quinta-feira, 20 de julho de 2023

esse poema talvez seja muito específico e não faça sentido pra vocês. 

parei minha pintura pra tentar escrever, já que faz meses que tenho um diário com páginas vazias
canetas ainda cheias e uma angústia muito presente.
eu escrevo como um susto 
e me assusto quando percebo 
as violências que tenho me permitido 
e ao tamanho que tenho engolido. 
ando dúvidando tanto da minha mente que fazem cinco meses que choro todos os dias
me apertando tanto para caber em você, 
mas só agora percebi que preciso de mais espaço, 
não para mim, mas minha passarinha crescer. 
e que ela nunca se deixe prender. 
não queria me perder, mas me perdi 
e mudei tanto que desde então eu não me reconheci 
tenho sido talvez apenas uma mãe? 
mas me lembro que já fui poeta, artista, com tinta seca nas mãos
me lembro que já fui livre, voando por todo o céu 
e eu tinha tudo de mim. 
vejo agora que tenho tido os sonhos podados 
por um coração constantemente desamparado, 
incapaz de tentar sair do lugar. 
ainda me sinto pequena, embora já tenha uma certa altura, com medo de voar 
mas prometo ser corajosa, passarinha, pra poder te acompanhar 

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