sexta-feira, 18 de novembro de 2022

algumas dores doem em cima de outras
e eu sangro por tantos lugares e nem sei de onde vem
tantas feridas em mim, tantos machucados recém remendados ou um pouco cicatrizados 
e quando algum dói, todos doem 
e eu sangro sem parar 
eu sinto sem parar 
até eu me esgotar 


de onde vem tantos buracos em mim? 

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

eu ouvi o som do ônibus descendo a minha rua 
meu coração apertou. 
lembrei de quando o ônibus parava, no ponto que é quase que de frente à minha casa 
e você descia com as coisas na mão 
e eu deixei você entrar, juntos fizemos um jantar
e eu jurei pra mim mesma que a gente iria se amar. 

eu ouvi o som do ônibus subindo a minha rua 
meu coração apertou mais ainda 
lembrei de todas as vezes que eu não me senti ouvida 
todas as vezes que eu me perdia no meio de uma briga
e saia de lá culpada, pedindo perdão
duvidei da minha própria razão 
da minha própria voz 
do meu próprio reflexo.
me podando pouco a pouco pra caber na sua mão 
como uma das sacolas que você trazia pra casa, logo descartada 
estou livre ou solitária? 
sozinha, completamente viciada na ideia de estar apaixonada... 
hoje eu ouvi o barulho do ônibus descendo a minha rua 
e lembrei de quando eu ia até você pra abrir o portão. 
se eu soubesse o que eu sei agora 
nunca teria te ensinado o caminho para minha casa

terça-feira, 15 de março de 2022

o problema dos fins é que nunca são lineares. 

circulo por toda a nossa trajetória, todos os caminhos que percorremos e também os que deixamos de percorrer. 

persigo sua voz, seu abraço, seu toque.
fujo de tudo que não foi amor. 

mas nem tudo é amor

e não há amor nas suas mentiras 
nem há amor na sua verdade.

o problema dos fins é que eles nunca são por completo, 
talvez um fim temporário meio que imediato, 
talvez um fim meio chulo e desapegado
mas nunca um fim de verdade, nunca um encerramento 

fico circulando nas suas palavras tentando descobrir o que era real 
e o que era imaginação 
distinguir o que era amor 
e o que era encenação

domingo, 6 de março de 2022

eu escrevo tanto de amor porque vivo por isso

vivo para amar. 

há quem já tenha me visto desejando o contrário, 
bebendo doses de copao, usando drogas perigosas e desejando uma morte lenta e dolorosa. 

mas amo minha vida agora 
e amo escrever sobre amor 

mas quando te amo, o amor me mata 
porque esqueço de tudo que é meu, acabo me tornando seu 
sem lembrar de todos os passos que dei sozinha eu te dedico a minha vida inteira. 
te dedico meus poemas, minhas canções 
minhas fugas, meus problemas. 

eu acordo de manhã e o amor é a minha luz 
eu me deito para dormir e o amor é quem me mata 
me saceia, me vicia 
me preenche mas me acaba. 

quinta-feira, 3 de março de 2022

quis tanto me encaixar em você que esqueci de me medir.
não tenho mais pernas pra andar, meus braços estão curtos e eu não consigo te alcançar. 
minha poesia não é boa ao ponto de te emocionar. 
quis tanto você que esqueci de guardar amor pra mim
e agora você foi e eu fiquei sem nada
te dei tudo, e fiquei sem nada. 
prometi que nunca pediria pra ninguém ficar, 
mas fica. 
fica comigo. 
deixa eu tentar me espremer, me fazer caber à força no seu lugar 
me deixa tentar, me deixa tentar
que eu tenho certeza que consigo ser diferente 
alguém menos exigente, alguém mais decente 
que vai fazer você feliz sem te pesar... 
então fica comigo 
e deixa eu tentar ser alguém que você talvez conseguiria amar