Já faz uns dias que eu dormi e acordei abraçada com esse urso. Antes só dormia, porque em algum ponto da noite eu chutava Jesse pra fora da minha cama. Agora não. Chega a ser ridículo. Com quase vinte e tantos - ou vinte e poucos - eu preciso de uma pelúcia pra dormir sem chorar. Ou pra fingir que não estou chorando. Preciso de acalento.
Mesmo nas noites quentes eu abraço. E choro, e desabo, e desmonto. A solidão é demais pra aguentar sozinha. Cama demasiadamente grande pro meu corpo pequeno. Pra minha posição fetal. Os remédios não são o suficiente, as unhas não grandes ou afiadas pra penetrar minha pele. O choro me engole, ou eu engulo o choro - mas sei que choro. Eu deságuo, e como criança, minha pelúcia encharca.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Pontinhos
É meio merda estar deitada em qualquer lugar que não seja seu peito. Seu corpo, que sem esforço, sempre foi definido. Nunca liguei muito pra isso, mas você me dá falta de ar, cara. Tava pensando em você exatamente agora. No teu sorriso, e nas poucas pintinhas que você tem na barriga. Gosto quando as poucas que eu tenho se juntam com as poucas que você tem. A gente liga os pontinhos. Você junta os meus, e eu os seus, e somos uma constelação de pontinhos. Não da pra saber onde eu começo e onde você termina. Nessa constelação, no nosso espaço, na nossa via, eu deixo de ser eu pra ser você. Pra ser os seus pontinhos.
É muito merda estar deitada em qualquer lugar que não seja seu peito.
É muito merda estar deitada em qualquer lugar que não seja seu peito.
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