Às vezes sua imagem aparece na minha cabeça. Não que eu queira pensar nas coisas que já se passaram, mas eu penso, sabe. Tava no sinal da colombo e eu senti um cheiro tão familiar. Um cheiro que era seu, que só tinha em você (mais precisamente no seu pescoço). Meu olho encheu de lágrima. Umas lágrimas grossas, pesadas, quentes, só ia caindo e eu tava sem saber o que fazer. Parei o carro, acendi um cigarro, solucei, chorei, senti sua falta. Assoei meu nariz como se eu pudesse repelir todo o sentimento de você, tudo da sua presença que ainda me emocionava mesmo não estando presente. Peço educadamente que você se retire. Você já se retirou fisicamente, então, peço que por gentileza, não vem mais não. Não venha mais no sonho, não venha mais na memória, não venha! Não venha de jeito nenhum. A não ser que seja pra rir de mim, do cheiro do meu cigarro, do jeito que eu canto, do jeito que eu me perco. Mas se não for assim, não quero que venha.
O carro parado, o vidro embaçado e eu lá chorando que nem uma idiota por uma presença tão sutil. Como se eu andasse ao seu lado. Mas não, porque você também nunca gostou de segurar mão na rua, e eu sempre achei que esse era o ato mais bonito que você diz que gosta de alguém sem dizer com a voz. É uma carta, mais uma pra pilha de coisas que eu escrevo pra você, e você não lê, que eu vou fazer sabe. Mas hoje eu tive que parar o carro pra chorar, porque eu senti sua falta de uma maneira tão imensa. "E se abraçar de forma descomunal até que os braços queiram arrebentar". Sinto que não nos abraçamos, não dizemos adeus, não conversamos. Não nos falamos, e eu nunca te disse, mas te amo.
Ou te amei.
Não sei.
Tinha escrito uma vez que lágrimas de amor são sempre quentes e eu acredito nisso, porque quando choro por você, cai esse choro grosso, pesado, pesado, pesado, abafado de dentro de mim. Cozinhei você dentro de mim, mas se desfez, só vapor, quente, quente, quente. Pesado. E quando choro, me livro disso.
Por isso eu chorei hoje, chorei tanto. Gritei como se tivesse perdido um braço. Chorei tanto, gritei tanto, sofri tanto, porque não quero mais esse amor abafado dentro de mim. Então eu chorei, e sua presença se foi, e eu chorei mais. E respirei.
Respirei, acendi um cigarro, fumei, tomei um gole de vinho. E sim, eu sei que não deveria beber e dirigir, mas foi só um gole.
E eu fui pra casa.
E você foi embora.
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