quarta-feira, 29 de março de 2017

sou fadada à um amor de poesia
em que a paixão vem e inflama
no decorrer de um dia.
todo feito de amor e canção 
num instante tenro,
sabendo que nada é eterno
vivendo cada momento
segurando no mínimo instante
pra que amanhã, quando o dia passe
outro artista venha à minha porta
me amar no dia de hoje como fosse
sempre

terça-feira, 28 de março de 2017

eu quero te amar debaixo dos lençóis
quando surgir o dia e fecharmos as janelas
é melhor quando somos nós dois.

eu quero te amar debaixo de uma cabana
feita de roupa de cama suja
enquanto a gente se enrosca e você diz que me ama
e eu te digo que ainda sou tua.
eu quero não ter que pensar
que faz quase um mês
desde que você me tocou pela última vez
e o nosso castelo de chamego desabou
que não tinha mais com o que dormir
e o que era limpo e puro a máquina de lavar sujou

quinta-feira, 23 de março de 2017

hoje é quinta-feira e eu tenho tanta coisa pra fazer
não dá nem tempo de sentar, fumar aquele cigarro
tomar aquela cerveja que a gente disse que ia tomar
provavelmente, vou me atrasar pro trabalho mais uma vez
porque eu parei pra escrever
hoje é quinta-feira e eu não vou poder descansar
que hoje é quinta-feira e é dia útil
dia de servir gente rica com comida que eu não vou comer
e enquanto lavo a louça eu vou pensar em te ter
tomara que hoje eu consiga ter um tempo pra amar você
depois das seis

segunda-feira, 20 de março de 2017

Desde que ouvi as primeiras gotas caírem na jarra eu não consegui parar de escutar. Não importa o volume da música, a goteira prevalecia sobre qualquer melodia, qualquer música, qualquer som que não fosse o da água batendo no metal. Parecia você. Insistente, petulante, irritante. Essa goteira que atrapalhou meu dia de trabalho foi você me atrapalhando à todo momento com sua voz que não sai da minha cabeça. Quando você fala - eu não consigo não te ouvir. Não consigo desviar o olhar, não consigo parar de te secar gota por gota. Não vejo mais ninguém ao meu redor e nem quero. Você e essa maldita goteira, que desde que eu percebi pela primeira vez - eu nunca mais deixei de ver.

domingo, 5 de março de 2017

Eu acho que nunca tinha visto o sol nascer tão bonito quanto hoje. Sei com certeza que nunca tinha visto as luzes dos postes apagarem de súbito como vi. Sei que tinha ao meu lado pessoas que eu amo, mas que eu não sei se me amam. Sei que lembrei de você quando o sol ainda não tinha nascido e o mundo ainda estava meio neon. Pensei que talvez, quem sabe, você ainda lembre de mim vez em quando. Quando nossos cabelos bagunçavam e eu deitava no seu colo pra repetir histórias que você já tinha ouvido. Mas eu sei que talvez, quase por certeza, meu nome não é mais citado e eu não sou mais lembrada. Não sei o tipo de coisa que você ouve sobre mim agora, mas eu sei que você não vai ouvir sobre como eu dormi hoje na praça mais uma vez sob o nascer do sol e que eu pensei em você. Cê tinha que ver o susto que eu levei quando as luzes apagaram, todas de uma vez só! Cê tinha que ver os transeuntes passando e a gente ali, só dando risada sem nem conseguir se mexer direito. Pensei que talvez, quem sabe, meu nome ainda seja poesia como o teu ainda é melodia. Pensei que talvez, quem sabe, cê quisesse saber por onde eu tô andando e nos braços de quem eu ando me consolando. Alguns braços são bons, outros nem tanto. Alguns me olham de um jeito bonito e outros nem me enxergam. Mas é que, sabe, eu só pensei que talvez eu pudesse escrever isso aqui pra você saber que eu tô bem, obrigado por perguntar, que eu sinto sua falta sim senhor e que eu to tentando não ficar magoada pelo descaso com o qual cê me trata. Tudo bem não me amar mais, mas não precisa fingir que eu não tô ali, sabe? Mas ó: ta tudo bem.

Hoje o sol nasceu bonito e depois o dia nublou. E foi a primeira vez que eu vi as luzes da noite apagarem, como um aviso de que um novo dia chegou. E eu pensei em você.