segunda-feira, 27 de junho de 2016

Teus olhos
Meio verdes
Meio castanhos
Me deixaram meio assim
Meio apaixonada
Meio desnorteada
E tua boca
Meio mel
Meio cigarro
Me deixaram meio assim
Parada no meio da estrada
Procurando a luz do sol
Perdida com a luz do céu.
Meio amarelo, meio anil
Meio amor, meio vazio

domingo, 26 de junho de 2016

perdoa a minha impaciência
e os empurrões enquanto durmo
eu te quero por perto
mas não tão perto assim
eu quero poder respírar à noite 
mas sem querer te sufocar.
perdoa a minha grosseria
e as falas mal projetadas
que saem da minha boca sem pensar
e como facas fazem cortar.
perdoa o meu choro noturno
cheio de dor e passado
não quero te magoar
mas é que antes de me amar
você precisa saber:
perdoa a minha impaciência
de não me permitir ser amada. 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Comecei a escrever mais um daqueles textos de saudade que é pra você saber que eu sinto. Mais um daqueles que você vê e não lê. Parei. Achei melhor parar no meio. Você me conheceu demais em pouco tempo. Eu lembro da sintonia. Tento evitar de pensar nesse sonho que foi você. Tento evitar de pensar na alegria que você me fazia sentir todo dia. Meu coração palpitava mais forte só ao lembrar que você existia. Não muito longe, ali do outro estava você. Evito de pensar, mas é inevitável sua face aparecer vez em quando pra sorrir com a minha. Me ocupo pra não sentir a dor que me faz a sua falta, mas quando acordo sempre lembro. Sempre estico a mão pro outro lado da cama pra tentar alcançar você - não está lá. Eu sei como funciona o ciclo da vida e eu sei que as pessoas vão embora. Eu só não me importaria se você tivesse ficado pelo menos mais um pouco. Pra gente tomar mais um café. Mais um vinho, quem sabe. Eu sei como funciona e eu sei que dói. Pelo menos em mim. Eu não tava brincando quando disse que você era o amor da minha vida. Mantenho esse depoimento. Eu agradeço porque você me permitiu te amar. E eu te amei com todas as forças que eu tive. Então eu termino mais um dos textos de saudade, que é pra você saber que eu tenho, mas dessa vez sem pesar.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Limpou a tua casa como se eu nunca estivesse ali. Mas eu estive, você lembra. E te deixei tantos fios de cabelo pelo chão que teve que passar a vassoura. Limpou teus ouvidos como se nunca tivessem escutado a minha voz antes. Mas você ouviu. Você lembra? Todas as vezes que te cantei as minhas dores e pesares você estava lá. Ou fingia que estava. Esses dias me bateu uma saudade enorme de quando cê me olhava com o canto do olho e sorria aquelas palavras que tanto me desnorteavam. O problema nunca foi ir embora. O problema nunca foi ficar. O que me destrói o peito é que você limpa a sua vida como se eu nunca estivesse lá. Eu estive? Tenho plena consciência do ciclo da vida. Eu, mais do que ninguém, sei que as pessoas vão embora. Outras vêm. Mas você me vê aqui do outro lado, acenando um bom dia? Você me ouve, aqui da outra casa da rua te perguntando se você está bem? Você lembra de quando eu estive aí? De quando você esteve aqui? Você se lembra?

quinta-feira, 16 de junho de 2016

o amor é banal
como são cigarros que não devem ser pedidos
os goles de água que não devem ser negados
e mesmo assim
encontro-me sozinha
de tão carnal que sou
não encontrei ninguém
que fosse banal o suficiente
pra me amar

quarta-feira, 15 de junho de 2016

sonhei aqueles sonhos
de saudade 
de quando sua alma
fundia-se à minha
e não tínhamos a necessidade
do toque 
para que houvesse o gozo 
do mais puro amor
que eu já experimentei

sonhei aqueles sonhos
de saudade
de quando sua voz me acalentava
nas noites escuras
chuvosas
onde meu maior medo
era um dia ter 
esses sonhos de saudade

terça-feira, 14 de junho de 2016

se esperarmos a hora certa
do momento correto
pra vida acontecer
não iríamos a lugar nenhum
porque nesse mundo
não tem a melhor hora
pra deus matar a minha mãe
ou pra me deixar desempregada
ou pra me deixar sozinha
desamparada
não tem a melhor hora pro sofrimento acontecer
nem a melhor hora pra uma nova vida nascer
mas eu acho
que não é o momento
e nem a hora certa
de me permitir esperar
pela hora
momento
pessoa
e o amor certo

quinta-feira, 9 de junho de 2016

desde que tomo conhaque
tenho feito de mim
a presidenta da luxúria
com meias-calças rasgadas
com as pernas defloradas

desde que tomo conhaque
tenho feito de mim
a ministra da auto-satisfação
em um relacionamento sério
com a minha própria mão

desde tomo conhaque
tenho feito de mim
a deputada da putaria
arranhando meu próprio corpo
transando com o gole dentro do copo

desde que tomo presidente
tenho feito de mim
a minha dona, a minha escrava
vou ter quando eu quiser
com quem eu escolher
presidente da minha buceta
quando eu abrir as pernas,
cê vai ver escorrer
e quando eu deságuo...
abriu, vai ter de beber

Não é como se eu não tivesse tentado isso antes. Já tentei e muitas vezes. Mas como tudo o que eu faço, perde o sentido no meio da coisa. Cigarros de sabor que não me satisfazem mais e uma insuficiência respiratória que eu não sei da onde vem. Talvez dessa maldita gripe que assola meu corpo fazem duas semanas. Eu não estou brava, sabe. Muito menos com raiva. Não perco meu tempo e energia com raiva dos outros. Os outros são quem são e ponto final. A culpa não é minha se eles são todos idiotas e eu demasiadamente sensível para com a estupidez alheia. Veja, tenho birras. Uma das birras é com aprendizes: aprendizes tendem a achar que já são aquilo que pretendem ser, e vem com aquela história de: "o que te faz triste" ou então "vamos procurar a origem desses problemas". Eu não quero ser analisada, entende? Se quisesse, se eu desejasse, pagaria alguém pra fazer isso. Não pago, porque prefiro gastar meus trocados com cigarro caro e que tem cheiro de incenso. Quem foi que acendeu esse incenso aqui? Foi eu. Eu poderia ser menos previsível, e menos irritativa, e menos petulante. Mas não o sou. E junto todas as chatices nesse ser cheio de manias e irritabilidade que odeia gente lenta. Raciocínio, sabe? Não é difícil. Não temos entre nós o capitão-óbvio. Me dê algo novo, conversas que não sejam superficiais. Eu cansei de fumar o topo da bagunça. Eu cansei de ficar observando o caos reinar e eu estava certa sobre aquilo que te disse. Não é como se eu quisesse avisar, mas eu avisei. Eu estava lá antes, mas se me procurar agora não vai me encontrar. Fiz dessa montanha de cretinices um trono e no topo dele você vai me ver: com a coroa de decepções, o sorriso de impaciência e o incenso que eu chamo de cigarro.

sábado, 4 de junho de 2016

Em um único verso
Eu não explico a imensidão
Que somos nós
Quando nos encontramos
Por frações de segundos
Em tão profunda paixão.
Em um único verso
Eu não explico quão pequena é
A distância entre nós.
Em um único verso
Eu não explico
Quão maravilhoso é
Poder dividir o mesmo momento
A mesma contagem do tempo
Com você.
Em um único verso
Eu não explico que
Nós somos o universo
E daqui continuaremos.
Tomara que tenhamos a sorte
que tivemos
De nos encontrar
Em outro único verso
De um outro poema.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

hei de ser um vendaval
trovoada que não cessa
chuva que não perdoa
ácido que cai
enquanto meu corpo chora
hei de ser um temporal
vou molhar as tuas terras
inundar as tuas mãos
de tanto que dilúvio
de tanto que sinto.
hei de ser um furacão
quando o vento corre
e assovia teu nome
em meu ouvido
e as casas voam
e tudo é destruído
pela natureza selvagem
que sou eu
hei de ser terremoto
quando tudo que toco
é desfeito pelo chão
hei de ser a estiagem
que congela seu coração
quando tudo eu já tiver tomado
quando tudo eu já tiver destruído
hei de ser tudo aquilo que mata
quando for o tempo de florescer

quinta-feira, 2 de junho de 2016

simbiose
quando meu corpo encontra o dele
e os seus olhos penetram os meus
e seu peito quente veraniza meus seios
e eu deságuo em suas mãos
que me possui, me toma
me perco
me encontro
em desatino profundo
e imersa
no ser dele
que é luz
e ilumina a minha escuridão
eu sou inverno, ele é verão
e faz chover em meus vales
florescer minhas mãos
causando os nós de seus cabelos
e eu transcendo
de amor e tesão
no meu menino de verão

quarta-feira, 1 de junho de 2016

esse menino
me engole quando ninguém vê
me fode com os dedos
e eu viro acessório
quando ele me pendura
e acaba comigo
com toda a ternura
que é possível ter
esse menino
me rasga sem perceber
e me ferve o corpo todo
quando começa a me tocar
e quando eu fico a gemer
esse menino me faz apaixonar
esse menino
me enche de poesias durante o dia
durante a tarde me toca como se fosse violão
e durante à noite me jura amor
enquanto eu queimo de paixão