sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

hoje usei o relógio antigo da minha mãe 
e ela tinha um estilo refinado
me arrependo tanto de ter perdido quase todas as suas coisas
ou vendido 
hoje vejo o valor, não material, que é ter um pedaço de você comigo 
e esse relógio nem funciona mais 
parou de contar o tempo e os segundos as vezes andam para trás 
e eu não sei porque coloquei no pulso 
talvez porque queria minha mãe perto de mim 
talvez porque queria que o tempo funcionasse assim, parasse de desalecerar 
e quanto estou sentindo dor ele parece não passar 
e é eterno cada segundo de dor, vergonha, saudade 
mas tão veloz os segundos de amor, carinho, verdade 
e esse relógio sem horas me trouxe um pouco de paz 
nada do que foi volta, mas hoje ainda tem tempo pra gastar 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

quanto mais escrevo pra você mais eu te esqueço
e deixo meus sentires em palavras insensíveis 
em poemas invisíveis, publicados em um site qualquer 
que ninguém nem lê, muito menos menos você... 
né?
quanto mais eu te dedido minhas linhas, mais eu coloco você pra fora de mim
cuspindo as promessas não cumpridas, palavras vazias que você encheu a boca pra me falar
de sentimentos que talvez você nem sentia, mas queria me cativar
e eu presa fácil, caí na armadilha de me entregar 
de abrir meu coração, derrubar meus muros pra você entrar
olhar todo meu terreno e decidir que nunca quis comprar
fosse embora antes, me pouparia todo o trabalho 
de limpar a bagunça que você deixou na minha sala de jantar 
na qual nunca jantamos, porque você nunca ficou tempo o suficiente para que a comida pudesse esfriar 
e agora eu escrevo mais um poema, só que dessa vez, sem chorar
porque quanto mais eu escrevo 
mais eu alivio 
menos quero te procurar 
e verso após verso, você vai embora 
e o meu muro vai voltar pro lugar
todos os assuntos que tínhamos para conversar no fim do dia agora são findados na ponta da minha língua 
e todos os beijos que eu ainda queria te dar morrem na ponta da minha caneta 
enquanto eu espero que você passe pela frente da minha casa, bolando mais um desses tabacos 
servi de mertiolate para os teus machucados mais profundos 
e você serviu de inspiração para que eu escrevesse mais um pouco
sonhando que a vida tinha te devolvido pra mim, mas era só emprestado
para que eu pudesse sentir o sabor, sentir o teu calor e te devolver pro mundo

e agora todos os meus poemas são findados na ponta dos meus dedos
sem que atravessem a tela do meu celular pra chegar a ponta dos seus dedos
sem que você venha até mim
e sem que eu chegue até você