quarta-feira, 27 de março de 2019

a vitória é gloriosa... tipo um cigarro depois do sexo.
foda é que eu parei de fumar
e também parei de te amar.
é a mentira que eu conto pra mim,
enquanto minto pro espelho,
passo um batom vermelho e vou te encontrar.
a vitória é gloriosa, mas eu ainda não venci
parei de beber, parei de fuder, parei de fumar
parei de te amar
porque a vitória é gloriosa e eu quero chegar lá,
no meu santo eu vou aprender a confiar
então é essa minha explicação
quando alguém me perguntar porque é que eu parei com essa vida boêmia,
é porque a boemia consome muito de mim
e você quase sempre estava lá
com o par de olhos mais bonito que eu já vi,
mas que nunca nem sequer olharam pra mim
a vitória é gloriosa
e eu parei de te amar.
e eu juro pra você...
que cê foi o vício mais dificil que eu tive que largar

quinta-feira, 21 de março de 2019

*trago no cigarro*
se não quer ficar,
pode ir
meu batom borrado
nesse seu corpo chamuscado
não me fará falta
nem mesmo os teus braços quentes,
no meu corpo nu
me fará falta
vai me fazer falta
o trago no cigarro que eu dava quando não queria mais ficar perto de você,
às vezes que sua boca falava e algo dentro do meu peito quebrava,
e a sensação confusa que eu tinha quando pensava que te amava.
trago no cigarro tudo aquilo que sinto falta
ou que sentiria
se não tivesse borrado o meu batom.


domingo, 10 de março de 2019

é proibido pisar na grama
é mais proibido ainda você sair da minha cama,
desfazer meus laços e levar os meus lençóis
enquanto eu fico sozinha pensando quem éramos nós
somos jovens?
o tempo fecha, mas não chove
meus olhos se fecham, mas não durmo
por aqui venta e a grama continua seca
porque é proibido pisar na grama com os pés descalços
e com olhos desvairados
é proibido soltar fumaça em incêndio,
e é proibido também fazer poesia
já que quando eu falo eles viram as costas
e vão falar sobre a previsão do tempo.
porque é proibido pisar na grama, então pulo
e me esbarro no barro
até ficar suja e imunda
já que assim eles não olham pra mim.
é proibido pisar na grama,
é proibido fazer rima se for menina
já que quando eu canto ninguém me escuta
é proibido pisar na grama!
e é proibido falar
então eu vou ter que gritar,
já que eu pedi e mesmo assim cê se foi embora da minha cama
e como todos os homens não olhou para trás,
então eu vou ter que gritar
já que pedindo com licença ninguém abre espaço pra eu rimar
eu vou ter que chutar a porta, desfazer a forca e
estragar o jardim
porque é proibido pisar na porra da grama então você jamais levante teu dedo pra mim!
eu faço o que eu quiser,
porque eu sou uma mulher,
e eu grito o quanto eu quiser
porque uma hora ou outra cê vai ter que me escutar
mesmo se minha mão tremer,
mesmo se minha perna fraquejar
você já viu a fúria do mar?
é uma mulher ignorada
que agora têm uma chance de falar
é proibido pisar na porra de grama!
eu carrego dentro do meu corpo a fúria de todas aquelas
que foram deixadas só em suas camas,
com seus lençóis manchados e corpos violados,
a fúria de todas aquelas que tiveram suas línguas cortadas para não ferir nenhum homem com suas palavras mal intencionadas...
mas eu hoje sou eva
eva daninha
porque tudo que eu digo é um veneno pra quem não queria escutar
e uma cura praquelas que não queriam ter se deixado levar,
eu sou a trepadeira ladra de seiva
e eu vim pra pegar tudo que é meu
tudo que é nosso,
porque eu posso
porque eu vou
porque é proibido pisar na grama
então eu vou como eva no eden
cheia de ódio e de lama.

sexta-feira, 8 de março de 2019

eu gosto daquele silêncio
daquele momento
antes da chuva cair
que o céu suspira
e a terra se prepara
pra ser aguada.

me faz lembrar
que já chove
e a roupa no varal está novamente molhada

eu estou esperando minha chuva chegar
prendendo a respiração nesse suspiro
antes da chuva cair
e levar embora
minha angústia 
nesse dia cinza
quieto
calmo
no qual eu entro debaixo d'água
mas ainda sim eu não me molho.

segunda-feira, 4 de março de 2019

eu não obedeço porque eu sou molhada
escorregada, enguia
esguia
e lisa
e que nenhum homem jamais pise sobre meus pés
ou deboche dos meus calos.