sua voz é um novo tipo de vício, daqueles dos mais aditivos
porque eu não me canso de ouvir, peço pra você repetir
fala mais devagar e mais próximo dos meus ouvidos
você é meu ópio, enfileirado numa carreira
me deixou tão fudida que não tenho nem mais um centavo na minha carteira
gastei tudo pra te ver, gastei tudo pra te ter, gastei tudo pra ter um vinho pra beber com você
te busco na madrugada, nunca espero nada
mas é sempre bom quando você avança em mim, e eu tento não bancar a apaixonada
é aquele ditado que a carne é fraca
o vício do viciado é consumir sem ser consumido,
o que pra mim já não acontece mais
mesmo que eu diga que não sinto nada, tenho mentido
mesmo que eu diga que não sinto nada, tenho mentido
porque você chega e eu queria só ser possuído pelas tuas mãos
enrolada como o último fino da noite
como se fosse o primeiro do dia
eu te trago mais do que quando eu fumo,
e você me estraga mais do que quando eu trago.
por isso um poema de viciado
para o meu vício