fico buscando em baralhos uma resposta pras perguntas que eu tenho
uma direção pra saber onde seguir, onde colocar meu pé, molhar minha cabeça, deitar a minha fé
cada dia um óraculo diferente me dizendo a mesma coisa
queria tanto ser escolhida que acabei me colocando onde não caibo
querendo mergulhar de ponta no raso,
querendo cair na cachoeira, mas pra você era riacho
fiquei acendendo velas, fazendo oração, pedindo ao orixá que me desse qualquer direção
pra que eu pudesse sair dessa encruzilhada que é amar alguém que não quer nada
pra que eu pudesse sentir menos todos esses sentimentos que caem em cima de mim como uma tromba d'água
pra que eu pudesse transformar o teu corrégo em corredeira, fazer desse riacho uma cachoeira.
fazer o teu choro se tornar alegria, e meu abraço, se tornar abrigo mesmo em dia de tempestade
colocar nossa antiga história de amor em mais uma poesia
que eu vou publicar, você vai ler, não sei essa vai querer me responder
e enquanto faz seca aqui no meu coração, eu sigo com os baralhos pagãos, procurando alguma explicação pra vida ter jogado você no meu caminho e depois colocado na minha contramão
pedindo algum conselho pra quem possa me guiar
talvez um pouco de chuva,
talvez um pouco de água
talvez uma migalha