segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

 eu desisto

de te esperar chegar na frente da minha casa 

com o coração em brasa ansioso pra me apertar 

eu desisto 

de te procurar a cada esquina, pensando que se te ver meu coração vai parar 

eu abdico 

dessa vontade que eu tenho ainda de te beijar e de te acariciar, sentir teu calor, te amar com fervor enquanto o dia não clarear 

mas eu aceito

que tudo tem que acontecer da forma que tem que acontecer e não há nada que nem eu e nem você possamos fazer 

então eu te deixo

sábado, 19 de abril de 2025

como é que serei lembrada se eu não sou vista? 
não saio de casa, não arrumo trabalho 
a jornada de um trabalho não condiz com o horário de uma creche 
e todos os dias quando chove ainda percorro o mesmo caminho 
e sempre me pergunto como vou vista se também não sou lembrada 
esquecida, cuidando de todos e esquecendo um pouco de mim
acordo, cuido da nenê, limpo a casa 
procuro um emprego, choro um pouco, me desespero 
mas ainda tenho fé porque nunca fui desemparada 
nunca nem por Deus, porque nunca nos faltou nada
cozinho, fumo, tento criar porque me sinto presa 
mas nunca estive mais livre 
tenho uma fé cega que me faz acreditar que vou vencer 
mesmo quando eu esqueço de mim.

agora já estou me lembrando, de quem eu era 
e de como ela está distante de quem eu sou, de quem estou me tornando 
um oceano separa nós duas, mas nos une por um fato 
todas as coisas que já escrevi, que guardo num blog que também não é lembrado 
e antes de dormir eu me questiono 
como vou ser lembrada se não sou vista?
mas serei e sou lembrada 
pela minha filha, que me olha e me enxerga todos os dias 
e por todos os poemas que eu já escrevi um dia 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

esse ano faço 30 e quando era mais nova jurava que não passaria dos 27 
vivendo no limite, sempre no pique tentando me descobrir 
usando o que tinha, bebendo o que podia sem horas pra voltar pra casa 
fumando vinte cigarros por dia achando que isso ia me dar um fim 
sem responsabilidade, sem vontade e sem maturidade 
esse ano faço 30 e me sinto mais criança do que nunca  
enfrentei todos os meus medos cuidando de uma bebê sozinha 
quem me viu quem vê 
quem me conheceu um dia vai ter que de reconhecer 
porque eu já não sou a pessoa que eu era, a menina ingênua que eu fui 
eu sobrevivi, aprendi a viver e ainda sigo aprendendo 
eu chorei muito e sigo chorando 
sempre escrevendo o que eu estou vivendo, talvez seja comum a alguém 
e de menina fraca, obcecada pelo caos 
me tornei menina forte, mãe obstinada 
renascendo sempre dentro de mim 
eu nunca fui forte, porque eu descobri que sou uma potência sem fim 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

hoje usei o relógio antigo da minha mãe 
e ela tinha um estilo refinado
me arrependo tanto de ter perdido quase todas as suas coisas
ou vendido 
hoje vejo o valor, não material, que é ter um pedaço de você comigo 
e esse relógio nem funciona mais 
parou de contar o tempo e os segundos as vezes andam para trás 
e eu não sei porque coloquei no pulso 
talvez porque queria minha mãe perto de mim 
talvez porque queria que o tempo funcionasse assim, parasse de desalecerar 
e quanto estou sentindo dor ele parece não passar 
e é eterno cada segundo de dor, vergonha, saudade 
mas tão veloz os segundos de amor, carinho, verdade 
e esse relógio sem horas me trouxe um pouco de paz 
nada do que foi volta, mas hoje ainda tem tempo pra gastar 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

quanto mais escrevo pra você mais eu te esqueço
e deixo meus sentires em palavras insensíveis 
em poemas invisíveis, publicados em um site qualquer 
que ninguém nem lê, muito menos menos você... 
né?
quanto mais eu te dedido minhas linhas, mais eu coloco você pra fora de mim
cuspindo as promessas não cumpridas, palavras vazias que você encheu a boca pra me falar
de sentimentos que talvez você nem sentia, mas queria me cativar
e eu presa fácil, caí na armadilha de me entregar 
de abrir meu coração, derrubar meus muros pra você entrar
olhar todo meu terreno e decidir que nunca quis comprar
fosse embora antes, me pouparia todo o trabalho 
de limpar a bagunça que você deixou na minha sala de jantar 
na qual nunca jantamos, porque você nunca ficou tempo o suficiente para que a comida pudesse esfriar 
e agora eu escrevo mais um poema, só que dessa vez, sem chorar
porque quanto mais eu escrevo 
mais eu alivio 
menos quero te procurar 
e verso após verso, você vai embora 
e o meu muro vai voltar pro lugar
todos os assuntos que tínhamos para conversar no fim do dia agora são findados na ponta da minha língua 
e todos os beijos que eu ainda queria te dar morrem na ponta da minha caneta 
enquanto eu espero que você passe pela frente da minha casa, bolando mais um desses tabacos 
servi de mertiolate para os teus machucados mais profundos 
e você serviu de inspiração para que eu escrevesse mais um pouco
sonhando que a vida tinha te devolvido pra mim, mas era só emprestado
para que eu pudesse sentir o sabor, sentir o teu calor e te devolver pro mundo

e agora todos os meus poemas são findados na ponta dos meus dedos
sem que atravessem a tela do meu celular pra chegar a ponta dos seus dedos
sem que você venha até mim
e sem que eu chegue até você

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

juro que eu tô quase tentando me conter 
mas sempre que eu bebo eu começo a escrever 
e todos os poemas saem no mesmo formato com verbos reverberando no final 
talvez eu não seja uma poeta tão boa assim, 
talvez seja daquelas bem banais 
mas o que eu quero dizer é que eu juro que eu tento me conter, fazer caber, com que você consiga entender que eu sou um montão de água e coisas a serem ditas 
mas que na maior parte das vezes saem distorcidas, sabe
sou péssima em me expressar 
mas sou muito boa no sentir, e sinto até demais 
pra alguém de um metro e sessenta e nove 
quase um e setenta 
mas novamente 
parei no quase