quarta-feira, 26 de julho de 2017

Como eu me sinto?

Às vezes não sinto. Quando sinto é como se eu tivesse acabado de chorar há pouco, mesmo não tendo chorado nada. Ou com o coração apertado, como tivesse acabado de acordar de um pesadelo terrível. Sinto que fui amaldiçoada com uma doença que não me permite o amor, não me permite a felicidade. Sinto que ninguém nunca conseguiria me amar. Sinto que eu sou inamável. Sinto também que eu nunca conseguiria me permitir ser amada sem afastar e ferir os outros. Eu sou um punhal, eu sou um repelente, eu sou um veneno. Ninguém fica, ninguém permanece.
Mas às vezes, bem às vezes eu me sinto feliz e agradecida. Gosto quando o azul do céu fica forte e quando o sol está quente em dias frios. Gosto de noites de lua cheia e de céu estrelado. Mas depois eu durmo, acordo e tive pesadelos.
Como eu me sinto? Como se não vivesse. Sinto que existo em um corpo que não é meu, em uma vida que não é minha, falando com uma voz que ninguém ouve além de mim e com uma aparência que ninguém enxerga.
Como eu me sinto? Quando sinto eu sinto dor.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Já não escrevo porque ando quebrada. Como fosse boneca e pelo quarto estivessem jogados os meus membros partidos. O coração ainda bate. Fraco, mas bate. Já não consigo mais chorar porque ando quebrada demais. Convivo com a dor diariamente sem fazer muita questão que esta se afaste. Já não vasculho mais a internet em busca de risadas ou de amor, só vejo ódio. Vejo tudo, menos o reparo que eu preciso. 
Já não escrevo mais. 
Meus dedos também se quebraram.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Escrevo porque me sinto só
e porque não vejo mais nada para mim nessa cidade.
Escrevo porque palavras são tudo que eu tenho
e mesmo assim elas se vão com o vento.
Escrevo porque tenho saudade
e porque tudo me dói, me rasga, me mutila.
Escrevo porque já não me sinto mais em casa onde achei que fosse minha moradia.
Escrevo porque amanheço quando já não é mais dia e durmo quando já não é mais noite.
Escrevo porque a solidão fala comigo e é a minha única e mais presente companhia.
Escrevo porque não choro, nem amo mais.
Escrevo porque vivo no vazio dentre as horas que não passam - nos segundos.
Escrevo porque me sinto só
e porque já não me sinto mais pertencente nesse mundo.
Tudo o que eu tenho - ou tinha
é esse grito surdo.

terça-feira, 11 de julho de 2017

eu te olho de longe enquanto te sinto de perto 
e você acorda desse sono longo 
em que não deixou de me abraçar por um segundo 
me olha, me beija, me morde, me fode 
e adormece de novo em meus braços 
enquanto eu acordada
te olho de perto e te sinto de longe
você dormindo - e sorrindo
quando eu te beijo
quando eu te aperto.
vou embora e quase sinto saudade
do seu beijo molhado,
que me deixou melada
e eu nao consegui dormir.