quinta-feira, 28 de maio de 2015

Flores de cemitério

Dentre as flores do jardim
Escurece de lá pra cá
E você, que fugiu daqui
Não tem mais rosas pra cultivar

Dentre os pássaros do jardim
Não há mais rouxinóis a cantar
E você, que dorme por aqui
Será que consegue escutar?

Dentre os granitos do jardim
Está você a repousar
Com um sorriso no rosto
E a essa visão pra sempre admirar

O que é que tem
No seu olhar
Que fez o meu
Cruzar com o seu
No meio de multidões?

O que é que fez
O seu olhar
Parar o meu
Que não vi mais ninguém
Desde que vi você

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Nao gosto de gente que tem medo da chuva
E de se molhar
Porque na minha urgência de você
Desejo me afogar na imensidão
Que é o teu olhar

terça-feira, 26 de maio de 2015

Silêncio

O meu maior silêncio é quando minha voz não se cala
E me anuncio ao mundo.
E por ter medo de que me veja, eu me mostro
E me digo por caminhos que não são verdade
E me fujo por palavras que não são reais
E grito por vozes que não são as minhas
E no meu maior barulho
Onde moram meus maiores medos
Eu me calo

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Incêndio

Triste foi o incêndio
Que poluiu o nosso céu
Escondeu nossos sonhos
E queimou o nosso amor

Triste foi o incêndio
Que me fez cinzas de doer
Me fez sofrer pra esquecer
Que minha vida já não é sobre você

terça-feira, 19 de maio de 2015

Eu estive cheia de beijos e toques
A bebida acabou
Os beijos cessaram
As carícias se afastaram
E ninguém mais atende
Meu chamado

sábado, 16 de maio de 2015

Eu gostaria de dizer que não desisti
Mas minto
Pois estou cansada e fatigada
De não ser nada alem de uma muleta para as suas dores
Um curativo para as tuas feridas
Completando as suas partes perdidas

Eu gostaria de dizer que não me saturei
De ser uma canção de ninar
Que você desliga ao acordar
E ao passar do dia
Eu queria ser mais do que apenas um remédio
Queria ser mais do que teu comprimido
Não queria ser, de novo,
Um poema que você deixa sem terminar

sábado, 2 de maio de 2015

Tenho muita vontade de morrer
Mas não tenho coragem de me fazer falecer
E eu não acho que conseguiria
Eu quero muito saber do futuro
Das coisas que ainda vão acontecer