segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

 todo ano eu digo pro belchior que não vou morrer e eu sempre morro um pouco. vou te falar que esse foi o ano que eu mais morri. repetidas vezes. tinha vez que eu morria umas três vezes no mesmo dia. me desmontei inúmeras vezes. me despedacei. me maltratei. 

e hoje eu acordei inteira. não só inteira, transbordando. todos os lugares que eu passo eu acabo me despejando um pouquinho, então não vai ser estranho se você achar um pouco de mim por aí. e um pouco de você por aqui. eu tô aqui, outro final de ano, prometendo pro belbel que ano que vem eu não morro; mas é necessário pra nascer de novo. me refiz. me desfiz, e agora eu sou inteira. eu sou tão inteira que até nem caibo em mim, e acordei emotiva hoje, então me perdoe pelas demasiadas emoções. 

esse não é um texto de fim de ano (mesmo que tenha sido escrito no final de um)

essa é uma declaração de amor.
pra mim. pra você, pra todo mundo que se desfez e refez e se montou juntando todos os pedacinhos que caíram por aí. 

esse ano eu morri mas ano que vem eu não morro

Hoʻoponopono

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

de passo em passo eu me refaço
como uma versão definitiva de lápis em um almaço
e eu me amasso, fumo um maço pra que eu possa esquecer
todas as partes de mim que você não chegou a ver
e eu me perco, aperto o passo na esperança de encontrar você na rua
mesmo que eu esteja em pedaços, eu me junto, me desmonto, me refaço pra te ver
em um desses encontros românticos sob a luz da lua
que me ilumina, você me olha tão fundo e eu me sinto nua
e me desmonto, me amasso e faço por você.

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

fio vermelho da saudade

 eu e você temos um laço vermelho nas pontas dos dedos
e de pensar nisso eu fiquei triste, eu queria um desapego
queria não pensar em você, no que está a fazer
mesmo quando não penso, você insiste em aparecer
nos meus sonhos, na minha cabeça
juro que eu tenho ficado ocupada, e mesmo assim você aparece
e eu fico angustiada...

pensando no jeito de menino que me fazia sentir como uma criança
e talvez no fundo eu tenha um pouco de esperança
que você venha no fim de tarde para tomar um café,
que você venha por aqui pra gente conversar, trocar uma ideia quem sabe,
né?

mas se não quiser, então não vem e me deixe que te esqueça
porque esse laço me deixa como um capacho,
nos pés por onde você passa
rezando para que você não passe
e que não me esqueça de mim.
e quem sabe, cê fique por aqui

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

 hoje eu fumei um cigarro atrás do outro
tentando talvez afastar o sentimento de que sou um corpo morto
um peso solto
uma rima sem verso, uma poesia torta
hoje eu fumei um cigarro atrás do outro,
eu fumei até tentar esquecer,
até perder a voz
até esquecer quantas de mim formam uma só.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

 Às vezes sua imagem aparece na minha cabeça. Não que eu queira pensar nas coisas que já se passaram, mas eu penso, sabe. Tava no sinal da colombo e eu senti um cheiro tão familiar. Um cheiro que era seu, que só tinha em você (mais precisamente no seu pescoço). Meu olho encheu de lágrima. Umas lágrimas grossas, pesadas, quentes, só ia caindo e eu tava sem saber o que fazer. Parei o carro, acendi um cigarro, solucei, chorei, senti sua falta. Assoei meu nariz como se eu pudesse repelir todo o sentimento de você, tudo da sua presença que ainda me emocionava mesmo não estando presente. Peço educadamente que você se retire. Você já se retirou fisicamente, então, peço que por gentileza, não vem mais não. Não venha mais no sonho, não venha mais na memória, não venha! Não venha de jeito nenhum. A não ser que seja pra rir de mim, do cheiro do meu cigarro, do jeito que eu canto, do jeito que eu me perco. Mas se não for assim, não quero que venha. 

O carro parado, o vidro embaçado e eu lá chorando que nem uma idiota por uma presença tão sutil. Como se eu andasse ao seu lado. Mas não, porque você também nunca gostou de segurar mão na rua, e eu sempre achei que esse era o ato mais bonito que você diz que gosta de alguém sem dizer com a voz. É uma carta, mais uma pra pilha de coisas que eu escrevo pra você, e você não lê, que eu vou fazer sabe. Mas hoje eu tive que parar o carro pra chorar, porque eu senti sua falta de uma maneira tão imensa. "E se abraçar de forma descomunal até que os braços queiram arrebentar". Sinto que não nos abraçamos, não dizemos adeus, não conversamos. Não nos falamos, e eu nunca te disse, mas te amo. 

Ou te amei.

 Não sei. 

Tinha escrito uma vez que lágrimas de amor são sempre quentes e eu acredito nisso, porque quando choro por você, cai esse choro grosso, pesado, pesado, pesado, abafado de dentro de mim. Cozinhei você dentro de mim, mas se desfez, só vapor, quente, quente, quente. Pesado. E quando choro, me livro disso.

Por isso eu chorei hoje, chorei tanto. Gritei como se tivesse perdido um braço. Chorei tanto, gritei tanto, sofri tanto, porque não quero mais esse amor abafado dentro de mim. Então eu chorei, e sua presença se foi, e eu chorei mais. E respirei.
Respirei, acendi um cigarro, fumei, tomei um gole de vinho. E sim, eu sei que não deveria beber e dirigir, mas foi só um gole. 

E eu fui pra casa. 

E você foi embora.

domingo, 23 de agosto de 2020

que o meu atrapalho não me atrapalhe a fala quando eu tiver que te falar
todas as coisas que eu senti durante o dia e não podia evitar de pensar
que talvez você seja bom pra mim, talvez eu não possa escapar
mas eu ainda não encontrei palavra nenhuma, e isso só me atrapalha
porque se eu não disser, você nunca vai saber, e daí isso vai ficar entalado
eu sempre te disse que eu era muito atrapalhado, mas não pensei que seria a tanto
a ponto de eu não conseguir te explicar nadinha de nada porque me sinto tão entusiasmado
que as vezes me entalo no meu atrapalho e simplesmente engasgo 

 e não consigo te falar todas as coisas que deveria falar
ou todas as coisas que eu acho que deveria
mas que talvez, no final do dia
eu não deveria dizer nada

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

para que você não me roube



hoje não quero que tenha nada meu
nem o pensamento
nem a saudade dos seus olhos de jabuticaba 
nem a reminiscência do seu cheiro. 
para fugir de você 
vou entrar dentro de mim e fechar as janelas e a porta.

se você não quer 
eu me quero 

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

 assino tanto nomes que já não lembrava qual deles era o meu
cabelo cortado, cabelo comprido, ninguém me reconheceu
nem eu me reconheço quando me olho no espelho
também não me reconheço quando uso algum tipo de batom
vermelho
pra combinar com os olhos meus olhos que possuem um desejo de ter tudo e de não ter nada
de ser boazinha, mas gosto de ser malcriada
com ideias boas, só que mal expressadas
com tantas vontades, mas muito cansada.
eu assino tantas eus que já não lembro de qual é a primeira,
de qual chegou, de qual me vestiu
de qual chorou, de qual riu
tantos espectros, não sei qual você viu
eu tenho tantos nomes, e acho que todos são meus 


agora consigo me lembrar,
todas essas pessoas sou eu

domingo, 9 de agosto de 2020

 hoje meu coração está tão pesado que eu queria deixá-lo na calçada
deixar em cima do lixo, levar pra reciclagem
quem sabe outra pessoa reaproveita melhor mesmo com algumas peças estragadas

hoje meu coração está tão pesado que eu até ando curvado
queria tanto abandonar todas coisas que eu sinto sem me achar culpado
mas hoje meu coração dói tanto que até me sinto meio desnorteado

sem norte, sem direção, meu coração era minha bússola mas aqui não funciona o norte
meu coração está tão pesado que não me sinto mais nem um pouco forte
queria poder deixá-lo na calçada
tal qual latinha amassada
alguém sempre passa recolher

será que vão vir buscar o resto das coisas que eu tinha pra escrever

terça-feira, 4 de agosto de 2020

achei que tivesse me perdido de mim
mas logo me reencontrei.
me distrai com as cores do caminho,
com as vozes e os cochichos
eu jurava que tinha me perdido
e que ia ter que me reconstruir do zero.
mas como é que se perde assim
como é que eu me perco de mim?
tamanha baboseira, tamanha mentira
tamanha as quinquilharias que eu carrego comigo
tanta coisa fica pesada, e nada disso eu tinha perdido
então quando alguém ri comigo eu já acho suspeito
fico aflito, mas me sinto finito
e o tempo ri de mim porque não passo contigo
sou perdido pelo caminho,
mas perdido de mim eu acho que sei lá
longe de mim ia me sentir tão sozinho,
entrei em desespero, olhei e não me encontrei
ai que susto! achei que tivesse me perdido...

domingo, 2 de agosto de 2020

.

vejo o seu rosto 
ouço a sua voz 
e tenho vontade de compor poesias
pra ler pra você enquanto estivermos a sós.

você me inspira e eu me sinto desperta 

você é arte 


quinta-feira, 23 de julho de 2020

eu nunca tinha ficado tanto tempo em silêncio.

juro, silêncio tão maldoso comigo, que se você quisesse ouvir,
ficasse atento,
poderia ouvir todas as minhas vozes conversando entre si
e o meu coração se rasgando por dentro.
ficamos tanto tempo em silêncio
que eu pude ouvir as coisas não ditas, os segredos sujos,
seus detalhes obscuros.
não há paz no silêncio
apenas a dor que eu me submeto
dias e dias que eu ainda tento fazer você me escutar
e no retorno, ouço apenas
silêncio

sábado, 27 de junho de 2020

as coisas bonitas que você não quis ver em mim

as coisas bonitas que eu tenho dentro de mim e eu jurava que não tinha.
as cores que eu vejo em dias de chuva.
como eu gosto de escrever poesias.
e de tirar fotos suas.
e ser sensível demais.
e chorar demais.
pelo menos eu não fico com o sentimento entalado,
eu sinto e ele é falado.
como eu sinto falta da minha mãe.
como eu amo as coisas, e as pessoas, e quase que te amei tanto a ponto de esquecer que me amava também.
como quando eu durmo sozinha e seguro minha própria mão.
eu tinha tantas coisas bonitas que eu queria te mostrar,
tantas coisas bonitas que você não quis nem ver,
quase que um  desperdício tentar mostrar elas e explicar quem eu sou pra você...
mas eu fico feliz de ver em mim as coisas bonitas que eu tenho aqui
e que eu jurava não ter.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

chinelo/coissas pessoas demais

eu acho que enquanto você não tá mais por perto
vai ter uns dias que eu ainda vou usar o seu chinelo.
mesmo que seu pé seja uns 6 números maior que o meu,
essa havaianas azul que você esqueceu.

é mais uma dessas coisas que você não vai ler,
ou se ler vai fingir que não é pra você,
e eu fico meio que tentando entender onde foi que eu errei
porque a gente se amava tanto... (pelo menos eu achei)

nem tem rima chique, não tem nada de sutil,
mas é que pelos últimos dois dias eu só chorei
e tipo não é que eu não vá aguentar, não vá superar
só que é chato, e eu preciso falar pra poder passar

precisava que você soubesse de tanta coisa,
coisas pessoas demais pra falar, coisas demais pra processar
mas você não está mais por perto,
então, só me diz o que é que eu vou fazer com a porra do seu chinelo

me devolve pra mim
que eu quero minhas pernas de volta,
quero sair de perto dessa dor,
dessa agonia,
desse romance que eu jurava que ia durar uma vida
então me devolve,
tudo que eu te dei,
tudo o que eu te amei,
as músicas que eu te mostrei,
me devolve pra mim.
porque tudo que era meu
é seu
e não sobrou quase nada por aqui
então, se você puder,
por favor, passar e me devolver pra mim...

quarta-feira, 13 de maio de 2020

ninguém quer saber de dor. acho que é porque todo mundo sofre demais.
e a gente não quer ficar lembrando disso.
a gente passa fome, fome de comida e fome de poesia.
a gente passa fome, fome de amor e fome de companhia.
mas ninguém quer saber de quem sofre, porque a gente sofre muito e a gente mente.
e ai se formos pego na mentira!
porque quem mente não é nem gente,
mas a gente sofre tanto por tudo
a gente sofre tanto por tudo no mundo.
pra dor não tem vacina, sabe?
mas às vezes, um abraço dado e a saudade é quem parte
mas ninguém quer saber,
a gente fecha os olhos e finge não entender
quando alguém pede ajuda e a gente tapa os ouvidos,
quando alguém pede a mão e a gente esconde os braços,
porque ninguém quer saber da dor do outro mas todo mundo quer ser compreendido
ninguém quer saber, eu sei disso
então vai mais um poema besta, mais um daqueles que ninguém vai ler

domingo, 10 de maio de 2020

tudo me dói mas nada me parte 
porque de partidas já tenho muitas 
mas sempre aguento mais uma 
nada me parte mas só uma parte de mim 
e já tenho tantas frações que nem sempre sei recompor 
mas todas as canções que eu coloco a minha dor 
canto pra você ouvir 
nem sempre você vai entender 
mas se quiser ver, 
essa sou eu. 
e eu me recuso a deixar de sentir
eu me recuso a deixar de amar 
porque mesmo que você parta e doa em mim 
tudo me dói, mas nada é o meu fim

quinta-feira, 30 de abril de 2020

me vejo em diferentes vidas,
diferentes sapatos,
gostos,
baseados.
me vejo com diferentes tipos de cabelo,
diferentes tipos de corpos,
e um diferente tipo de sorriso.
não me reconheço no espelho,
se eu um dia ja me vi, hoje eu não vejo.
quero ser tantas de mim que quem eu era se perdeu
por que será que é tão difícil ser eu?

sexta-feira, 10 de abril de 2020

sinto que eu sou machucada pelos erros que cometi e nunca consegui perdoar
não por ter ferido aos outros, mas por ter me ferido
e ter assassinado tudo que eu achava que há de bom em mim.
como se eu pisasse em todas as sementes que tentam florescer dentro do meu coração
eu continuo machucada, com a faca na mão, cortando tudo que há bom e negando o meu próprio perdão

terça-feira, 24 de março de 2020

eu não tenho tudo o que eu sempre quis, mas tudo o que eu tenho é o que eu quero
não aceito mais migalha, nem peço por amor, muito menos por afeto
se for pedir pra ficar, eu quero que fique bem perto
eu não tenho hoje tudo o que eu sempre quis, mas tudo o que eu tenho é muito mais do que eu espero

segunda-feira, 9 de março de 2020

três nós do desejo

você me deu uma pulseira e me disse que ali poderia fazer três desejos enquanto atasse os nós
pedi que você me amasse 
que você me visse 
que você me desejasse. 
mas hoje os nós estão frouxos e a pulseira caindo 

deve ser porque não se deve pedir amor. 
ou porque você nunca vai me amar
nem me ver
nem me desejar. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

eu só queria te dizer que apesar de ser meio difícil
colocar as palavras na minha voz, e você sabe que eu fico meio sensível
ao me expor, e te dizer, que quando segurou minha mão o mundo parou de girar um instante
e tudo que você dizia me dava vontade de te beijar, sem parar
e eu espero que você não se sinta incomodado
ou assustado
porque eu sei que também é meio emocionado,
e não é que eu queira casar ou algo assim
eu só queria que você soubesse do quanto que eu gostei
quando você tava perto de mim.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

não escrevo porque as palavras me engoliram
e eu vomito solidão
nenhum som, nenhuma voz
nenhuma melodia nos meus dias cinzas
só penso em morrer
e me sinto só.
não escrevo porque as palavras não aguentam
o peso da minha dor de não sentir nada
e sentir tudo que há no mundo
todo dia, perco minhas sílabas para um buraco que não tem fundo
nenhum som,
nenhuma voz
mas eu não quero morrer
e cansei de me sentir só

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

faz chuva, faz sol
faz frio e faz calor
e no meio da minha intensa dor
eu abri a janela
ventou.
e no céu confuso
no meu quarto esfumaçado
reluzindo no meu coração cortado
um raio de luz
o mesmo que me fazia feliz quando eu era criança

um momento de esperança