quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

as minhas culpas eu grito no silêncio 
de uma vergonha tão grande que queima o meu peito 
culpa e vergonha que sinto desde pequena 
desde nem saber o que é culpa direito 
não vivo sem ela que preenche grande parte do meu ser 
e no chuveiro gelado na inquietude do banheiro abafado eu choro pelas minhas impurezas 
pelas minhas verdades que não foram ditas, escondidas 
e pelas falhas que venho tendo 
erros que venho cometendo 
e sinto os olhares me queimando 
as vezes até se apropriando de algo que não é de mim 
e sigo aflita, talvez pelo resto dos meus dias
sentindo essa culpa sem fim 
não estou cabendo hoje 
e não sei se caberei 
nesse espaço em que me coloca, 
logo eu, tão espalhafatosa 
nesse espaço pequeno e triste
só seu melancólico coração

não estou servindo hoje
com as roupas que me destes 
nem com a personalidade que queres 
logo eu, tão exagerada e sucinta 
nesse cubilo tenebroso
que diz ser o seu amor 

eu não estou cabendo e não caberei
onde não me sentir confortável, amável 
desejada e bem quista 
por até aonde me abrange a vista 
desse seu pequeno ser.