, e seus lábios, sempre tão familiares, me sugavam. Suspirei. Me subiu e me desceu, me controlou do começo ao fim até que eu estava tremendo, suplicando por ar. O fogo se desfez, e eu agora sou cinzas. 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Eu não escrevo bem, mas a escrita é minha terapia.

O meu problema com o tempo: o tempo não existe. Eu criei o tempo, e o tempo me devora. Me necrosa. Eu não consigo acompanhar o tempo, que vão, se faz presente, e voa. Eu tenho pressa de ter mais tempo. De ter tempo tranquilo. Quando é que tempo é tranquilo? Quando que é que a aflição some?

Vestígios

Por um tempo, tinha resto seu por todo lugar. Seu cheiro na minha cama, seu abraço no meu corpo, sua mão na minha cintura, seus lábios no meu pescoço. Até mesmo embalagens de cigarro e de camisinha no criado mudo, que ambos tínhamos preguiça de jogar no lixo (e fazíamos a limpeza a cada duas semanas). Depois sua presença começou a diminuir. Menos xícaras de café, menos cigarros meio apagados, menos isqueiros perdidos. Então, sua presença desapareceu e um vazio preencheu o espaço vazio. Nenhuma carta, nenhuma foto. Nenhuma música, nenhum som vindo do meu quarto. Nenhum som vindo da minha casa que remetesse à você. Nada. Todos os vestígios de você foram embora.
E o único vestígio da sua presença que permaneceu
Foi eu.