quando não tem mais um motivo pra ficar
quem é que continuará a lutar?
o coração que pulsa o mundo é um
em um suspiro gigante,
em uma vida cheia de pulsares diferentes
o coração que pulsa o mundo é um
na floresta em que vive a serpente.
segunda-feira, 28 de agosto de 2017
sexta-feira, 18 de agosto de 2017
what a beautiful dream
sonhei que corria com os lobos tal como mogli
e me pendurava pelas árvores tal como lucy.
nadei em cachoeiras tal como peixe,
e voava pelo ar tal como passarinho
acordei com um vazio no meu peito
porque vivo na selva de concreto
onde os animais usam disfarces
e eu nunca sei quando vão me atacar.
seria melhor ter continuado selvagem
e não usar a máscara da civilidade,
pois sonhei que era uma loba
e que comia os homens da cidade.
sonhei que corria com os lobos tal como mogli
e me pendurava pelas árvores tal como lucy.
nadei em cachoeiras tal como peixe,
e voava pelo ar tal como passarinho
acordei com um vazio no meu peito
porque vivo na selva de concreto
onde os animais usam disfarces
e eu nunca sei quando vão me atacar.
seria melhor ter continuado selvagem
e não usar a máscara da civilidade,
pois sonhei que era uma loba
e que comia os homens da cidade.
quarta-feira, 16 de agosto de 2017
o mundo me tirou a risada
e tudo o que eu mais amava
não posso reclamar, eu ainda tenho casa
e não me falta teto e nem comida.
mas me falta alegria e a segurança
de sair na rua e não ter medo de morrer.
tenho medo de polícia, tenho medo de homem
tenho medo do governo, tenho medo de tudo
o mundo arrancou tudo da minha mão,
tudo o que eu mais amava tá à sete palmos do chão
o mundo me tirou a alegria e toda a minha paixão
e me deixou esfomear a alma
não tem mais céu, não tem mais mar
que faça a minha alegria voltar
o mundo me tirou e não e só a mim
todo dia eu vejo criança que não onde morar
gente negra com o sangue escorrendo pelo chão
vejo as minas tendo que batalhar pelo direito de uma vida que elas mesmas possam controlar
esse não é um lugar que eu queira morar,
mas já não tenho pra onde ir.
o mundo me tirou a alegria e eu já não consigo mais ver o sol
nem esperança pra ninguém
não tem mais conversa, não tem pacificidade
eu fui pacífica quando arrancaram toda a minha felicidade
agora é arma na mão, fumaça no ar
já não é mais o tempo de dialogar
a minha gente não tem mais liberdade
de falar o que quer, de poder cantar
agora não tem mais volta, eu achei que não ia viver pra contar
a era de aquário tá demorando demais pra chegar
e enquanto isso só sangue à derramar
a gente não consegue mais estudar
e a fome só que chega e alastra.
eu não tenho mais o dom da poesia,
eu não tenho mais nada.
o mundo me tirou toda a alegria.
e tudo o que eu mais amava
não posso reclamar, eu ainda tenho casa
e não me falta teto e nem comida.
mas me falta alegria e a segurança
de sair na rua e não ter medo de morrer.
tenho medo de polícia, tenho medo de homem
tenho medo do governo, tenho medo de tudo
o mundo arrancou tudo da minha mão,
tudo o que eu mais amava tá à sete palmos do chão
o mundo me tirou a alegria e toda a minha paixão
e me deixou esfomear a alma
não tem mais céu, não tem mais mar
que faça a minha alegria voltar
o mundo me tirou e não e só a mim
todo dia eu vejo criança que não onde morar
gente negra com o sangue escorrendo pelo chão
vejo as minas tendo que batalhar pelo direito de uma vida que elas mesmas possam controlar
esse não é um lugar que eu queira morar,
mas já não tenho pra onde ir.
o mundo me tirou a alegria e eu já não consigo mais ver o sol
nem esperança pra ninguém
não tem mais conversa, não tem pacificidade
eu fui pacífica quando arrancaram toda a minha felicidade
agora é arma na mão, fumaça no ar
já não é mais o tempo de dialogar
a minha gente não tem mais liberdade
de falar o que quer, de poder cantar
agora não tem mais volta, eu achei que não ia viver pra contar
a era de aquário tá demorando demais pra chegar
e enquanto isso só sangue à derramar
a gente não consegue mais estudar
e a fome só que chega e alastra.
eu não tenho mais o dom da poesia,
eu não tenho mais nada.
o mundo me tirou toda a alegria.
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
Faz anos que eu monto o mesmo quebra-cabeça, no qual as únicas peças que eu tenho são as da borda. Montei uma moldura e a fotografia muda sempre, variando com o romance no qual eu estou envolvida. Faz anos que eu monto o mesmo quebra-cabeça, o quebra-cabeça da minha alma machucada e mal resolvida. Ocupo espaços que não deveriam ser ocupados, forçando peças a encaixar onde não cabem. Faz anos que eu quebro esse quebra-cabeça que, na verdade, nada mais é do que o meu coração quebrado. Cada peça para cada amante que foi embora desse amor mal-resolvido, mal-acabado, mal-criado e mal-fudido. Cada retrato para qual que me usou, me deixou e cada canto para qual eu usei e enjoei. Faz anos que eu monto esse mesmo quebra-cabeça, mesmo que já montado, mesmo que pronto eu desfaço e refaço.
Já dizia Rubel: 'quando bate aquela saudade' eu enfio ela no cu.
Já dizia Rubel: 'quando bate aquela saudade' eu enfio ela no cu.
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