em nome do pai, do filho, do espírito santo, amém.
deus abençoe a fragilidade humana
de um corpo vazio, duro, gelado
caído sem pulso na beira da calçada.
deus abençoe o indivíduo cuja mão é uma arma,
dura, gelada e em explosão.
a ela todo o poder, de vida e morte
a ela toda a existência do meu irmão.
à ela, todo poder de troca, mais valiosa que um caixão
vende dez madeirão e tem uma arma de lucro,
enquanto isso estamos aqui embaixo de luto
mais um luto, mais um enterro.
e a gente se perguntando onde é que vai enterrar mais um
que pra eles, não era nenhum.
eles soltam fogos, a gente leva fogo
lá de cima cai tudo aqui.
dentro de suas lamborguinis e carros importados
abençoados por deus
e maus por natureza.
mas deus abençoe os ricos e brancos que estão acima de nós,
a eles todo o poder
a eles toda a ressurreição!
o corpo de cristo hoje não vêm pra eucaristia,
foi deixado duro e gelado numa rua da periferia
terça-feira, 30 de outubro de 2018
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
às vezes só é preciso uma mulher
para lembrar outra qualquer
que não somos uma por aí,
mas somamos muito por aqui.
às vezes é preciso uma mulher
que toque na face de outra mulher
para nos lembrarmos de que tudo podemos,
tudo somos,
e de todos os jeitos existimos
e existiremos
e resistiremos
enquanto houver uma mulher para lembrar outra qualquer
para lembrar outra qualquer
que não somos uma por aí,
mas somamos muito por aqui.
às vezes é preciso uma mulher
que toque na face de outra mulher
para nos lembrarmos de que tudo podemos,
tudo somos,
e de todos os jeitos existimos
e existiremos
e resistiremos
enquanto houver uma mulher para lembrar outra qualquer
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
fecham-se as cortinas e o ato continua
sua boca de encontro à minha
e sua mão experimentando minha pele nua
nessa dança em que estamos à sós
presa em seus olhos, onde jaz a minha paz
e nossas pernas atando-se como nós.
quanto mais te saboreio mais quero devorar
e engolir de uma vez todas as tuas palavras,
com os sons que você faz soletrar.
se somos dois, o nosso silêncio não precisa falar
e eu te seco com o meu olhar
na sede que eu tenho de te encharcar.
abrem-se as cortinas e o ato se encerra
e eu que nunca fui de segurar mãos,
seguro as tuas e me sinto completa.
sua boca de encontro à minha
e sua mão experimentando minha pele nua
nessa dança em que estamos à sós
presa em seus olhos, onde jaz a minha paz
e nossas pernas atando-se como nós.
quanto mais te saboreio mais quero devorar
e engolir de uma vez todas as tuas palavras,
com os sons que você faz soletrar.
se somos dois, o nosso silêncio não precisa falar
e eu te seco com o meu olhar
na sede que eu tenho de te encharcar.
abrem-se as cortinas e o ato se encerra
e eu que nunca fui de segurar mãos,
seguro as tuas e me sinto completa.
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