Faz anos que eu monto o mesmo quebra-cabeça, no qual as únicas peças que eu tenho são as da borda. Montei uma moldura e a fotografia muda sempre, variando com o romance no qual eu estou envolvida. Faz anos que eu monto o mesmo quebra-cabeça, o quebra-cabeça da minha alma machucada e mal resolvida. Ocupo espaços que não deveriam ser ocupados, forçando peças a encaixar onde não cabem. Faz anos que eu quebro esse quebra-cabeça que, na verdade, nada mais é do que o meu coração quebrado. Cada peça para cada amante que foi embora desse amor mal-resolvido, mal-acabado, mal-criado e mal-fudido. Cada retrato para qual que me usou, me deixou e cada canto para qual eu usei e enjoei. Faz anos que eu monto esse mesmo quebra-cabeça, mesmo que já montado, mesmo que pronto eu desfaço e refaço.
Já dizia Rubel: 'quando bate aquela saudade' eu enfio ela no cu.
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