sábado, 22 de outubro de 2016

as suas palavras espancavam a minha alma
e meu peito saía danificado em toda briga
e eu não percebia, eu não sabia
o que estrago que você fazia em mim
você é problemática, você fala demais
você faz tudo errado, você não serve pra nada
a culpa não era minha, por que agora é?
por que ele não me ama?
porque eu só faço coisa errada
falei no momento errado, agora eu vou escutar
minha saia era muito curta, voltei para trocar
e naquele dia que eu não queria transar
cospe aí e me deixa terminar
eu sou inamável, eu sou o problema
todo dia eu escrevo com as páginas molhadas
todo dia eu choro com a minha alma espancada
me desculpa, a culpa foi minha
ele não me ama, só quero saber o porque
e depois de todo o desabafo, eu escrevia que queria morrer
naquela época eu não sabia, eu não percebia
eu era inamável, eu era um problema
rolê com os amigos e eu não posso ir
sou mulher e falo demais, eles não querem te ouvir
minha mãe morreu e eu me sinto sozinha
talvez você devesse procurar fazer terapia
disco no telefone, ninguém me atende
eu corto os meus braços e sangro na patente
tomei muito remédio, eu só quero dormir
espero que um dia isso seja só mais uma cicatriz.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

percebi enquanto pedalava
pela molhada estrada vermelha
repleta de galhos e folhas
- é uma vida bonita -

enquanto os pássaros cantavam
a mesma música de sempre
e a água molhava meus pés
- é uma vida bonita -

meus pulsos abertos de sangue
da mesma cor carmim
do caminho que eu sigo
- é uma vida bonita -

talvez nem sempre eu veja
e quase nunca sinta
mas ontem, enquanto pedalava
pela molhada estrada vermelha
eu vi que e a vida que eu vivo
é uma coisa bonita

sábado, 1 de outubro de 2016

grandes poetas foram os que sucumbiram à tuberculose



me encontro pneumônica
com grande dificuldade para respirar
lembro-me enquanto inalo a fumaça
toda a minha vida passa em um estalar

e eu, vinte anos de fracassos
e mais um apenas de tosses mal cuspidas.
engasgo com o catarro branco que eu escarro
e lembro dos grandes poemas
dos grandes escritores
que foram traídos por seus pulmões.

encontro-me pneumônica
fadada a sufocar com meu pulmão a chiar.
para ter uma morte grandiosa
digna de uma poeta tuberculosa
só me falta o dom da poesia
e mais catarro para escarrar.