Eu acho que nunca tinha visto o sol nascer tão bonito quanto hoje. Sei com certeza que nunca tinha visto as luzes dos postes apagarem de súbito como vi. Sei que tinha ao meu lado pessoas que eu amo, mas que eu não sei se me amam. Sei que lembrei de você quando o sol ainda não tinha nascido e o mundo ainda estava meio neon. Pensei que talvez, quem sabe, você ainda lembre de mim vez em quando. Quando nossos cabelos bagunçavam e eu deitava no seu colo pra repetir histórias que você já tinha ouvido. Mas eu sei que talvez, quase por certeza, meu nome não é mais citado e eu não sou mais lembrada. Não sei o tipo de coisa que você ouve sobre mim agora, mas eu sei que você não vai ouvir sobre como eu dormi hoje na praça mais uma vez sob o nascer do sol e que eu pensei em você. Cê tinha que ver o susto que eu levei quando as luzes apagaram, todas de uma vez só! Cê tinha que ver os transeuntes passando e a gente ali, só dando risada sem nem conseguir se mexer direito. Pensei que talvez, quem sabe, meu nome ainda seja poesia como o teu ainda é melodia. Pensei que talvez, quem sabe, cê quisesse saber por onde eu tô andando e nos braços de quem eu ando me consolando. Alguns braços são bons, outros nem tanto. Alguns me olham de um jeito bonito e outros nem me enxergam. Mas é que, sabe, eu só pensei que talvez eu pudesse escrever isso aqui pra você saber que eu tô bem, obrigado por perguntar, que eu sinto sua falta sim senhor e que eu to tentando não ficar magoada pelo descaso com o qual cê me trata. Tudo bem não me amar mais, mas não precisa fingir que eu não tô ali, sabe? Mas ó: ta tudo bem.
Hoje o sol nasceu bonito e depois o dia nublou. E foi a primeira vez que eu vi as luzes da noite apagarem, como um aviso de que um novo dia chegou. E eu pensei em você.
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