segunda-feira, 24 de março de 2014

Desejo

Os lábios se tocavam. Ora com suavidade, ora com leveza. Acompanhando todas as curvas do corpo. Em cada canto havia um arrepio e nas suas curvas mais escondidas havia contorção. Respiração pesada enquanto acompanhava as mãos leves. As pontas dos dedos tocavam suavemente seu rosto, seus lábios. Quando a mão desceu às costas podia-se se ver claramente os arrepios acompanhando os tremores que a ansiedade lhe causava, enquanto os lábios ficavam cada vez mais distantes um do outro. Os olhos fechados, o coração disparado e o tempo parado. Lábios inchados enquanto os outros secavam-lhe o corpo. Descobriam-se mais e mais e se enlaçavam num nó que fluía a cada toque, a cada beijo. A cada ânsia que tinham mais. Transbordavam.

terça-feira, 18 de março de 2014

Refúgio

Coração apertado, que refugiado mora no teu peito
E de felicidade extrema e abundante saiu correndo
Floresce em nós o bonito, o inesperado
O que não era alcançado
E coração apertado, que antes morava de alugado
Agora respira melhor, liberto do temor
Liberto dos laços que antes me prendiam na terra
E coração apertado, que antes afugentado
Agora vive intensamente e sem pensar duas vezes
Coração palpita agora, e nunca mais
Refugiado

segunda-feira, 17 de março de 2014

[Desabafo 4]

Mentir é fácil. Mentir para os outros requer um pouco de habilidade, mas mentir para si mesmo é simples. E nisso, meu amor, eu sou expert. Enganei-me por anos. O que eu via era mera ilusão, e eu ainda insistia em usar tuas frases mal ditas em jogos de palavras para ouvir o que eu queria. Modifiquei você em meus sonhos para que pudesse ser o rapaz que, ambos sabemos, nunca seria comigo. Enganei-me. Persuadi-me. E parti meu próprio coração. Não te culpo, meu querido, até porque as mentiras foram minhas. Fui eu quem criei alguém que não existia, e me apaixonei por ele. Não te preocupa. O que tivemos foi belo. Afinal, toda mentira enquanto ilusão, brilha.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Agora eu sei

Agora eu sei que felicidade é mera ilusão
E que meu peito aberto é trincado
E que a minha risada se esvai no travesseiro molhado.

Agora eu sei que paixão é mera enganação
E que meu coração apertado não é nada mais
Que o sufoco do próprio batimento acelerado.

Agora eu sei que meu olho só brilha de manhã,
E de noite eu escorro tudo aquilo que havia dentro de mim
Todo o meu choro e desesperado acumulado.

Agora eu sei que sou destinada à bipartição
Me divido em duas, e é tudo imaginação
A minha risada feliz e o meu sorriso duradouro
Não passam da mais pura e mais ingênua ilusão.

Stand by

Eu sou o teu stand by
Enquanto coloquei você no repeat
O mesmo vício de todas as manhãs, ouvindo a mesma música
Deixo que faça minha cabeça por horas
Ja sei a letra e o ritmo
E eu que não sabia, agora sei cantar
E danço, me deixo levar
Enquanto que a minha música no teu celular
Nem na playlist tá...

quarta-feira, 12 de março de 2014

Senhora

Eu não pertenço a ninguém
Sou senhora das minhas vontades
E escrava das minhas luxúrias

Sou senhora dos meus pecados
E escrava da minha salvação
Acorrento meus desejos longe de meu alcance
E meus sonhos na palma da mão

Pois sou senhora do meu corpo
E escrava do meu coração

Mono diálogo

Em um desses diálogos interessantíssimos que eu tenho comigo mesma, eu me disse:
- Geovana, você não pode confiar em quem acabou de conhecer. Melhor se cuidar.
Eis que eu me respondi:
- Claro que não! É diferente do que da última vez.
- Então tudo bem, só não vai se entregar demais.
E eu me entreguei. Ai, Geovana! E eu estava certa, não era diferente. Difefente sou eu que mantenho diálogos comigo.

Minh'alma

De dezoito anos, minha alma não tem nada
Não passo de criança com alma enrugada
De dezoito anos, meu olhar não mostra
Eu sou é uma velha com a língua torta
De idosa eu já tenho tudo,
Vou de olhar magoado pra coração fechado
E não me importo de parecer ranzinza.

De sessenta e oito anos só me faltam cinquenta
E a pressa de morrer já me aflige
O medo de ficar sozinha já me atormenta
E a mágoa dos dezessete permanece.
De dezoito anos, minha alma não tem nada
Não passo de uma criança com a alna enrugada

terça-feira, 11 de março de 2014

Pressa

Tenho pressa de viver
Pressa de conhecer
De ser
Tenho tanta pressa
Que não durmo noites completas
Não ouço músicas inteiras
Não termino meus poemas
E paro no meio dos meus beijos
Essa pressa que me engole,
E me faz tomar xícaras e meias de café
Correr metades de maratonas
Conhecer uma parte de pessoas
E nessa ânsia que me sufoca
E de tanto correr para não me faltar,
Vivo metade da minha vida
Sendo metade de quem eu sou
Sem terminar um poema sequer

De criativo meu ócio não tem nada
Hoje eu estava sozinha, desocupada
E me flagrei pensando em você

Sono

Tive uma visão durante meu sono
Em que eu vivia uma vida fantástica
Com tantas histórias a contar
Que eu mal poderia me lembrar
E com tantos beijos bem dados
Que fariam fila para me encontrar
E durante esse delírio inconsciente
Um boêmio viria me salvar
Dos perigos e ilusões
Da minha mente a sonhar

Ele então me beijaria e me traria a calma
Que durante todos esses sonhos eu estive a procurar
Me faria segura, me chamaria de lar
Me faria canções e muitas delas de ninar
E quando o sol nascesse, viria ne despertar
Com todo o amor que eu estive a esperar
Então eu rezaria a Deus, e imploraria
"Que deste sonho, Senhor, eu nunca tenha de acordar!"


Tive um sono durante minha visão...

Sono

Tive uma visão durante meu sono
Em que eu vivia uma vida fantástica
Com tantas histórias a contar
Que eu mal poderia me lembrar
E com tantos beijos bem dados
Que fariam fila para me encontrar
E durante esse delírio inconsciente
Um boêmio viria me salvar
Dos perigos e ilusões
Da minha mente a sonhar

Ele então me beijaria e me traria a calma
Que durante todos esses sonhos eu estive a procurar
Me faria segura, me chamaria de lar
Me faria canções e muitas delas de ninar
E quando o sol nascesse, viria ne despertar
Com todo o amor que eu estive a esperar
Então eu rezaria a Deus, e imploraria
"Que deste sonho, Senhor, eu nunca tenha de acordar!"


Tive um sono durante minha visão...

sábado, 8 de março de 2014

Por enquanto, tu me despes
E quando despir meu corpo nu
Despede-se do que vê,
Porque tudo o que verá será por dentro
E espero que essa não seja a hora
Em que ira despedir-se de mim.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Eu quero teu toque rente à minha pele
E teus labios rentes aos meus
E quando o solo de guitarra chegar
Eu quero tuas mãos na minha cintura, e pressão sobre mim
E quando essa dança acabar
Meus toques não irão parar
Até chegar o momento
Da guitarra recomeçar

quinta-feira, 6 de março de 2014

Nada sério

Eu sei que nem é nada sério
Mas eu tô gostando desse mistério
Dessa amizade meio distorcida,
Meio daltônica e meio colorida

Eu sei que a gente combina
Desse jeito meio estranho
Desse jeito meio engraçado.

E eu sei que nem é nada sério,
Mas eu não tô me importando
Eu tô nos ares e você me acompanhando

Converso contigo como se já tivesse conhecido
E como se você sempre tivesse sido meu amigo
E eu sei que nem é nada sério,
E desse mistério eu já tenho resolvido.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Explode do meu peito o que eu havia armazenado
O grito de anos
E a semente que eu havia plantado
Floresce em mim o espelho
A minha versão mais bonita, mais alegre
E a mais livre

sábado, 1 de março de 2014

Poema do esquecimento

Se esquecer é superar, eu não quero. 
Teu rosto escapou das minhas mãos e o teu sorriso dos meus olhos
Tua voz eu não escuto, e tuas canções de ninar eu não me lembro mais
De seu abraço eu já me esqueci faz tempo, e da tua comida também 
Só não esqueço dos sábados de manhã em que me acordava ouvindo Elvis
Da gritaria por toalhas sujas de esmalte
E das nossas confortáveis conversas silenciosas dentro do carro
Mas não me lembro mais de você, e era tudo o que eu queria me lembrar
Me disseram que esquecer é superar
Mas eu esqueci de você, e todo dia quando acordo eu desejo não continuar
Porque quem sabe assim, as memórias de você
Voltem pra mim