sábado, 27 de julho de 2024

sei lá 
Talvez eu não tenha mudado tanto assim 
Talvez essa vida que eu levava não faça mais jus a mim 
Sábado de manhã, nove horas 
Se fosse antes eu estaria indo dormir a essa hora
Provavelmente bêbada, talvez até chapada 
Quase com toda certeza indo dormir acompanhada 
(Não gostava de ficar sozinha). 
Lembrei daquela vez que eu pulei o portãozinho do buracão, e tenho quase certeza que quebrei alguns dedos 
Meu pé ficou todo preto 
Mas eu não sentia quase nada, tava sempre anestesiada 
E eu achava o máximo estar ali fingindo ter amigos 
Fingindo gostar daquilo 
Enquanto eu só queria ser amada, querida, desejada 
Lembrando de todas as noites que eu fiz cagada, fiquei quebrada, sem um centavo na carteira, repartindo milimetricamente uma carreira 
E jurei que ia suprir o vazio que eu tinha 
Nada que eu tentava, supria 
Até que eu morri
Várias e várias noites 
Até poder enxergar que a falta que eu tinha era minha
Falta de mim 
Falta de me encontrar 
Não cheguei lá 
Mas sei lá 
Talvez eu esteja mais perto de achar 

sábado, 20 de julho de 2024

o último poema do mundo

O último poema do mundo 

Tudo que eu sinto, eu sinto muito 
Sinto tanto que as vezes acho que vou morrer de sentir. 
Sinto tanto ao mesmo tempo O último poema do mundo 

Tudo que eu sinto, eu sinto muito 
Sinto tanto que as vezes acho que vou morrer de sentir. 
Sinto tanto ao mesmo tempo que fica difícil de discernir o que é inventado, o que é real 
Sinto tanto, choro tanto e escrevo pouco 
Ai entalo, engasgo, morro 
Com aquilo que não disse, não pronunciei, não expressei e não escrevi. 
E não é por falta de querer, porque eu sempre quero escrever o meu último poema do mundo 
Aquele tão lindo, tão cheio, tão tão que todo mundo vai se lembrar 
E eu que sempre gostei de fazer os outros chorar, vou sorrir de pensar que meus sentires chegaram em alguém que também sentiram. 
E todo meu amor, toda a minha dor, todo o meu tudo, imundo, lindo, abençoado, bagunçado não vai ser em vão 
Já vi tanta gente morrer, agora vendo minha pequena crescer e ainda não consigo escrever esse poema 
Porque tudo que eu sinto não cabe nos sinais das palavras, sinais pequenos pro tamanho da minha imensidão! 
E eu fico tão ansiosa querendo vida na minha poesia que travo, paro, fico no meio caminho. Escrevo um verso, deixo sozinho. Escrevo outro verso, ficou de rascunho. 
E talvez o último poema do mundo não tem voz, nem sinais, nem palavras 
Talvez todos os sentires caibam em uma só coisa, talvez todos os poemas possam ser um só 
Talvez o último poema do mundo seja um suspiro.